Hospitais de Wuhan têm filas e caos em meio a epidemia de coronavírus

Vírus já causou 56 mortes e contaminou cerca de 2 mil pessoas desde dezembro; novos hospitais estão em construção

Sébastien Ricci
Wuhan (China) | AFP

Os habitantes de Wuhan, epicentro da epidemia do coronavírus na China, descrevem como um filme de terror o cenário caótico atual nos hospitais da cidade. Corredores lotados, pacientes abandonados e uma espera angustiante e interminável. 

Com 11 milhões de habitantes, essa cidade situada na China central está de quarentena desde a última quinta-feira (23), junto a grande parte da província de Hubei, da qual é capital. Mesmo dentro dessa zona isolada, os deslocamentos são mínimos e restritos. 

No hospital da Cruz Vermelha, vários pacientes relataram o seu cansaço e impotência diante da AFP. Todos aceitaram comentar a situação, mas preferiram não se identificar.  

"Há dois dias não durmo e fico andando de hospital em hospital. No melhor dos casos, irão me atender amanhã de manhã", conta um homem, de 30 anos, que está com febre e gostaria de ser examinado. 

Equipe médica chega com paciente ao hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, na China
Equipe médica chega com paciente ao hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, na China - Hector Retamal/AFP

A epidemia gerou uma psicose na cidade. Muitas pessoas têm ido às urgências hospitalares desesperadas para saber se contraíram o novo vírus.

Na entrada do hospital, uma longa fila de doentes exercitam a paciência durante a longa espera. No local, aguardam sua vez para ser atendidos em pé ou sentados em pequenos bancos de plástico. Outros, mais prevenidos, trouxeram suas próprias cadeiras desmontáveis. 

Diante da multidão de pacientes, os esforços parecem insuficientes: a epidemia surgiu no país pouco antes do Ano Novo chinês, quando milhares de trabalhadores retornam para as suas cidades de origem, sobrecarregando o sistema de saúde de cada um desses locais.

Pessoas fazem fila à espera de atendimento médico no hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, na China
Pessoas fazem fila à espera de atendimento médico no hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, na China - Hector Retamal/AFP

"As enfermeiras são muito determinadas, mas o gerenciamento dessa situação é caótico", admite uma mulher, de 60 anos, que se apoia no filho para conseguir manter-se de pé.  

Segundo o seu relato, ela teve a sorte de "somente esperar cinco horas para ser atendida". 

Pouco depois, um idoso queixa-se de ter perdido todo o dia à espera do atendimento e ser mandado para casa por não haver camas disponíveis. 

Novos leitos

Os hospitais de Wuhan estão saturados, admite a Comissão Municipal de Saúde ao Diário do Povo, jornal oficial do partido comunista chinês. Com isso, os riscos de contágio podem aumentar. 

Por causa dessa situação, a cidade começou a constuir novos hospitais, que estarão prontos em até duas semanas. 

De acordo com a agência chinesa Xinhua, a cidade tem quatro mil camas hospitalares para os pacientes contaminados e para casas suspeitos.

No momento, "não há lugares para todos, o local está lotado, faltam medicamentos e os pacientes estão abandonados", lamenta um homem, de 30 anos, que já percorreu mais de um hospital em busca de atendimento.

O novo coronavírus, descoberto em um mercado situado em Wuhan, já causou 56 mortes e contaminou cerca de 2 mil pessoas desde dezembro.

A maior parte das vítimas foram registradas na província de Hubei e em sua capital, Wuhan.

A partir deste domingo, à meia-noite local (às 13h no horário de Brasília), a circulação de carros estará proibida em Wuhan.

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