Ministério da Saúde ampliará teste de coronavírus em cidades com casos confirmados

Todos pacientes internados com síndrome respiratória grave serão testados; objetivo é ver se já há transmissão sustentada do vírus

Brasília

O Ministério da Saúde vai ampliar a testagem para o novo coronavírus em cidades onde há casos confirmados da doença para verificar se já há circulação do vírus nesses locais.

Para fazer essa análise, a pasta pretende testar todas as amostras de pacientes internados nessas cidades com quadro de síndrome respiratória grave (como pneumonia). A investigação deve ser feita mesmo nas amostras de pacientes sem histórico de viagem internacional.

"A partir de agora, todo mundo que for internado com caso grave de gripe e síndrome respiratória [nessas cidades] vai ser testado para o coronavírus", diz o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

Até o momento, o Brasil tem 25 casos confirmados de covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2.

Desses, 21 são de pacientes que viajaram a países em alerta para a doença. Já as outras quatro pessoas tiveram contato com casos confirmados em São Paulo e na Bahia e configuram transmissão local.

Os casos já confirmados estão distribuídos em seis estados: São Paulo (16), Rio de Janeiro (3), Bahia (2), Espírito Santo (1), Minas Gerais (1) e Alagoas (1). Há também um caso confirmado no Distrito Federal.

O ministério também disse que planeja testar algumas amostras de pacientes com quadro inicialmente avaliado como gripe, mas que deram negativo para os vírus da influenza e outros mais comuns no Brasil. O número total de testes que serão realizados não foi divulgado.

A análise será feita em amostras coletadas e armazenadas na rede a partir de 1º de março, dias após a confirmação do primeiro caso da doença no país.

Segundo Wanderson Oliveira, um possível resultado positivo a partir da análise dessas amostras indicaria que o Brasil já tem transmissão "sustentada" ou "comunitária" do novo coronavírus. O termo é usado para as situações em que não é possível verificar a origem da infecção de parte dos casos confirmados.

Para o ministério, no entanto, o país tem uma transmissão ainda restrita a um pequeno grupo.

 

Não houve confirmação de novos casos nesta segunda-feira (9). Em contrapartida, cresceu o número de possíveis casos da doença em investigação no Brasil. Até domingo (8) eram 663 casos em investigação. Agora, são 930.

O aumento ocorre cerca de dois dias após o ministério ampliar o critério usado pela rede de saúde para verificar casos de suspeita de infecção pelo Sars-CoV-2. Até então, entravam nessa lista os casos de atendimento a pacientes com febre e outros sintomas respiratórios (como tosse e dificuldade para respirar) e histórico de viagem recente a 36 países com registro de transmissão.

Na sexta-feira (6), porém, a pasta decidiu ampliar a análise para todos os casos em que há registro de sintomas e histórico de viagem, nos últimos 14 dias, a qualquer país da América do Norte, Europa e Ásia, além da Austrália, Argélia e Equador.

A partir daí, os pacientes são direcionados para fazer exames para o novo coronavírus. Ao todo, 685 casos já foram descartados.

Do total de pessoas com infecção confirmada no Brasil, 15 são mulheres e 10 são homens. O perfil mapeado pela pasta mostra ainda que 11 deles têm abaixo de 60 anos, 12 têm entre 40 e 59 anos e dois estão acima dos 60 anos. Cinco deles apresentam outras doenças associadas, como hipertensão, diabetes e doença pulmonar.

A maioria veio de países da E uropa, como Itália. O secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, afirma que o governo não tem planos de trazer brasileiros que estão no país. "Não existe no radar essa possibilidade", afirmou. "Temos de 70 mil a 80 mil brasileiros que moram nessa região [mais atingida]. Isso já explica tudo."

Questionado se há possibilidade de conter o vírus, o secretário Wanderson Oliveira afirma que o cenário ainda depende de análise.

"A Organização Mundial de Saúde diz que possivelmente será a primeira pandemia que temos capacidade de conter. Assim esperamos. Mas, se identificarmos que há transmissão comunitária por meio da vigilância de síndrome gripal, esse argumento não se sustentará por causa da natureza da doença", disse.

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