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André Jardine quase foi engenheiro e se desentendeu com Felipão

Técnico do São Paulo tem seu primeiro desafio à frente do time no Paulista

Alexandre de Aquino
São Paulo | Agora

A temporada 2019 voltará a colocar o técnico do São Paulo, André Jardine, e o treinador do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, frente a frente. 

Diferentemente de 2014, quando trabalharam juntos no Grêmio, eles agora serão rivais. Será a chance de o recém-promovido treinador e o pentacampeão mundial mostrarem que superaram os desentendimentos.
Isso porque Jardine era auxiliar fixo da comissão técnica do Grêmio quando Felipão foi chamado ao clube, após a Copa do Mundo de 2014.

Felipão, como costuma fazer, chegou acompanhado de nomes de sua confiança e levou dois auxiliares para ajudá-lo: Ivo Wortmann e Flávio Murtosa. Jardine passou a ser o terceiro na hierarquia.

André Jardine em treino do São Paulo, na Florida
André Jardine em treino do São Paulo, na Florida - Divulgação-10jan2019/FLORIDA CUP

O principal atrito ocorreu em um treino. Durante trabalho de cobrança de escanteio, Felipão preferia que as batidas fossem feitas fechadas, na primeira trave. Jardine orientou o cobrador a bater mais aberto, na segunda.

Scolari, então, interrompeu a atividade e deu uma bronca pública no auxiliar, que dias mais tarde acabou demitido. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Felipão disse que o treinador não falaria sobre o assunto.

Com a saída do time, Jardine foi procurado por Júnior Chávare, então executivo das categorias de base do São Paulo, que ofereceu uma oportunidade no time.

“Quando liguei e perguntei se estava livre, ele disse que não havia dado certo por lá”, disse Chávare, hoje executivo da empresa K2 Soccer.

O treinador chegou em São Paulo em 2015 e teve que recomeçar a carreira nas categorias de base, com o time sub-20. Sob seu comando, os jovens foram a 11 finais, conquistando 7 títulos.

Entre as taças mais expressivas estão o bicampeonato da Copa do Brasil (2015 e 2016) e a Libertadores (2016). Ele ainda foi vice da Copa São Paulo de 2018, após perder a decisão para o Flamengo.

Foi também no ano passado que Jardine acabou promovido de vez a membro fixo da comissão técnica são-paulina. No final da temporada, após assumir a equipe interinamente no Brasileiro, foi efetivado para este ano.

Nascido em Porto Alegre, o técnico de 39 anos jogou futebol na base do Grêmio, quando tinha 15 anos. Aos 17, trocou os campos pelo vôlei.

Aos 20, já havia dado um tempo no esporte e cursava engenharia civil. Foi quando recebeu um convite para ser sócio de uma escolinha de futsal —largou o emprego em uma construtora e passou a cursar educação física.

A primeira chance em um grande clube foi no Internacional, em 2003. “Ele treinava futsal. Vimos potencial nele e resolvemos dar uma chance no campo”, afirmou Jorge Macedo, antigo coordenador da base do clube e hoje diretor de futebol do Vitória.

“É um cara sempre muito tranquilo, que escuta bastante, procura novidades. É observador, sempre ficava assistindo a treinos das categorias de cima”, completou.

Jardine continuou no time colorado por dez anos, antes de trocá-lo pelo Grêmio.

Tanto Chávare quanto Macedo apostam no sucesso do profissional no São Paulo.

“É uma situação nova para ele. Tem a pressão, convivência com jogadores mais consagrados. Mas o atleta sabe quem vai agregar valor a sua carreira. Ele é obcecado por um trabalho de qualidade. Só é preciso que a diretoria e a torcida tenham paciência para ele implantar as suas ideias”, afirmou Chávare.

“Muitas vezes, quando chegam ao profissional, as pessoas querem mudar. Falei para ele se manter igual, inclusive no trato com atletas. A pressão é maior, mas tem tudo para dar certo”, disse Macedo.

Na última semana, o São Paulo de Jardine perdeu os dois jogos que fez pela Florida Cup, contra Eintracht Frankfurt (ALE), por 2 a 1, e diante do Ajax (HOL), 4 a 2.

Com a missão de melhorar a defesa, a equipe estreia no Campeonato Paulista em casa, no sábado (19), às 19h30, contra o Mirassol.

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