Descrição de chapéu Campeonato Paulista

Red Bull já tentou oferecer até manicure para atrair público

Rival do Santos nas quartas de final tem a pior média de público do Paulista

Uillian comemora gol do Red Bull sobre o São Bento, no Moisés Lucarelli, durante a fase de grupos do Paulista
Uillian comemora gol do Red Bull sobre o São Bento, no Moisés Lucarelli, durante a fase de grupos do Paulista - Wagner Souza-15.mar.19/Futurapress/Folhapress
Klaus Richmond
Santos

Aos 24 minutos do segundo tempo, Roger tem sua camisa puxada dentro da área pelo zagueiro Lucão, do São Paulo. O árbitro Marcelo Rogério apita pênalti no atacante. Ainda caído no chão, ele conversa ao pé do ouvido com Thiago Galhardo quando escuta: “Pega a bola e bate você, Roger. Bate você!”

O grito, que parecia com o de um jogador dentro campo, era mais do que familiar para o atacante. Vinha do próprio irmão, na arquibancada do estádio Moisés Lucarelli. Foi assim seu primeiro gol na passagem pelo Red Bull Brasil.

A história, que aconteceu em 2016, é só uma amostra das peculiaridades de um time que fez a melhor campanha da primeira fase do Paulista, mas que luta contra a fama de não ter torcida.

A equipe enfrenta o Santos nesta terça-feira (26), às 20h, em Campinas, por uma vaga na semifinal do Estadual após perder o jogo de ida por 2 a 0. Precisa de vitória por dois gols de diferença para levar a decisão da vaga para os pênaltis.

Nesta temporada, o Red Bull teve média de público de 2.031 pessoas no Estadual, a pior entre os 16 clubes da Série A1. 

O número é enganoso, inflado pelo público de 10.389 no 1 a 1 contra o Palmeiras, logo na estreia. Nos demais jogos, o maior público foi de 407 presentes, diante do Ituano. 

Para reverter esse quadro, ao longo da última década, a equipe adotou táticas pouco ortodoxas e promoveu diversas atrações paralelas para atrair torcedores para o estádio nos dias de jogos. “Serviam pipoca, sorvete, davam Red Bull para os torcedores. Tinha DJ e pula-pula, meus filhos adoravam”, conta Roger.

O clube chegou a oferecer serviços de massagem e de manicure dentro das dependências do Moisés Lucarelli.

Também cedeu ingressos e ônibus para estudantes de universidades para tentar conquistar novos adeptos. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, por exemplo, levou cheerleaders e bateria para romper o silêncio nos jogos.

“Eu levava uma turma entre 150 a 200 pessoas por jogo. Era o pessoal da minha igreja, do meu bairro e amigos de infância”, conta Roger.

Victor Ferraz (esq.) e Carlos Sánchez, do Santos, festejam o primeiro gol da equipe na vitória sobre o Red Bull, na primeira partida das quartas de final do Paulista
Victor Ferraz (esq.) e Carlos Sánchez, do Santos, festejam o primeiro gol da equipe na vitória sobre o Red Bull, na primeira partida das quartas de final do Paulista - Divulgação-23.mar.19/Santos FC

A ausência de torcedores, já faz parte do folclore da equipe e motiva boatos recorrentes sobre mudança de cidade, compra de outros clubes e construção de um estádio.

O mais recente, que pode ser oficializada após o fim do Paulista, liga o clube à compra do Bragantino por R$ 50 milhões, o que daria uma vaga na Série B do Brasileiro.

Uma das histórias, sempre negadas pelo Red Bull, é que o clube simulava barulho de torcida nas caixas de som do estádio Moisés Lucarelli.

“Nunca ouvi as caixas de som, mas me lembro bem que eles levavam estudantes que ficavam batendo uns plásticos, fazia um barulhão”, diz o técnico Márcio Fernandes, atualmente no Remo, que trabalhou no clube em 2010, ano do acesso para a Série A2.

O esforço para atrair torcida gerou frutos, mesmo que poucos. O estudante de geologia Rodrigo Moura Rocatto, 31, é um dos torcedores convictos do time fundado pela marca de energéticos em 2007.

“Cresci nos anos 1990 e, por conta da violência, nunca tive interesse pelos times de Campinas”, diz, lembrando a rivalidade, muitas vezes agressiva entre Guarani e Ponte Preta.

“Gostava de acompanhar o Thierry Henry. Quando ele foi para o Red Bull New York, descobri que havia um clube com o mesmo nome aqui. Fui em 2012 a um jogo e não parei mais”, conta Rocatto.

Desde então, ele diz já ter ido a 94 partidas do Red Bull. Além de Campinas, já acompanhou a equipe pelo interior.

“Tem algumas figuras conhecidas, mas acho que não são torcedores de verdade. Quando tem jogos ruins, vemos que não há torcida.”

Em Campinas, muitos dizem que o clube não representa a cidade já que o moderno centro de treinamento do clube fica em Jarinu (a  cerca de 50 km de Campinas).

“Os torcedores do Guarani dizem que ganharemos um título antes da Ponte Preta, enquanto os da Ponte que o Red Bull ocupará a condição de rival”, afirma Rocatto.

A ascensão do clube, ao menos, ainda não resultou na ira de rivais, como aconteceu na Alemanha e na Áustria.

Desde 2016, o Red Bull Leipzig é alvo de protestos. O clube nasceu em 2009, quando a empresa comprou o Makrntadt, da 5ª divisão.

A ascensão meteórica resultou no movimento “Nein zu RB” (Não ao RB). Na Copa da Alemanha, torcedores do Dynamo Dresden arremessaram cabeças de touros mortos no entorno do estádio. Dias depois, fãs do Borussia Dortmund impediram torcedores do Leipizig de ocuparem o espaço destinado aos visitantes.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.