Scaloni ensaia tirar medalhões e Argentina repete problemas da Copa de 2018

Treinador montou time no treino sem Di María e Aguero para enfrentar o Paraguai

Alex Sabino
São Paulo

Com as costas contra a parede, o novato técnico Lionel Scaloni, 41, ensaia fazer uma aposta de peso na seleção argentina. Jogada que pode valer o seu cargo.

Na véspera da partida contra o Paraguai, pela Copa América, ele armou time no treino com quatro mudanças. Em duas delas, coloca no banco jogadores históricos. Um é o melhor amigo de Lionel Messi no futebol: Sergio Aguero.

Ángel Di María, apagado na derrota por 2 a 0 na estreia, diante da Colômbia, deu lugar a Rodrigo De Paul.
O lateral Renzo Saravia e o meia Guido Rodríguez também deixaram a escalação titular e foram trocados por Milton Casco e Roberto Pereyra.

A partida contra o Paraguai será nesta quarta (19), às 21h30, no Mineirão.

Di María (à esq.) e Aguero durante treino da seleção argentina antes da Copa América
Di María (à esq.) e Aguero durante treino da seleção argentina antes da Copa América - Juan Mabromata-28.mai.19/AFP

Ao contrário do que aconteceu diante dos colombianos, Scaloni não confirmou a escalação com antecedência.

“Não falo de dúvidas. Temos claro como vamos jogar. Não vou dizer porque há jogadores que não estão 100% e vamos ver se estão em condições”, disse ele, se referindo a Pereyra, que teve problemas musculares durante a preparação.

As mudanças mostram que a Argentina anda em círculos e repete os mesmos erros. Jorge Sampaoli não queria levar Javier Mascherano para o Mundial da Rússia no ano passado. Convocou para não causar uma polêmica com jogadores importantes. Escalou-o como primeiro volante apesar dele não ter mais condições físicas para desempenhar esta função em alto nível.

Frágil na defesa, a seleção caiu nas oitavas de final diante da França e venceu apenas uma vez no torneio.
Scaloni assistiu àquilo tudo porque fazia parte da comissão técnica. No momento da convocação para a Copa América, o treinador estreante em competições oficiais não desejava chamar Aguero por acreditar que ele não se encaixa no estilo de jogo planejado. 

Percebeu que deixá-lo fora seria uma aposta muito alta para quem jamais havia dirigido time nenhum, quanto mais uma seleção importante, duas vezes campeã do mundo. Seria difícil argumentar contra um atacante autor de 32 gols na última temporada europeia.

“Para nós, a Copa [América] ainda não começou”, disse Scaloni nesta terça (18).

Lembrou o discurso de Sampaoli depois da derrota contra a Croácia na Copa do Mundo da Rússia. Na época, o hoje comandante do Santos disse que o torneio começaria para a Argentina na rodada seguinte, diante da Nigéria.

A diferença é que nesta quarta o cenário para a seleção não é tão dramática quanto era em 2018. Mesmo um empate a deixa em condições de avançar para as quartas de final.

O adversário seguinte será o Qatar e pelo regulamento da competição continental, os dois melhores terceiros colocados também vão se classificar. 

A saída de Di María também seria colocar um medalhão no banco, mas menos controversa do que Aguero.
A atuação indigente do meia-atacante do PSG nos seus primeiros 45 minutos na estreia e o bom futebol de De Paul, que entrou no intervalo, fizeram com que a alteração soasse natural. Aumentaram também as críticas a Di María, jogador que vive até hoje na seleção do gol marcado contra a Suíça, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014.

Parte do discurso de Scaloni de que a Argentina precisa se basear no futebol do segundo tempo contra a Colômbia é por causa do futebol de Rodrigo De Paul. A entrada de Pereyra também daria a Lo Celso a oportunidade de atuar pelo meio, sua posição natural.

“Nossos meias tem suas características próprias. Buscamos colocar Lo Celso em uma posição em que ele esteja mais confortável”, explicou o técnico.

Uma vantagem que Scaloni tem é contar com o aparente apoio de Lionel Messi. Antes do treino desta terça (18), na Cidade do Galo, em Vespasiano (37 km de Belo Horizonte), ele e o camisa 10 reuniram o elenco e falaram com os demais jogadores.

O capitão seguiu na mesma toada do sábado pós-derrota para a Colômbia: o grupo é jovem, tem potencial e nada está perdido.

“Falamos de tudo o que vem por aí. Que estamos em um momento importante e que ainda teremos tempo nesta Copa”, disse Scaloni.

Esta seleção argentina precisa da vitória por um motivo que vai além do resultado em si. Desde que o inexperiente treinador assumiu o cargo, o time perdeu todas para rivais sul-americanos. Antes da Colômbia, havia sido derrotado em amistosos por Brasil e Venezuela. 

Apenas uma boa campanha o credenciaria a continuar no cargo. Por mais que o discurso oficial seja o de um projeto a longo prazo.

Por todos esses fatores, as quatro mudanças, se concretizadas, serão uma aposta de porte de Scaloni, algo que pode definir se ele será visto como comandante da seleção argentina para o futuro ou não.

“Leo [Scaloni] tem uma filosofia em que todos nós acreditamos”, disse Pezzella.

Mas isso foi antes da derrota na estreia e a estilos de jogo no futebol só se sustentam com resultados. Ainda mais em uma seleção que não ganha títulos há 26 anos. 

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