Descrição de chapéu The New York Times

Golden State foi conhecer o Toronto após 3 derrotas, e agora pode ser tarde

Equipes disputam nesta segunda (10) o quinto jogo da final da NBA

Marc Stein
Oakland (Califórnia) | The New York Times

​O Golden State Warriors admitiu abertamente o fato, antes do início das finais da NBA. Os bicampeões da liga, que estão em busca do tricampeonato, disseram não conhecer o Toronto Raptors tão bem quanto gostariam.

​"Não conhecemos bem esse time", foram as palavras usadas por Klay Thompson quando o Warriors foi derrotado no primeiro jogo da série, em Toronto. O treinador do Warriors, Steve Kerr, havia dito mais ou menos a mesma coisa antes da abertura do playoff final, declarando que o Warriors "mal conhece" o Raptors.

Isso agora mudou.

Kyle Lowry salta para fazer a bandeja durante a vitória do Toronto Raptors no jogo 4 das finais da NBA
Kyle Lowry salta para fazer a bandeja durante a vitória do Toronto Raptors no jogo 4 das finais da NBA - Tony Avelar-7.jun.19/USA TODAY Sports

O Warriors está bem ciente, depois de quatro jogos das finais, que Kawhi Leonard vem jogando cada dia melhor. E é evidente que os demais jogadores do Raptors, sob o comando de Nick Nurse, um treinador estreante mas muito antenado, parecem ter adquirido um pouco do jeito imperturbável do astro do time —e todos eles parecem perfeitamente preparados para o momento e para sufocar o ataque do adversário.

Subitamente em desvantagem por três jogos a um em uma série melhor de sete, o Golden State não deve se preocupar demais com a paixão sufocante da torcida que os aguarda em Toronto para o jogo cinco, na noite desta segunda-feira (10). Mas ver a Scotiabank Arena tomada por torcedores portando o lema "We the North" vai no mínimo incomodar um pouco.

O Warriors está enfrentando um adversário que se vê como uma versão setentrional do time californiano. E é esse o verdadeiro problema. Isso e os problemas do Warriors com lesões, que continuam graves.

"Eles merecem crédito", disse Kerr na noite de sexta-feira (7), depois do jogo quatro quase impecável de Leonard: 36 pontos, 12 rebotes e zero perdas de bola, em 40 minutos, o que levou o Toronto a uma segunda vitória consecutiva na Oracle Arena, a casa do adversário.

"Eles jogaram muito bem no ataque e muitos de seus jogadores são ameaças —muitos arremessadores bons, muitos passadores bons".

Kerr poderia facilmente ter mencionado a ausência de Kevin Durant, lesionado, como desculpa, bem como o fato de que quatro dos jogadores de sua rotação regular —Thompson, Andre Iguodala, DeMarcus Cousins e Kevon Looney— jogaram machucados em uma partida que, como a história indica, seu time precisava ganhar.

É esperado que diversos especialistas apontem para o fato, em defesa de Kerr, e que, caso o Toronto garanta o título na segunda-feira (10), a vitória deles venha a ser atribuída por muita gente às dificuldades do Warriors fora da quadra.

Mas o Warriors não recorrerão a essas desculpas se seus sonhos de um tricampeonato forem destruídos em apenas cinco jogos. Eles estão com problemas físicos, inegavelmente desmoralizados e incertos quanto à chance real de retorno de Durant para tentar salvar o grupo —mas também estão genuinamente impressionados com o que o Raptors vem fazendo contra eles.

No jogo três foi a vez de Danny Green, que aprendeu a jogar no San Antonio Spurs, converter seis arremessos de três pontos, depois de acertar apenas quatro deles nas finais da conferência leste.

No jogo quatro, foi Serge Ibaka que apareceu com 20 pontos decisivos para servir como braço direito de Leonard —e isso depois de Ibaka marcar apenas 18 pontos nos três primeiros jogos da série.

Leonard, Green e Marc Gasol, que chegaram nesta temporada via trocas, se combinaram a outros talentos garimpados pelo Toronto —a saber, Pascal Siakam e Fred VanVleet—, para atordoar o poderoso Warriors. Leonard continua a confiar em seus colegas quando a cobertura defensiva do Warriors o força a passar. E eles continuam correspondendo.

"Parece que a cada jogo um novo cara aparece", disse Draymond Green, do Warriors. "É só ver... Danny Green no jogo três, e aí, hoje, quando o tiramos completamente do jogo, apareceu Serge..."

A sentença nem precisava ser completada. O Toronto dominou o terceiro quarto do jogo quatro —marcando 37 pontos contra 21, um resultado que certamente representou o pior terceiro quarto em playoffs nas cinco temporadas de Kerr à frente do Warriors.

Não seria de estranhar que o Warriors, que por muitos anos foi sinônimo de time que volta com toda força do vestiário após o intervalo, contemple o Raptors e fique imaginando como é que o adversário conseguiu roubar tantas de suas melhores características em prazo tão curto.

Para Leonard, especialmente, os últimos dias devem ter servido como uma doce redenção ou pelo menos um momento tão doce e tão redentor quanto o jogador, conhecido por ser muito taciturno, se permite saborear.

Em seus dois primeiros jogos na Oracle Arena desde uma malfadada colisão com Zaza Pachulia, então jogador do Warriors, no primeiro jogo das finais da conferência oeste em 2017, a impressão deixada por Leonard foi a de que ele se tornou simplesmente o melhor jogador do mundo.

No mesmo ginásio no qual ele sofreu uma lesão que muita gente em San Antonio considera ter sido o primeiro passo na sua decisão de abandonar o Spurs, Leonard deu um grande passo para seu segundo prêmio como melhor jogador das finais da NBA. Ao longo do caminho, ele submeteu o Warriors ao que pode um dia se provar o pior período de três dias da era dinástica do time, se levarmos conta a embaraçosa suspensão de Mark Stevens, investidor minoritário do Warriors, por entrar na quadra e dar um empurrão em Kyle Lowry, do Toronto, em meio a duas derrotas consecutivas em casa.

É claro que Leonard é Leonard, e ele não demonstrou grande satisfação, em um vestiário repleto de jogadores que seguem seu exemplo e se recusam a agir como se já tivessem conquistado alguma coisa.

Questionado sobre o que significaria para Toronto se o Raptors conseguisse garantir o título na segunda-feira —o primeiro em solo canadense—, Leonard ofereceu uma resposta clássica: "Não sei bem".

Mas não demorará a descobrir. Dos 34 times que ficaram em vantagem por três jogos a um nos playoffs finais da NBA, 33 garantiram o título. A exceção é o Warriors, graças ao seu colapso diante de LeBron James e do Cleveland Cavaliers nas finais de 2016. É difícil imaginar que Golden State consiga vingar aquele colapso, em sua forma atual.

"Já estive do lado derrotado em uma série que chegou aos três a um", disse Draymond Green. "Podemos fazer história".Talvez a melhor pergunta seja: mesmo que Durant volte à quadra no jogo cinco, qual será sua forma, depois de perder um mês de jogo? A última partida de Durant na NBA foi em 8 de maio, é bom lembrar.

"Ninguém terá pena de nós", disse o armador Stephen Curry, do Warriors. "É simplesmente uma questão de se somos ou não somos capazes disso —e vamos deixar tudo na quadra, começando na segunda-feira".

Na mídia dos EUA, os comentaristas hesitam em descartar a probabilidade de uma ressurreição do time. Ibaka, que jogava pelo Oklahoma City Thunder quando este desperdiçou vantagem semelhante diante do Warriors nas finais da conferência oeste em 2016, está ciente do fato.

"Contra um time como eles, nada está decidido ainda. Já passei por isso: uma desvantagem de três a um não é problema para eles", disse Ibaka a meus antigos colegas da ESPN Radio.

Mas também fica bastante claro que o Warriors, não importa o que imaginava no começo das finais, não vai decidir unilateralmente como será concluída sua série de títulos. Lesões e jogadores em fim de contrato, ao que parece, não são as únicas forças externas com que o Golden State tem de lidar.

O Toronto Raptors também terá algo a dizer sobre como a série vai ser concluída. E o Warriors agora sabe muito bem disso.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci 

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