Descrição de chapéu Pan-2019

Exigente, Duda pega no pé e lidera seleção de handebol no Pan

Armadora eleita a melhor do mundo em 2014 orienta e cobra atletas mais novas

São Paulo e Lima (Peru)

A seleção brasileira feminina de handebol se encaminhava para uma vitória arrasadora contra o Canadá, no segundo jogo do Pan de Lima. Mesmo assim, a armadora Eduarda Amorim, 32, cobrava uma postura mais ativa da defesa nos minutos finais da partida, vencida pelo Brasil por 41 a 12.

Assim é Duda, referências técnica e de liderança da equipe. Campeã mundial em 2013 e duas vezes do Pan (2007 e 2011), a catarinense de Blumenau foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2014.

Ela usa o que aprendeu nos melhores anos do handebol brasileiro para lidar com a fase atual. No cenário continental, a seleção feminina ainda domina e entra na decisão do Pan, contra a Argentina, às 22h30 (de Brasília) desta terça (30), como favorita a ganhar o sexto ouro consecutivo na competição.

Duda Amorim comemora durante partida de estreia no Pan-2019 contra Cuba
Duda Amorim comemora durante partida de estreia no Pan-2019 contra Cuba - Wander Roberto - 24.jul.19/COB

Desde o título mundial de 2013, porém, não foi possível manter o mesmo patamar. O time amargou eliminações precoces nos Mundiais de 2015 e 2017. Na Olimpíada do Rio, quando era um dos favoritos a medalha, caiu nas quartas de final.

Nesse período também houve desgaste com a confederação da modalidade. Em 2018, houve o afastamento do então presidente da entidade e o fim dos patrocínios dos Correios e do Banco do Brasil. Em meio a esse cenário, as jogadoras da época mais vitoriosa se posicionaram com pedidos de mudança na gestão.

Duda foi uma delas. Hoje, ela prefere exercer esse papel dentro de quadra e atua atua como peça importante num momento de transição, com o surgimento de novas atletas.

“A gente tem muito talento, mas ao mesmo tempo eu estou pegando no pé das meninas mais novas. Atleta profissional não pode nunca se acomodar, tem sempre que querer mais, então tento dar uns toques da parte técnica e principalmente da parte mental”, afirmou a armadora após a estreia do Brasil no Pan.

Duda é descrita por quem joga ao seu lado como alguém que diz o que pensa, não hesita em dar opinião, incentiva e tem uma rotina rígida. “Precisa sempre tirar seu soninho da tarde”, brinca a companheira de seleção Tamires Morena.

Quase oito anos mais jovem, ela se orgulha de ter a meia esquerda como parceira dentro e fora de quadra.

“Se ela precisa ‘puxar’ para incentivar, ela sempre tenta te levar ao seu melhor, e te mostrar que você consegue fazer”, completa.

Larissa Araújo, 27, titular da seleção durante os Jogos, chegou a treinar com Duda no Gryori, time da Hungria atual tricampeão da Champions League e que a veterana defende desde 2009.

“Só de ver ela treinando e jogando já é algo muito grande para nós, mais novas. Tudo o que ela conquistou é o que a gente almeja conquistar”, afirma a ponta esquerda.

Para Larissa, mesmo nos momentos que a armadora pega no pé, como na cobrança por uma defesa mais forte, o faz com propriedade. “É importante que ela fale isso durante o jogo porque nós às vezes temos mania de nos dispersarmos um pouco”, reconhece.

Na visão das atletas, o fato de a seleção feminina dominar o Pan há tantos anos não torna o evento menos importante. Até porque o título significará garantir vaga na Olimpíada do Japão.

“Uma equipe que está em Tóquio é uma equipe que o patrocinador vai procurar, então a gente sabe dessa responsabilidade. Todo mundo sabe que não é nosso melhor momento. Temos problemas financeiros, mas a gente como atleta tenta fazer nosso serviço dentro de quadra. Só isso que temos o poder de mudar agora”, afirma Duda.

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