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No Barça, Messi sofre pressão por realidade que ele mesmo criou

Fora da estreia, atacante tenta vencer seu 11º titulo do Espanhol

Alex Sabino
São Paulo

Com o microfone na mão, Lionel Messi caminhou pelo gramado do Camp Nou antes de partida contra o Arsenal, no troféu Joan Gamper, no último dia 4. O jogo era insignificante. Mais importante foi a mensagem que o camisa 10 mandou aos torcedores. Uma foi a promessa de que o Barcelona vai brigar por todos os títulos que disputar na temporada.

Outra foi pedido para que os resultados na Liga Espanhola sejam mais valorizados. Na última década, o Barcelona dominou a competição que começa nesta sexta (16), quando o time enfrenta o Athletic Bilbao, fora de casa.

“Devemos valorizar a liga, a 8a [conquista] em 11 anos. Seria algo grandioso para qualquer clube. Talvez hoje não damos o valor que merece, mas em alguns anos verão o quanto foi difícil”, disse, se referindo ao título obtido em maio passado.

Lionel Messi acena para a torcida antes do início da partida contra o Arsenal, pelo Troféu Joan Gamper
Lionel Messi acena para a torcida antes do início da partida contra o Arsenal, pelo Troféu Joan Gamper - Josep Lago-4.ago.19/AFP

A estreia desta vez será sem o argentino. Com uma lesão na panturrilha, ele não foi relacionado para o jogo em Bilbao.

Messi tem falado mais do que o costume nos últimos meses. Desde junho, antes do início da Copa América, passou a dar declarações como nunca na carreira. Algumas delas, polêmicas. Afirmar que existe corrupção na Conmebol e que o torneio continental estava acertado para o Brasil ser campeão lhe rendeu uma suspensão de três meses para jogos da Argentina.

A afirmação foi impopular com dirigentes, mas o colocou mais perto da torcida do seu país, que acredita ter sido prejudicada na semifinal por causa de dois pênaltis não marcados contra a seleção brasileira.

Ele chama a atenção para o desempenho recente na liga nacional porque o Barcelona tem falhado no troféu mais importante: a Champions League. Se não vencer nesta temporada, chegará a um jejum de cinco anos, o maior da carreira do camisa 10 como profissional. Ele estava no elenco nas conquistas de 2006, 2009, 2011 e 2015.

“Digo o mesmo que na temporada passada: confio nesses jogadores e no técnico”, completou.

Ele demonstra ainda estar machucado pelo que aconteceu no primeiro semestre. Parecia que o Barcelona seria campeão europeu. Depois de vencer a primeira semifinal do Liverpool por 3 a 0, levou 4 a 0 na Inglaterra, em uma das maiores viradas da história do torneio, e acabou eliminado.

O próprio jogador confessa que a goleada sofreu em Anfield doeu. Ainda mais quando foi zombado por Mateo, 3, seu filho do meio.

O sucesso europeu do Barcelona está ligado a Messi. A dinastia da equipe espanhola começou a ser formada antes mesmo da chegada de Pep Guardiola, em 2008. Sob o comando do holandês Frank Rijkaard, o time venceu a final diante do Arsenal em Paris em 2006 quando Messi era apenas um coadjuvante no elenco em que o astro era Ronaldinho Gaúcho.

Mas a geração de Lionel se consolidou como um dos maiores times da história do futebol ao derrotar o Manchester United, em Roma, na decisão do torneio de 2009. E possivelmente a maior atuação daquela equipe foi dois anos depois, também na decisão europeia e contra o mesmo adversário, mas em Wembley. O gol marcado pelo argentino naquela partida, em 2011, foi um dos que mais comemorou na carreira e faz parte de uma das imagens emblemáticas do Barcelona.

Antes da aparição do argentino, o Barcelona tinha apenas um título europeu, com o Dream Team (Time dos sonhos, em inglês), de Johan Cruyff, em 1992. Agora, soma cinco troféus. Desde 2015, quando venceu  pela última vez ao derrotar a Juventus, o Real Madrid foi campeão três vezes. Chegou a 13 títulos da Champions League.

Com Messi no elenco profissional, em três temporadas o Barcelona terminou sem conquistar nenhum título. A última vez foi em 2014. O argentino teve de conviver ainda com a provocação do eterno rival Cristiano Ronaldo.

O português o elogiou mas ressaltou como diferença entre os dois o fato de ter conquistado o torneio europeu com times diferentes. Além do Real Madrid, ganhou com o Manchester United em 2008. Na semifinal daquele ano, eliminou o Barcelona.

Não é a primeira vez que o argentino escuta esse tipo de crítica. Sir Alex Ferguson, que dirigiu o time inglês nos títulos de 1999 e 2008 mas perdeu as finais para o Barcelona em 2009 e 2011, já havia estabelecido o que era, para ele, a separação entre Ronaldo e Messi.

 

“Cristiano é um grande jogador de futebol em qualquer clube que estiver. Lionel Messi é um grande jogador do Barcelona.”

Isso não aparece na liga espanhola e essa valorização que o camisa 10 pede. O domínio local do Barcelona é algo que o país não vê desde a década de 1960, quando o Real Madrid conquistou oito títulos em nove temporadas. Mas naquele tempo, a Copa da Europa (atual Champions League) não tinha o mesmo valor que possui hoje.

Isso faz com que Messi continue desejando ser campeão espanhol, mas cobice mais ainda o título europeu.

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