Final de surpresas no Australian Open opõe bicampeã de Slam a novata

Espanhola Garbiñe Muguruza enfrenta americana Sofia Kenin na manhã de sábado

São Paulo

Após um raro período de dois anos sem títulos de americanas nos torneios do Grand Slam (o que não acontecia desde a década de 1990), as esperanças do país de voltar a triunfar nos principais palcos do tênis recaem agora sobre uma de suas jovens revelações.

Sofia Kenin, 21, disputará pela primeira vez na carreira a final de um evento desse nível. Às 5h30 (de Brasília) de sábado (1º), entrará na Rod Laver Arena para enfrentar a espanhola Garbiñe Muguruza, mais experiente tanto nos seus 26 anos de idade quanto em repertório, já que buscará seu terceiro troféu de Slam. A ESPN transmite a partida.

Se a representante europeia da final nasceu em Caracas e se mudou para a Espanha aos seis anos de idade, a americana Kenin é natural de Moscou, mas mudou-se com a família para os Estados Unidos meses após o nascimento.

Sua entrada na elite não ocorreu de forma explosiva. Deu-se em decorrência de um crescimento constante nos últimos anos. Em 2019, ela se consolidou no top 20, ainda sem passar das oitavas de final de um Slam. Na primeira oportunidade que teve nesta temporada, a número 15 do mundo não desperdiçou a chance.

Até derrotar a favorita australiana Ashleigh Barty, número 1 do mundo e esperança da torcida local em Melbourne, nas semifinais desta quinta (30), por 2 sets a 0, ela não havia enfrentado nenhuma cabeça de chave.

A tenista americana Sofia Kenin comemora sua vitória contra Ashleigh Barty, que lhe garantiu a ida à final do Australian Open
A tenista americana Sofia Kenin comemora sua vitória contra Ashleigh Barty, que lhe garantiu a ida à final do Australian Open - Issei Kato/Reuters

No único jogo em que perdeu um set até aqui, conseguiu superar nas oitavas de final sua embalada compatriota Coco Gauff, 15, que surge como grande fenômeno do circuito feminino, mas ainda está claramente abaixo das rivais nos aspectos físicos.

Kenin também contou com uma chave mais aberta pelas eliminações precoces da japonesa Naomi Osaka, atual campeã na Austrália, e da americana Serena Williams.

"As pessoas não prestavam muita atenção em mim no passado", ela disse após derrotar Barty. "Eu tive que me estabelecer, e ainda tenho. Claro que agora estou ganhando atenção. Eu gosto disso, não vou mentir."

Garbiñe Muguruza comemora após derrotar Simona Halep nas semifinais
Garbiñe Muguruza comemora após derrotar Simona Halep nas semifinais - William West/AFP

Já Muguruza é bem conhecida no circuito. Campeã de Roland Garros em 2016, ao derrotar Serena Williams, e de Wimbledon em 2017, após bater Venus Williams, ela ganhou a fama de crescer nos torneios mais importantes.

Na 32ª posição do ranking, a espanhola acaba de comprovar essa capacidade novamente ao avançar até a final mesmo sem ocupar uma posição entre as cabeças de chave. A espanhola foi a primeira a fazer isso desde a belga Justine Henin, em 2010.

Regularidade, por outro lado, não é o seu forte. De maio ao fim do ano passado, Muguruza venceu apenas seis partidas em dez torneios. Inclusive perdeu para a brasileira Bia Haddad na estreia de Wimbledon. Só na atual campanha que a levou à final do Australian Open, ela conseguiu as mesmas seis vitórias.

A sétima, que pode lhe dar o terceiro título de Grand Slam em torneios diferentes, estará em jogo no sábado, contra Kenin.

Enquanto a espanhola tentará manter a frieza que a ajudou a derrotar as irmãs Williams em Paris e Londres nos últimos anos, a americana testará pela primeira vez seu nervos numa decisão de Slam.

Podem servir de espelho para ela outras jovens vencedoras recentes dos grandes torneios. Osaka ganhou o US Open em 2018 com 20 anos. No ano passado, Barty faturou Roland Garros aos 23, e Bianca Andreescu levou o US Open aos 19.

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