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Surtos de Covid-19 adiam jogos e voltam a ameaçar futebol inglês

Após 2 partidas suspensas na rodada da Premier League, pedidos por paralisação aumentam

Londres | AFP

Dois jogos adiados na atual rodada da Premier League mostraram que o futebol inglês voltou a ser seriamente ameaçado pela pandemia, a ponto de gerar alguns pedidos de interrupção de competições.

A questão volta à tona conforme o número de testes positivos para Covid-19 nos clubes de elite da Inglaterra atinge seu nível mais alto desde maio.

Dezoito jogadores e membros de comissões técnicas dos 20 clubes da elite britânica tiveram teste positivo na última rodada de exames, divulgada nesta terça-feira (29). Ao todo, 1.479 pessoas foram submetidas aos testes de 21 a 27 de dezembro.

Fachada do estádio iluminada à noite
Estádio do Tottenham, que receberia jogo contra o Fulham nesta quarta - Matthew Childs/Reuters

Assim, não se pode descartar a possibilidade de uma série de adiamentos nos próximos dias, como foi o caso do duelo Everton x Manchester City, marcado para segunda-feira (28) e suspenso apenas quatro horas antes do seu início, após a detecção de diversas infecções na equipe comandada por Pep Guardiola.

Nesta quarta-feira (30), Tottenham x Fulham foi o confronto adiado devido a um "aumento significativo" de casos positivos no Fulham, informou a Premier League. A entidade não divulgou os números de cada time e os nomes envolvidos.

Antes dessa decisão, o técnico do Tottenham, José Mourinho, havia ironizado a liga com um post no Instagram: "Jogo às 18h (de Londres). Seguimos sem saber se jogaremos. Melhor liga do mundo", escreveu.

Situação semelhante existe dentro do Sheffield United, e a disputa do confronto Chelsea x Manchester City, marcado para domingo (3), também está no ar.

O retorno do Manchester City aos treinos nesta quarta-feira, dois dias após o adiamento do jogo contra o Everton, sugere que esse duelo com o Chelsea em Stamford Bridge possa ser disputado. Uma outra rodada de testes não revelou novas infecções.

Nas categorias inferiores, adiamentos e casos positivos se multiplicaram por vários dias, e se falou na possibilidade de uma suspensão geral das competições.

Uma das vozes a esse respeito é a do novo técnico do West Bromwich Albion, Sam Allardyce.

Sam Allardyce (à dir.) cumprimenta Marcelo Bielsa, técnico do Leeds
Sam Allardyce (à dir.) cumprimenta Marcelo Bielsa, técnico do Leeds - Dave Rogers - 29.dez.20/AFP

Após a derrota de sua equipe em casa contra o Leeds (por 5 a 0), Allardyce apelou às autoridades para que aplicassem um "circuit breaker" a fim de retardar a propagação da pandemia.

“O que quer que seja feito, mesmo com muitos exames, usando máscaras, com a lavagem das mãos, continuamos com infecções em todo o país”, lamentou o treinador. “A saúde de cada um é o mais importante. Quando ouço que a nova variante do vírus se transmite 70% mais rápido, o melhor a fazer é dar um hiato na temporada."

Mais tarde nesta quarta, a Premier League divulgou nota em que afirma não estar em discussão a paralisação do torneio e que confia no seu protocolo sanitário.

Antes desta semana, apenas um jogo da competição (Newcastle x Aston Villa, no início de dezembro) havia sido adiado.

A temporada 2020/21 começou um mês depois do habitual, pois a anterior só pôde terminar em julho, após uma pausa devido ao confinamento.

O treinador do Manchester United, Ole Gunnar Solskjaer, teme o impacto de um hiato em um calendário já comprimido: "Não vejo interesse em fazer uma pausa. Quando vamos jogar as partidas?".

A situação da saúde no Reino Unido é alarmante desde o surgimento de uma variante do coronavírus, sinônimo de uma explosão de casos positivos que atingiu um nível histórico nesta semana.

De 8 a 10 de janeiro, os clubes de elite entram na briga da FA Cup, a prestigiosa Copa da Inglaterra, e enfrentam clubes de escalão inferior que não possuem os mesmos protocolos sanitários.

"As despesas dos exames para esses clubes [das categorias inferiores] serão cobertas", informou a Premier League.

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