Descrição de chapéu tênis

Tenistas nascidos nos anos 2000 começam a despontar no circuito masculino

Ainda dominado por gigantes e desafiantes recentes, esporte conhece sua novíssima geração

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São Paulo

O conjunto de jogadores que anos atrás ficou conhecido como a “próxima geração” do tênis masculino tornou-se realidade, ganha torneios importantes e frequentemente incomoda os grandes nomes do circuito da ATP (Associação dos Profissionais do Tênis).

Ainda assim, paira a sensação de que Dominic Thiem, 27, Daniil Medvedev, 25, Alexander Zverev, 24, Andrey Rublev, 23, e Stefanos Tsitsipas, 22, ainda fazem parte de um grupo destinado a mais dias de glória no futuro que no presente.

Isso ocorre seja pela imposição e durabilidade descomunais de Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer, seja por algo que ainda falta aos mais jovens para destronar esse trio, especialmente nos Grand Slams.

Enquanto isso, uma novíssima geração desponta para lutar por espaço na elite do circuito. Atualmente há quatro tenistas nascidos nos anos 2000 entre os 100 primeiros do ranking: os italianos Jannik Sinner (de 2001) e Lorenzo Musetti (2002), o canadense Felix Auger-Aliassime (2000) e o americano Sebastian Korda (2000).

O espanhol Carlos Alcaraz (de 2003), na 120º colocação, também se aproxima, assim como Thiago Wild. O brasileiro de 21 anos se tornou em 2020 o primeiro da geração 2000 a ganhar um título de ATP (em Santiago) e ocupa a 124ª posição. Seu desempenho recente, porém, tem sido irregular.

De todos esses nomes, Aliassime é quem está entre os melhores do mundo há mais tempo (20ª no ranking), mas até agora não deu seu grande salto rumo às primeiras posições. Musetti, o mais novo, aparece em 83º. Sinner (18º) e Korda (65º) são os que mais chamaram a atenção em 2021 até o momento.

No circuito feminino, a canadense Bianca Andreescu, 20, e a polonesa Iga Swiatek, 19, já venceram Slams, mas a renovação entre os homens em geral tem sido mais lenta.

Quem pode romper com isso em breve é Sinner, que tem conquistado seu espaço de forma avassaladora. Entrou no top 100 em outubro de 2019 e, no segundo semestre do ano passado, após a retomada do circuito, continuou a escalar posições no ranking. Já venceu dois torneios nível ATP e chegou à final do Masters 1.000 de Miami no início de abril.

“Ou você ganha ou aprende, especialmente aos 19 anos. Foi ótimo chegar à final do meu primeiro Masters, mas obviamente queria ganhar. Não jogar bem no momento chave da final, quando saquei para o primeiro set, é algo que preciso ter certeza de que não irá se repetir”, diz o italiano à Folha.

Nascido em San Candido, pequena cidade na fronteira com a Áustria que atrai turistas por ser um conhecido ponto de esqui e onde a maioria dos habitantes fala alemão antes do italiano, Jannik seguiu a tradição tanto no idioma quanto no esporte, se aventurando pelas montanhas de neve antes de se afeiçoar à raquete.

Aos 13 anos, mudou-se para Bordighera, na fronteira com a França, e começou a se dedicar para valer ao esporte sob a batuta do técnico Riccardo Piatti. O que se viu desde então foi uma evolução veloz dentro de quadra (mesmo sem destaque na carreira juvenil) e uma aparência de maturidade desenvolvida precocemente.

O tenista é descrito como corajoso e concentrado, algo que ele reconhece que pode ser uma herança do esqui, mas também de muitas horas de dedicação ao jogo de tênis.

Filho de um chef de cozinha e de uma garçonete que trabalham no mesmo restaurante, o jovem contou ao site da ATP que se inspira na ética profissional de seus pais. “Eles sabem o que significa trabalhar duro. Eles me deram esse tipo de mentalidade, sempre tentando o seu melhor dia após dia e tentando não perder energia durante o trabalho.”

Em 2018, quando ainda não era fácil apontar Sinner como o futuro do tênis, o técnico Leo Azevedo, hoje na Federação Britânica, teve seu primeiro contato com ele. Na época, Leo treinava os brasileiros Orlandinho e Felipe Meligeni na Espanha e os acompanhava em torneios pela Europa.

Numa viagem para um evento de nível challenger em Milão, o treinador notou que um menino praticamente não saía das quadras de treinos, alternando atividades com diferentes parceiros de bate-bola.

“Era o Sinner. Sou um cara antenado com essas coisas, mas na época ninguém sabia quem era ele. Não foi um cara que olhei e falei ‘nossa’, mas vi que treinava mais que todo mundo e estava sempre com intensidade boa e feliz. Treinamos com ele a semana toda, sempre de bom humor e contente. Não vi treinar mal nenhum dia”, relata Leo.

Antes disso, o treinador brasileiro conheceu de perto outro fenômeno da novíssima geração. Leo treinou Sebastian Korda de 2015 a 2017, quando trabalhava na federação norte-americana.

Educado, respeitador e dono de técnica perfeita são as primeiras características citadas por ele, que também atribui a paciência para desenvolver seu jogo como uma virtude que agora dá frutos. Segundo Leo, o jovem americano nunca foi tratado como prodígio numa família acostumada a ter sucesso no esporte.

Filho de Petr Korda, ex-tenista tcheco vencedor do Australian Open em 1998 e número 2 do mundo, e de Regina Rajchrtová, que chegou à 26ª posição do ranking, Sebi tem duas irmãs, Jessica e Nelly, jogadoras de golfe no circuito profissional americano.

O tenista afirma que não sente nenhuma pressão pelo currículo familiar. Ao contrário, recebe apoio de quem conhece o caminho ao topo e também as dificuldades do esporte. Com os três filhos buscando seu espaço nesse meio, os pais tiveram que se desdobrar.

“Minha mãe é uma das maiores [responsáveis pela formação], porque quando minha irmã estava começando no golfe profissional, meu pai era seu caddie [carregador de tacos que também ajuda o golfista na escolha deles]. Então minha mãe estava comigo todos os dias em quadra quando eu comecei a jogar, com 10 ou 11 anos, melhorando minha técnica e ensinando como jogar pelos próximos anos”, diz à Folha.

Leo é testemunha de que o trabalho de Regina deu resultado. “Eu podia jogar confete para mim, mas tecnicamente nem toquei nele. Chegou feito, com uma base técnica incrível. A esquerda é para fazer DVD e todo mundo ver. Pode ficar horas procurando defeito e ninguém vai achar. Ajudei mais na parte tática, jogar no saibro, levar para competição, botá-lo no circuito e apresentar os passos.”

Vencedor do Australian Open juvenil em 2018, 20 anos após seu pai vencer a chave profissional, Korda ainda não tem títulos na elite. Em 2021, já foi vice do ATP 250 de Delray Beach e fez quartas do Masters 1.000 de Miami.

Neste fim de semana, ele falhou ao buscar vaga no Masters 1.000 de Madri. Sinner e Felix (treinado por Toni Nadal) estão garantidos na chave principal, com início no domingo (ESPN transmite), assim como Alcaraz, que recebeu convite. Musetti ainda tem uma partida do qualificatório.

Na Caja Magica, palco do torneio, eles reencontrarão Thiem, Medvedev, Tsitsipas, Zverev, Rublev e Nadal, em um novo capítulo que reúne passado e futuro no presente do tênis.

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