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Aproveite a quarentena para envolver filhos nas tarefas domésticas

Para terapeuta familiar, as famílias estão diante de uma boa oportunidade para adotar atitudes colaborativas

Pais em home office e crianças sem escola presencial. Com a nova rotina familiar imposta pela quarentena, as tarefas da casa se multiplicam e a divisão da limpeza e da organização se torna ainda mais fundamental.

Para a terapeuta familiar Rosalina Moura, embora o momento seja difícil, as famílias estão diante de uma boa oportunidade para adotar atitudes colaborativas. "Um aprendizado que devemos levar adiante em nossas vidas, mesmo depois da crise."

As crianças muito pequenas, com 2 ou 3 anos, são capazes de guardar parte dos seus brinquedos e devem ser estimuladas a participar das tarefas à sua altura. "Podem ajudar a tirar a mesa, auxiliar na cozinha, dobrar roupas... Em geral, as crianças pequenas se divertem ajudando, ainda mais quando o desafio é colocado de forma lúdica", afirma Moura.

A relações públicas Amélia Whitaker, 42, conta que as filhas Marcela, 8, e Isabela, 5, estão adorando participar das tarefas domésticas. "No começo, elas brigavam para ver quem ia ficar com a vassoura. Agora dividimos as tarefas", diz.

As meninas também preparam guloseimas na cozinha, enquanto a mãe tenta tornar a atividade divertida, brincando de casinha.

Inspirada por esse momento, Whitaker lançou o movimento #AlegriaSemPilha. A ideia é tirar as crianças dos eletrônicos, propondo outras atividades. Para isso, criou um livrinho com 21 brincadeiras, que disponibiliza via Whatsapp. Quem se interessar pode entrar em contato pelo instagram @ameliawhitaker.

Para a terapeuta Rosalina Moura, o ideal é delegar as tarefas mais simples inicialmente e aumentar a complexidade aos poucos, de acordo com as características e habilidades da criança. "Prefiro não associar idade às tarefas, pois cada criança se desenvolve em um ritmo próprio", diz ela.

Se a criança nunca cooperou em casa, essa introdução deve ser feita gradativamente. Moura narra sua experiência com a filha de 10 anos. "Ela passou a lavar roupas na máquina com minha orientação. Lava parte da louça, arruma o quarto e ajuda a preparar pratos simples", conta.

Aos poucos, elas foram descobrindo o que funciona melhor para cada uma na divisão de tarefas. "Procuro incluí-la nas decisões da rotina e das tarefas, sendo flexível", diz.

A dica principal é criar uma rotina, definindo horários para as tarefas e exibindo-os por escrito em um quadro ou um local visível na casa. Dependendo da quantidade de filhos, é possível promover um revezamento nas atividades.

Fazer com que todos entendam que determinadas tarefas devem ser cumpridas é algo a ser trabalhado nas conversas em família. "Regras e limites podem coexistir com afeto", diz ela.

Por fim, a terapeuta lembra que a passividade dos filhos muitas vezes é reforçada pelos pais, por meio de atitudes excessivamente protetoras.

"Todos estamos mais sensíveis emocionalmente. Portanto, é importante atentar para as necessidades e limites dos filhos. Embora questões práticas tenham sua importância, conversar sobre sentimentos e dar espaço para a expressão individual de cada membro da família são aspectos fundamentais neste momento", diz a terapeuta.

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