Descrição de chapéu Coronavírus

Mães se desdobram para deixar quarentena mais legal para os filhos

Crianças e adolescentes exaltam proezas maternas nesses dias de isolamento

São Paulo

De repente, a rotina que as famílias conheciam, a ida para a escola e para o trabalho, a hora de jantar e a de ir para cama —essas, para falar a verdade, sempre negociáveis —, se desfez em pedacinhos. Nada mais é como antes, e muitos se viram, então, isolados em casa.

Por isso, mães e pais tiveram que se transformar em grandes polvos, muito fortes e muito cheios de braços para dar conta de tudo: casa, filhos, emprego e até mesmo aulas que pularam do colégio para o computador. Ufa.

Sejam casadas, divorciadas, viúvas ou solo, as mães estão se desdobrando não só para deixar tudo em ordem, mas também para transformar a quarentena em algo menos chato e assustador para os filhos. E como são boas nisso!

É certo que estão cansadas, e às vezes até irritadas. Mas imagine se você tivesse que dar banho, papinha, ninar e ainda fazer lições com seu boneco favorito —talvez você também ficasse chateado de vez em quando. E, ainda assim, elas desenham, dão carinho, fazem bolo.

Por isso, esse texto é, na verdade, para as mamães. Para tranquilizá-las em sua permanente angústia sobre serem suficientes e adequadas. Sim, está dando tudo certo dentro do possível. E não somos nós quem estamos dizendo isso, são seus próprios filhos. Feliz Dia das Mães.

Sobre Ana Flávia, 49

por Caio E. M. Barboza, 11

Filho beija a bochecha da mãe enquanto ela sorri para foto
Ana Flávia Matos O. Matos, 49, e Caio E. M. Barboza, - Arquivo Pessoal

A gente tem brincado de jogar bola no sofá, um gol a gol com bola de meia e a gente se revezava no gol. Ela também dá sugestão de música para eu tocar no estúdio.

A parte dos meus estudos acaba deixando minha mãe estressada, são oito matérias.

De noite, a gente come alguma coisa que eu gosto, tipo uma crepioca, uma pizzinha, um pão de queijo. E a gente lê livros juntos, ela lê um capítulo, eu leio outro. Ela interpreta de uma forma suprema, que ninguém consegue interpretar.

Sobre Luciana, 47

por Catarina de Souza Ramos Kotaki, 7

Criança de óculos e maria chiquinha sorri para a câmera ao lada da mãe, que tem cabelos curtos e também está sorrindo
Luciana Maria de Souza Ramos, 47, e Catarina de Souza Ramos Kotaki, 7 - Arquivo Pessoal

Eu e minha mãe, na quarentena, a gente pinta, ela me ajuda na lição, a gente já montou quebra-cabeça. A gente se diverte juntas. E também eu tenho mais tempo para ficar com ela.

Sobre Thais, 36

por Miguel Farage Mesquita, 5

Mãe e filho deitados na cama se divertindo e rindo
Thais Farage, 36, e Miguel Farage Mesquita, 5 - Arquivo Pessoal

A mamãe me deixou fazer bolo de cenoura com chocolate branco, me ensinou a olhar as horas no relógio e também brincou comigo de escolinha. A gente montou um foguete supermaneiro que dá para entrar.

A quarentena é boa porque eu posso grudar na mamãe todo dia.

Sobre Manoela, 40


por João Simões Rubini, 10

Minha mãe me deixou jogar mais videogame —ela não me deixava jogar muito. Ela também fez todas as comidas que eu e meu irmão [Gabriel] pedíamos. E ela também deixou a gente dormir com ela.

Os dois filhos estão abraçados com a mãe, que tira uma selfie com eles e sorri
Manoela Caldas Simões, 40, João Simões Rubini, 10, e Gabriel Simões Rubini, 12 - Arquivo Pessoal

por Gabriel Simões Rubini, 12

Minha mãe, além de fazer as coisas que o João falou, brinca com a gente, joga xadrez, ajuda a gente na lição, sempre cozinha o que a gente pede (tá, nem sempre...).

Ela ajudou a gente bastante quando começou a quarentena. Ela realmente ajudou. Ela brincou com a gente, ela riu com a gente, ela ficou brava às vezes, a gente ficou bravo às vezes. Mas, mesmo assim, ela esteve bastante com a gente desde que começou a quarentena.

Sobre Renata, 36


por Mia Castanhari Schvartzman, 7

Teve uma vez que eu estava bem triste, sem saber o que fazer, daí ela perguntou o que eu gostaria de aprender. Eu disse que queria fazer desenho no computador, e ela me mostrou um programa superlegal, que se chama Photoshop.

Ela também me ensina a costurar, e eu costurei várias coisas. A gente está se divertindo muito, a gente até já viu um filme de idade “mais grande” com a mamãe, mas ela teve que ficar cantando a ópera em português porque não tinha dublado.

Mãe de cabelos lisos compridos sorri para foto ao lado das duas filhas pequenas
Renata Castanhari, 36, Mia Castanhari Schvartzman, 7, e Lina Castanhari Schvartzman, 5 - Arquivo Pessoal


por Lina Castanhari Schvartzman, 5


A quarentena fica melhor com a mamãe porque ela nos ajuda a dormir, a costurar, ensinou o Photoshop —é muito legal, hoje ela baixou um monte de pincéis. E com ela a gente viu “Fantasma da Ópera”.

Sobre Fabiana, 45


por Francisco Gomes Galheco Ricci, 11

Eu gostei muito quando eu, minha mãe e meu irmão [Antônio] assistimos muitos filmes e séries juntos. Também gostei das comidas que ela fez. A melhor foi hambúrguer. Achei legal a ideia de fazer ioga porque aprendemos a respirar da forma correta.

Mas a melhor coisa que aconteceu na quarentena foi que conseguimos passar muito tempo com a minha mãe, pois antes era só no fim de semana.

Feliz Dia das Mães, te amo.

Mãe e dois filhos sorrindo em um fim de tarde na praia
Fabiana Gomes, 45, Antônio Gomes Galhego Ricci, 15, e Francisco Gomes Galhego Ricci, 11 - Arquivo Pessoal

por Antônio Gomes Galhego Ricci, 15

A gente ficou mais próximo, conversamos mais. Nos dias normais, não tinha muito tempo para conversar com a minha mãe, passar tempo com ela.

Sobre Valeska, 43


por Luísa de Oliveira Cire, 6

Mãe e filha, vestidas de branco, sorriem para foto
Valeska de Oliveira Cire, 43, e Luísa de Oliveira Cire, 6 - Arquivo Pessoal

Minha mãe se transformou na prô Esperança, a minha professora. Ela toca o sino no computador como se fosse da escola e tem até a hora do lanche.

Ela me deixou dormir dois dias na cama dela, mas ela fica muito quebrada (risos). Ela também me deixou ficar uma noite sem escovar os dentes, e eu fiquei só um dia, mas bem pouquinho, comendo chocolate.

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