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John Singleton, diretor de 'Os Donos da Rua', morre aos 51 anos

Cineasta foi uma das maiores vozes negras na produção americana

O diretor John Singleton, em registro de 2011
O diretor John Singleton, em registro de 2011 - Robyn Beck/AFP
 
São Paulo

Uma das maiores vozes do cinema negro nos Estados Unidos, o diretor John Singleton morreu nesta segunda (29), aos 51 anos. Ele havia sofrido derrame no último dia 17, estava internado num hospital, e seus parentes optaram por interromper o tratamento horas antes de sua morte. 

Contemporâneo de Spike Lee, o cineasta emergiu contando histórias sobre as agruras e as complexidades da vida de afro-americanos e as tensões urbanas, carregadas de racismo, nas cidades do país. 

Seus filmes, carregados de questionamentos sobre como a identidade racial pauta o rumo dos personagens, pavimentou o caminho para outros diretores negros, incluindo Lee Daniels (“Preciosa”), Barry Jenkins (“Moonlight”), Jordan Peele (Corra!) e Ryan Coogler (“Pantera Negra”). 

A obra mais famosa de Singleton é justamente o seu filme de estreia, realizado logo após sua graduação em cinema. “Os Donos da Rua” (1991), também conhecido pelo título em inglês (“Boyz n the Hood”), é o retrato cru da vida de três jovens negros  que orbitam em torno das gangues do violento gueto de Crenshaw, centro-sul de Los Angeles. 

A obra rendeu as duas indicações ao Oscar da carreira de Singleton (melhor roteiro e direção) e fez dele o mais jovem diretor a concorrer à estatueta, aos 24 anos de idade, e o primeiro negro na categoria.

“Os Donos da Rua” foi tão influente que Singleton foi convocado a falar num comitê do Senado americano sobre a alta de homicídios entre jovens.

Fora o êxito crítico, o filme teve enorme sucesso comercial. Além de lançar Ice Cube e Cuba Gooding Jr. na carreira de ator, “Os Donos da Rua” também possibilitou que o cineasta tocasse seus projetos também como produtor. 

“Sem Medo no Coração”, segundo longa de sua carreira, é um filme de estrada centrado na figura de uma poeta chamada Justice, vivida pela cantora Janet Jackson. O rapper Tupac Shakur e a atriz Regina King completam o elenco. 

“Duro Aprendizado” (1995) e “O Massacre de Rosewood” (1997) foram outros títulos que enveredaram pela complexidade da vida negra nos Estados Unidos; o primeiro no ambiente universitário, o outro, remontando um linchamento ocorrido na década de 1920 numa cidade da Flórida.

Em 2000, Singleton assumiu o  remake de “Shaft”, um clássico do blaxploitation (gênero dos anos 1970 marcado  por personagens negros e histórias sobre comunidades afro-americanas). No novo filme, o papel-título do detetive coube a Samuel L. Jackson. 

Depois da virada do século, o diretor dirigiu “+ Velozes + Furiosos”, um dos filmes da franquia sobre rachas, e o longa de ação “Quatro Irmãos”, com Mark Wahlberg . Andre Benjamin e Tyrese Gibson.

Como produtor, ele ainda ajudaria outros diretores, mesmo brancos, a contar histórias com temática racial. Foi o caso de “Ritmo de um Sonho”, sobre um MC que tenta ascender no mundo do hip hop. O longa de Craig Brewer rendeu uma indicação ao Oscar ao ator Terrence Howard.

Em seus últimos anos de vida, Singleton trabalhou na TV, tendo dirigido episódios das séries “Snowfall”, “Empire” e “American Crime Story”. Por essa última, recebeu indicações ao prêmio Emmy pela direção de uma minissérie.

Ele deixa sete filhos.

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