Descrição de chapéu Cinema

Produtores de cinema paralisam filmes enquanto TCU questiona Ancine

Tribunal determinou que agência reveja forma como avalia contas ou recursos públicos serão suspensos

São Paulo

Produtores de cinema estão paralisando a realização de filmes à espera de como será o desfecho do imbróglio envolvendo Ancine e Tribunal de Contas da União.

O setor teme que recursos oriundos de editais já finalizados não cheguem até as produções em meio à indefinição. Isso porque a agência, responsável pelo fomento do audiovisual brasileiro, está sob escrutínio do TCU e foi obrigada a apresentar, em até 60 dias, uma nova forma de fiscalizar as contas dos projetos submetidos a ela, sob o risco de se suspender toda a liberação de verbas públicas à área.

O paulista Paulo Boccato ("Tô Ryca", "Odeio o Dia dos Namorados") disse que postergou a realização de um documentário, previsto para começar em maio. “Estávamos na fase de análise do orçamento final. Desistimos até ver como isso vai nos afetar”, diz.

Caso parecido é o do produtor carioca Júlio Uchoa ("Eu Fico Loko", "S.O.S.: Mulheres ao Mar"), que afirma que está analisando se consegue outras formas de financiamento para um futuro filme de ficção. "Só não digo que estou adiando porque estou trabalhando para achar recursos de outras fontes", conta.

“Está todo mundo apreensivo, e de fato algumas pessoas estão segurando seus projetos”, resume Leonardo Edde, que preside o Sicav (Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual, do Rio de Janeiro). Ele crê que a paralisação se deve a falta de informação sobre o futuro, tanto é que na quinta (4) terá uma reunião com o TCU para debater o assunto.

Outros dois produtores, que pediram para não ser identificados por temerem uma “caça às bruxas”, relatam situações parecidas.

O sócio de uma produtora de pequeno porte no Rio afirma já havia captado recursos para um longa de ficção, já filmado, mas aguarda a verba para a finalização, que ainda não sabe se virá. “Tem sido uma semana de trabalho perdida. Só vamos tomar uma decisão a partir do momento que tivermos uma informação clara sobre o que vai acontecer.”

Outro produtor de São Paulo conta que esperava recursos para a pós-produção de um filme, previstos para ser autoriados nesta quarta (3), mas ouviu que a Ancine está paralisada e que a liberação ainda depende do julgamento do recurso interposto pela agência em relação à determinação do TCU.

A Folha telefonou para a agência, na manhã desta quarta (3), e ouviu a mesma informação de uma servidora que pediu não ter o nome revelado: que a Ancine está paralisada e que a liberação de recursos depende de como será a avaliação do recurso.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do presidente da entidade, Christian de Castro, mas não teve resposta até a conclusão desta nota. 

O TCU comandou uma auditoria na Ancine e publicou, na semana passada, um acórdão determinando que a agência proponha uma nova forma de fiscalizar as contas. Isso porque o tribunal encontrou irregularidades na forma como muitos projetos foram avaliados pela entidade do cinema. 

Num dos mais recentes capítulos do imbróglio, sobraram farpas para o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) e para o ex-ministro da Cultura, e atual secretário estadual de Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão.

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