Descrição de chapéu Rock in Rio

Espaço Favela do Rock in Rio tem cenografia estereotipada e boné a R$ 70

Selfies eram tiradas com o espaço ao fundo, em que boneco de homem branco segura copo de cerveja ao lado de mulher negra

Laura Lewer Lucas Brêda
Rio de Janeiro

Barracos coloridos, caixas d'água, fiações de luz, varais com roupas penduradas, pipas, quadras de basquete e futebol, animais e bonecos em cima de lajes são os símbolos que o Rock in Rio escolheu para a montagem do Palco Favela, novidade na edição de 2019 no festival.

A réplica com cara de favela cenográfica do Projac virou um dos pontos turísticos da Cidade do Rock nesta sexta (27).

No intervalo entre as apresentações, selfies e fotos sorridentes eram tiradas com o espaço ao fundo —uma espécie de réplica da imagem central do palco, na qual um boneco de homem branco segura um celular e um copo de cerveja ao lado de uma mulher negra.

Coletivo residente do espaço, o Nós do Morro se apresenta todos os dias e em mais de um horário ao longo da tarde e noite. Nesta sexta (27), ainda passam pelo palco Heavy Baile com as funkeiras MC Carol e Tati Quebra Barraco e a rapper Gabz.

Na apresentação do grupo do Vidigal, um dançarino toca berimbau em cima de uma casinha, enquanto outro equilibra um pandeiro e outro empina uma pipa. Os artistas —negros, com roupas, acessórios e pinturas, tudo colorido— se espalham emendando passinhos no cenário. Grande parte deles traz camisetas com nomes de morros e complexos, entre eles Santa Marta, Maré, Jacaré, Cantagalo e Vidigal.

O DJ puxa tanto sambas quanto funks e raps, em meio a músicas brasileiras antigas e populares. Há desde "Tombei", de Karol Conka, a "País Tropical", de Jorge Ben Jor, mas a maioria das músicas é dançante.

Além do ambiente temático, o público pode comprar produtos personalizados do espaço. Na loja oficial, uma camiseta com o desenho de um morro atrás de uma guitarra ou apenas com a palavra "favela" custam R$ 80. Um body para crianças de seis meses ou de um ano, com estampa parecida, sai pelo mesmo preço.

Já um boné com "favela" escrito custa R$ 70.

O bar, localizado bem abaixo de um boneco com chuteiras penduradas no pescoço, traz lanches e porções —alguns gourmetizados— de comidas populares. As estufas de salgados e os letreiros que exibem o cardápio lembram botecos.

Entre as opções há um risole de rabada com agrião saindo a R$ 10. Por R$ 15, o público pode pedir uma porção com cinco bolinhas de tapioca. O bolinhos de aipim com carne assada custa R$ 14, três a mais que a mini porção de bolinha de queijo.

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