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Margaret Atwood e Bernardine Evaristo vencem prêmio literário Booker Prize

Só houve divisão em 1974 e 1992, mas é a primeira vez que duas mulheres são laureadas

AFP

A canadense Margaret Atwood e a anglo-nigeriana Bernardine Evaristo receberam nesta segunda (14) o Booker Prize, o mais prestigioso prêmio literário em língua inglesa.

Atwood foi premiada por "The Testaments" e Evaristo por "Girl, Woman, Other". É a terceira vez desde sua criação, há 50 anos, que o prêmio recompensa dois livros ao mesmo tempo.

"The Testaments" é a esperada sequência de "O Conto da Aia", uma distopia misógina que se tornou um verdadeiro manifesto feminista em escala mundial. Publicado em 1985, o livro transformou-se numa exitosa série de televisão em 2017, que reviveu as vendas do livro, cuja edição em inglês atingiu 8 milhões de cópias no mundo todo.

duas mulheres segurando um livro cada
As escritoras Margaret Atwood (esq.) e Bernardine Evaristo, ganhadoras do Booker Prize 2019 - Simon Dawson/Reuters

Com frequência cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, Atwood, de 79 anos, já ganhou o Booker Prize em 2000 por seu romance histórico "O Assassino Cego".

"Estou muito surpresa, eu teria pensado que era idosa demais", reagiu Atwood, usando um broche do movimento ecologista Extinction Rebellion.

Evaristo impressionou o júri com sua obra "Girl, Woman, Other", um romance ambicioso que se concentra em mulheres negras de vários contextos e gerações, questionando permanentemente a cor e o racismo, em relação à cultura ou ao sexo.

De Barbados até a Nigéria, todas as protagonistas se encontram em Londres, com um laço familiar, de amizade ou inimizade. Evaristo considerou "incrível" compartilhar o Booker Prize com Atwood, que qualificou de "uma lenda". Ela é a primeira mulher negra a ganhar o prêmio.

Lançado em 1969, o Booker Prize premia a cada ano o autor do "melhor romance escrito em inglês e publicado no Reino Unido" com um cheque de £50 mil libras (cerca de R$ 261 mil) que será compartilhado pelas duas laureadas e lhes garante uma notoriedade internacional imediata.

O prêmio já foi atribuído a dois autores em 1974 e 1992. No ano passado, o prêmio foi entregue à escritora Anna Bruns, a primeira norte-irlandesa a recebê-lo, por sua obra "Milkman".

Entre os seis finalistas selecionados este ano havia quatro mulheres.

A americana Lucy Ellmann estava selecionada por "Ducks, Newburyport", um romance de mil páginas construído ao redor do monólogo de uma dona de casa do estado americano de Ohio.

Para Joanna MacGregor, membro do júri, o romance se concentra na "complexidade enlouquecedora da vida familiar".

Elif Shafak, a escritora mais lida na Turquia, foi selecionada por "10 Minutes 38 Seconds in This Strange World", sobre as lembranças de uma prostituta nos bairros baixos de Istambul.

Também ganhador do prestigioso prêmio em 1981 por "Os Filhos da Meia-Noite", Salman Rushdie, de 72 anos, foi indicado por "Quichotte", uma versão moderna da epopeia do herói de Miguel de Cervantes.

Finalmente, o nigeriano Chigozie Obioma concorria com "An Orchestra of Minorities", que conta a história de um criador de galinhas em um pequeno povoado da Nigéria.

Até 2013 o Booker Prize era reservado aos cidadãos dos Estados da Commonwealth, mas em 2014 se abriu a outros países de língua inglesa.

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