Descrição de chapéu Rock in Rio

Paralamas do Sucesso chamam Brasil de 'país de quinto mundo' no Rock in Rio

Em show protocolar, Herbert Vianna elogiou estrutura do festival em um país "tão quinto mundo quanto o Brasil"

Lucas Brêda
Rio de Janeiro

Desde que voltou a acontecer no Brasil, em 2011, o Rock in Rio costuma escalar as mesmas bandas de rock brasileiras para abrir seu palco principal. Neste domingo (6), o dia mais indie do festival, o Paralamas do Sucesso ficou com a responsabilidade.

Como era esperado, o show não teve muitas novidades em relação às participações anteriores da banda no Rock in Rio. Apenas a abertura, com "Sinais do Sim", música de 2017 que dá nome ao mais recente disco do Paralamas.

Paralamas do Sucesso no palco do Rock in Rio
Paralamas do Sucesso no palco do Rock in Rio - Eduardo Anizelli/Folhapress

Às 18h, quando o grupo puxou os primeiros acordes, o público ainda se aproximava do palco. O show foi recebido com euforia muito menor que Anitta, que tocou no mesmo espaço no dia anterior.

Em comparação com outras bandas de rock nacionais, contudo, o Paralamas está em posição privilegiada. Somando os repertórios, Raimundos e CPM 22 –que tocaram juntos no primeiro fim de semana do festival– têm praticamente a mesma quantidade de hits que o trio carioca.

Em "Meu Erro", segunda no setlist, o Paralamas já mostrou o poder de fogo, chamando a plateia para cantar. A sequência teve o mesmo apelo, com "Alagados", "Lourinha Bombril" e a balada "Cuide Bem do Seu Amor".

Como é comum nos shows da banda, houve uma sequência de teor político e social, com "O Calibre" e a dobradinha "Selvagem" e "Beco". Herbert Vianna elogiou a organização do festival por "montar um espetáculo desse tamanho num país tão quinto mundo quanto o Brasil".

O Paralamas surgiu nos anos 1980, na onda de punk e new wave que marcou o rock brasileiro da época. A partir do disco "Selvagem", de 1986, contudo, o trio se estabeleceu com influências da música brasileira, latina e jamaicana.

No palco, eles tocaram "Você", conhecida com Tim Maia, em versão reggae. Os metais deixaram mais balançadas faixas como "A Novidade", mas também "Uma Brasileira", "Caleidoscópio", "Ska" e "Melô do Marinheiro".

Na última delas, inclusive, o vocalista e guitarrista Herbert Vianna notou a faixa etária da plateia. "Vocês provavelmente ainda nem eram nascidos quando lançamos essa música", disse, citando a canção de 1986.

Mas as que mais colaram com o público do Rock in Rio foram as baladas. Faixas como "Aonde Quer Que Eu Vá" e "Lanterna dos Afogados" empolgaram mais do que a dupla de clássicos dos anos 1980 que encerrou a apresentação, "Vital" e "Óculos".

Nada disso, entretanto, é novidade. Foi um show protocolar, que cumpriu a função de esquentar uma plateia nitidamente à espera das maiores atrações internacionais, Imagine Dragons e Muse, que tocam hoje mais tarde.

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