Descrição de chapéu Televisão Cinema

Netflix decepciona, e 'O Irlandês' perde para '1917' no Globo de Ouro

'Era uma Vez em... Hollywood' foi grande campeão da noite, e estrangeiros reinaram nas categorias de TV

São Paulo

A cerimônia do Globo de Ouro, realizada neste domingo (5) no Hilton Beverly Hills, em Los Angeles, prometia consagrar a Netflix como lar também do cinema com “C” maiúsculo.

Com 17 indicações nas categorias cinematográficas e “O Irlandês”, épico dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese, a plataforma ainda tinha no páreo os sólidos “Dois Papas”, “História de um Casamento” e “Meu Nome é Dolemite”. Na categoria de melhor filme de drama, eram três chances contra duas.

 

Mas não foi desta vez. “O Irlandês”, que somava cinco indicações, saiu de mãos abanando, e perdeu os postos de melhor filme de drama e melhor diretor para “1917”, de Sam Mendes.

“História de um Casamento” só ganhou um prêmio, de melhor atriz coadjuvante, para Laura Dern. Perdeu o troféu de melhor roteiro, ao qual era favorito, para “Era uma Vez em… Hollywood”.

A nostálgica incursão de Quentin Tarantino nos bastidores da indústria cinematográfica, aliás, foi a grande campeã da noite, com prêmios de melhor filme de comédia ou musical e melhor ator coadjuvante, para Brad Pitt.

Os últimos não surpreenderam, assim como os demais prêmios de cinema distribuídos na cerimônia.

Os correspondentes estrangeiros que formam a premiação renovaram sua fé nas biografias musicais, concedendo prêmios a Renée Zellweger e Taron Egerton por seus retratos de Judy Garland e Elton John, nesta ordem.

E Joaquin Phoenix foi consagrado melhor ator de filme dramático por seu Coringa atormentado.

Já o discurso do ator não foi nada previsível. Ele, que começou agradecendo à Associação de Jornalistas Estrangeiros pelas opções veganas no jantar, escancarou a hipocrisia de seus colegas presentes.

“É ótimo votar”, disse. “Mas às vezes precisamos fazer mudanças e sacríficios pessoais. Espero que não precisemos fretar jatinhos privados para Palm Springs de vez em quando, por favor.”

Na primeira parte, Phoenix fazia referência à fala de Michelle Williams ao receber a estatueta de melhor atriz pela minissérie “Fosse/Verdon”.

Nela, a atriz pediu que mulheres, “dos 18 ao 118”, fossem às urnas —o voto não é compulsório nos Estados Unidos. “Por favor, façam isso em interesse próprio. É o que os homens vêm fazendo por anos, e é por isso que o mundo se parece tanto com eles”, afirmou.

Outro discurso que rendeu aplausos foi o de Patricia Arquette, que lembrou a tensão crescente entre os Estados Unidos e o Irã. Mas a noite teve poucas polêmicas, a não ser as detonadas pelo mestre de cerimônias, Ricky Gervais, que fez duros ataques à Apple e ao filme "Cats" e ainda lembrou os casos de pedofilia envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein, além de caçoar da pouca idade das namoradas de Leonardo DiCaprio.

Outra crítica ferina veio do sul-coreano Bong Joon-ho, cujo “Parasita” foi eleito o melhor filme em língua estrangeira. “Quando vocês superarem a barreira de uma polegada das legendas, conhecerão muito mais filmes incríveis”, disse.

Junto com a atriz Awkwafina, melhor atriz de comédia ou musical por “A Despedida”, falado em grande parte em chinês, ele se destacou numa edição criticada pela falta de diversidade.

Já entre as categorias de televisão, os estrangeiros dominaram a cerimônia. A britânica Phoebe Waller-Bridge de novo roubou os holofotes nas categorias de humor, conquistando os prêmios de melhor série e melhor atriz de comédia ou musical por “Fleabag”.

Olivia Colman, que vive sua madrinha na série, também foi premiada, mas como melhor atriz em série dramática por sua versão da rainha Elizabeth 2ª em “The Crown” . Por fim, outra conterrânea, “Chernobyl”, recebeu as estatuetas de melhor minissérie e de melhor ator coadjuvante para o sueco Stellan Skärsgard.

Os grandes azarões da noite também foram estrangeiros. Ramy Youssef, criador e astro de "Ramy", sobre um filho de imigrantes egípcios, tirou de Michael Douglas o prêmio de melhor ator em série de comédia —o protagonista de "O Método Kominsky" havia ganhado a categoria no ano passado. Youssef fez troça da situação, dizendo que "minha mãe também estava torcendo pelo Michael Douglas, os egípcios o amam". E o australiano Russell Crowe foi eleito o melhor ator em minissérie, por "The Loudest Voice".

​Veja indicados e ganhadores

CINEMA

Melhor filme de drama
“1917”
“O Irlandês”
“Coringa”
“Dois Papas”
“História de um Casamento”

Melhor ator de filme de drama
Christian Bale, “Ford vs. Ferrari”
Antonio Banderas, “Dor e Glória”
Adam Driver, “História de um Casamento”
Joaquin Phoenix, “Coringa”
Jonathan Pryce, “Dois Papas”

Melhor atriz de filme de drama
Cynthia Erivo, “Harriet”
Scarlett Johansson, “História de um Casamento”
Saoirse Ronan, “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron, “O Escândalo”
Renee Zellweger, “Judy”

Melhor filme de comédia ou musical
“Meu Nome É Dolemite”
“Jojo Rabbit”
“Entre Facas e Segredos”
“Era uma Vez... em Hollywood”
“Rocketman”
 
Melhor ator de filme de comédia ou musical
Daniel Craig, por “Entre Facas e Segredos”
Roman Griffin Davis, por “Jojo Rabbit”
Leonardo DiCaprio, por “Era uma Vez... em Hollywood”
Taron Egerton, por “Rocketman”
Eddie Murphy “Meu Nome É Dolemite”

Melhor atriz de filme de comédia ou musical
Awkwafina, por “A Despedida”
Ana de Armas, por “Entre Facas e Segredos”
Beanie Feldstein, por “Fora de Série”
Emma Thompson, por “Late Night”
Cate Blanchett ,por “Cadê você, Bernadette?”
 
Melhor diretor
Bong Joon-ho, por “Parasita”
Sam Mendes, por “1917”
Todd Phillips, por “Coringa” 
Martin Scorsese, por “O Irlandês”
Quentin Tarantino, por “Era uma Vez... em Hollywood”

Melhor ator coadjuvante
Tom Hanks, por “Um Lindo Dia na Vizinhança”
Al Pacino, por “O Irlandês”
Joe Pesci, por “O Irlandês”
Brad Pitt, por “Era uma Vez... em Hollywood”
Anthony Hopkins, por “Dois Papas”

Melhor atriz coadjuvante
Annette Bening, por “O Relatório”
Margot Robbie, por “O Escândalo”
Jennifer Lopez, por “As Golpistas”
Kathy Bates, por “O Caso Richard Jewell”
Laura Dern, por “História de um Casamento”

Melhor animação
“Frozen 2”
“O Rei Leão”
“Toy Story 4”
“Como Treinar seu Dragão 3”
“Link Perdido”

Melhor filme estrangeiro
“Parasita”
“Dor e Glória”
“A Despedida”
“Os Miseráveis”
“Retrato de uma Jovem em Chamas"

Melhor roteiro
“Parasita”
“Dois Papas”
“O Irlandês”
“Era uma Vez... em Hollywood”
“História de um Casamento”

Melhor trilha sonora
“Brooklyn Sem Pai Nem Mãe”
“Adoráveis Mulheres”
“Coringa”
“1917”
“História de um Casamento”

Melhor canção
“Beautiful Ghosts”, de "Cats"
“(I’m Gonna) Love Me Again”, de "Rocketman"
“Into the Unknown”, de "Frozen 2"
“Spirit”, de "O Rei Leão"
“Stand Up”, de "Harriet"

TV

Melhor série de drama
"Big Little Lies"
"The Crown"
"Killing Eve"
"The Morning Show"
"Succession"
 
Melhor série de comédia
"Barry"
"Fleabag"
"O Método Kominsky"
"Maravilhosa Sra. Maisel"
"The Politician"

Melhor ator de série de drama
Brian Cox, por "Succession"
Kit Harington, por "Game of Thrones"
Rami Malek, por "Mr. Robot"
Tobias Menzies, por "The Crown"
Billy Porter, por "Pose"
 
Melhor atriz em série de drama
Jennifer Aniston, por "The Morning Show"
Olivia Colman, por "The Crown"
Jodie Comer, por "Killing Eve"
Nicole Kidman, por "Big Little Lies"
Reese Witherspoon, por "The Morning Show"
 
Melhor ator em série de comédia ou musical
Michael Douglas, por "O Método Komisnky"
Bill Hader, por "Barry"
Ben Platt, por "The Politician"
Paul Rudd, por "Living with Yourself"
Ramy Youssef, por "Ramy"

Melhor atriz em série de comédia ou musical
Christina Applegate, por "Disque Amiga para Matar"
Rachel Brosnahan, por "Maravilhosa Sra. Maisel"
Kirsten Dunst, por "On Becoming a God in Central Florida"
Natasha Lyonne, por "Boneca Russa"
Phoebe Waller-Bridge, por "Fleabag"
 
Melhor ator em minissérie ou filme para TV
Christopher Abbott, por "Catch-22"
Sacha Baron Cohen, por "O Espião"
Russell Crowe, por "The Loudest Voice"
Jared Harris, por "Chernobyl"
Sam Rockwell, por "Fosse/Verdon"
 
Melhor atriz em minissérie ou filme para TV
Kaitlyn Dever, por "Inacreditável"
Joey King, por "The Act"
Helen Mirren, por "Catherine the Great"
Merritt Wever, por "Unbelievable"
Michelle Williams, por "Fosse/Verdon"

Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme para TV
Alan Arkin, por "O Método Kominsky"
Kieran Culkin, por "Succession"
Andrew Scott, por "Fleabag"
Stellan Skarsgård, por "Chernobyl"
Henry Winkler, por "Barry"
 
Melhor atriz em minissérie ou filme para TV
Patricia Arquette, por "The Act"
Helena Bonham Carter, por "The Crown"
Toni Collette, por "Inacreditável"
Meryl Streep, por "Big Little Lies"
Emily Watson, por "Chernobyl"
 
Melhor minissérie ou filme para TV
"Catch-22"
"Chernobyl"
"Fosse/Verdon"
"The Loudest Voice"
"Inacreditável"

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.