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Artes Cênicas

'Donna Summer Musical' tem roteiro vazio, mas cresce com protagonistas

Espetáculo montado por Miguel Falabella é uma espécie de biografia autorizada pelo último marido da cantora

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Donna Summer Musical

  • Quando Qui. e sex., às 21h00; sáb., às 17h30 e 21h00; dom., às 16h00 e 19h30. Até 28/11. Dia 21/10 (quinta) não haverá sessão. Dia 2/11 (terça) haverá sessão extra
  • Onde Teatro Santander - av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2.041, Itaim Bibi, São Paulo
  • Preço De R$ 75 a R$ 280
  • Classificação 12 anos
  • Elenco Karin Hills, Jeniffer Nascimento e Amanda Souza
  • Direção Miguel Falabella

Não é fácil alcançar uma narrativa envolvente priorizando fatos como o rompimento de uma cantora com sua gravadora. Conflitos comerciais não são naturalmente dramáticos.

Passagens mais significativas da biografia de Donna Summer, como o estupro pelo pastor da igreja onde começou a cantar ou a tentativa de suicídio no seu momento de maior reconhecimento, ganham menos atenção, higienizados —assim como a gravação dos supostos 22 orgasmos de "Love to Love You Baby"— em "Donna Summer Musical".

Curiosidades também significativas, como o fato de ela ter feito parte da Volksoper de Viena quando dava os primeiros passos como profissional, nem são exploradas.

Também os hits, embora em grande número, ficam longe do impacto teatral de musicais jukebox como "Mamma Mia", de letras mais elaboradas, extensas —e com roteiro desenvolvido, uma peça de fato. Assim, demora um pouco para "Donna Summer Musical", dirigido no Brasil por Miguel Falabella, vencer a resistência e envolver.

Também não ajudou, no fim de semana em que se viu o espetáculo, o fato de o elenco estar desfalcado de uma das três protagonistas, o que é comum em musical, mas sempre causa apreensão de que a substituta não responda bem.

Mas, pouco a pouco, a apresentação —com as canções e até algumas letras que se revelam mais potentes do que pareciam— cresce. E isso é refletido na própria "cover", a atriz e cantora Amanda Vicente, que se torna uma história à parte.

De início tensa, até acanhada no quadro de abertura, ela chega ao final não apenas firme, mas se jogando nas notas altas de que o público de teatro musical tanto gosta no Brasil.

O espetáculo parou para os aplausos que ela recebeu do público e depois dos artistas no palco, um reconhecimento de seu feito —de sua vitória, que, naquela altura, se mistura com a da personagem.

Não foi só Amanda Vicente. Falabella reuniu, como protagonistas, intérpretes de qualidades muito marcadas, para representar três fases da vida de Donna Summer.

A mais exuberante e desenvolta, até fisicamente, é Jeniffer Nascimento, que faz a "rainha da disco" e canta algumas de suas principais canções, inclusive "I Feel Love", um momento histórico para a música eletrônica, de Donna Summer e do produtor italiano Giorgio Moroder.

É ela quem responde pela personagem como o público a conhece mais, do fim dos anos 1970 até os 1990, na representação de suas atribulações e sobretudo na interpretação de suas canções de mais sucesso.

A versão mais jovem, a partir do coral religioso, é de Amanda Souza. Parece ainda estar em desenvolvimento, como atriz e cantora, mas é talvez aquela que mais permaneça na memória, terminada a apresentação, pelo contraste de serenidade e graça que traz.

O coro se beneficia dos passos arriscados, por vezes contorcionistas, da época em que se inspira. É uma das diversas qualidades da encenação brasileira, que esperou quase um ano e meio para estrear de fato.

Mas não havia muito que fazer com seu roteiro esvaziado, uma espécie de biografia autorizada pelo último marido —que está em cena, aliás, retratado como o melhor dos maridos.

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