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'Yellowjackets' mostra como jovens talentosas viram clã de selvagens

Com Juliette Lewis e Christina Ricci, série que combina terror e drama recebeu elogios de Stephen King

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Yellowjackets

  • Onde 1ª temporada disponível na Paramount+
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Christina Ricci, Juliette Lewis, Melanie Lynskey e Tawny Cypress
  • Criação Ashley Lyle e Bart Nickerson

Misto de terror e drama, "Yellowjackets" é uma série que aborda alguns aspectos complexos da natureza humana –e, principalmente, da feminina. Produzida pela Showtime, a atração tem a primeira temporada disponível no Brasil dentro da plataforma da Paramount+.

A trama acompanha uma talentosa equipe de futebol feminino em dois momentos distintos. Primeiro, em 1996, quando as adolescentes sofrem um acidente aéreo e passam meses perdidas em uma floresta. Quatro delas guiam a história no presente, enquanto tentam lidar com os traumas e os segredos daqueles tempos.

Cena da primeira temporada de 'Yellowjackets', série na qual uma equipe de futebol feminino sofre um acidente aéreo e  precisa sobreviver na floresta
Cena da primeira temporada de 'Yellowjackets', série na qual uma equipe de futebol feminino sofre um acidente aéreo e precisa sobreviver na floresta - Kailey Schwerman/Showtime/Divulgação

Criada por Ashley Lyle e Bart Nickerson, de "Narcos", a história de sobrevivência tem sido definida pela mídia internacional como uma combinação de "Lost" e "O Senhor das Moscas". A fórmula da dupla combina ainda uma dose de nostalgia noventista, mulheres de moral ambígua, um quê de misticismo e cenas brutais com muito sangue e tripas.

O resultado poderia ter sido mais uma produção descartável, mas a combinação funciona bem. Prova disso é que a série, lançada em novembro, é a segunda atração mais vista no streaming do Showtime, atrás apenas do novo "Dexter: New Blood", tem 100% de aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes e conquistou indicações ao Critics' Choice Television Awards e Writers Guild of America Awards. Além disso, o programa foi elogiado publicamente por Stephen King, o papa do terror, que exaltou sua "caracterização afiada e o senso de humor mordaz".

Os primeiros minutos da produção já dão pistas do peso dos segredos que as sobreviventes guardam. Neles, uma jovem corre, desesperada, em uma floresta coberta por uma densa camada de neve até cair em uma armadilha e morrer empalada. É quando quem a persegue finalmente aparece. E essa figura completa o seu visual selvagem-ritualístico, composto por uma costura de peles de animais, roupas antigas e uma balaclava que protege a sua identidade, com um singelo All Star cor-de-rosa.

"O que você acha que realmente aconteceu na floresta?", uma jornalista pergunta durante uma série de entrevistas com conhecidos das garotas. A resposta logo é revelada ao público, ainda que não explicitamente. Sim, elas praticaram canibalismo.

O que guia a parte da história passada nos anos 1990 é o "como". Afinal, como um grupo de jovens de futuro promissor vira um bando de selvagens? Já o presente aborda as consequências desse passado que teima em vir à tona e continua a trazer desdobramentos para suas vidas. Ninguém ali está bem, mesmo que umas lidem melhor que outras.

A trupe de sobreviventes que protagoniza o tempo presente é composta por Shauna, papel de Melanie Lynskey, Taissa, vivida por Tawny Cypress, Natalie, interpretada por Juliette Lewis, e Misty, papel de Christina Ricci.

Shauna é uma dona de casa frustrada, que é apresentada ao público enquanto se masturba com uma foto do namorado da filha –a quem, aliás, não tem pudores de chamar de cretina. Natalie é uma mulher solitária, que tem problemas com abuso de drogas e está prestes a sair de mais um programa de reabilitação, que é bancado por Taissa, uma advogada bem-sucedida que concorre ao Senado, mas cuja saúde mental põe em risco o relacionamento com sua mulher e afeta o filho pequeno. Já Misty é uma enfermeira maluca de carteirinha, viciada em "true crime" e com dificuldades de relacionamento.

Para além da trilha sonora e das referências pop da época, uma boa porção da nostalgia noventista é garantida pelo elenco adulto –Ricci, Lewis e Lynskey são musas do cinema independente daquela década.

E é impressionante como estão afinadas com as atrizes que interpretam seus pares na juventude, Sammi Hanratty, Sophie Thatcher e Sophie Nélisse, respectivamente. A atriz Jasmin Savoy Brown é quem divide o papel com Cypress.

Para a decepção dos fãs e suas queridas teorias, alguns dos mistérios desta primeira temporada tiveram resoluções simples, praticamente óbvias, enquanto outros apontam para possíveis furos no roteiro e erros da produção.

Mas o que importa ali é a construção e a dinâmica dos relacionamentos –afinal, pouca coisa deve ser mais misteriosa, confusa e intensa do que os laços criados entre mulheres, especialmente as adolescentes.

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