Cresce o temor dos bancos com o cenário das eleições

Relatório do BC aponta que 68% instituições veem riscos na sucessão

Fachada da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília0
Fachada da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília - Fátima Meira - 7.jul.17/Futura Press/Folhapress
 
Maeli Prado
Brasília

O risco representado pela escolha do novo presidente da República, que pode mudar a política econômica, ultrapassou a inadimplência na lista das principais preocupações dos bancos no Brasil.

Dado divulgado nesta terça-feira (17) pelo Banco Central mostra que 68% das instituições financeiras citaram as eleições como um risco.

A pesquisa, feita em fevereiro deste ano, mostra um salto de 10 pontos percentuais dessa preocupação em relação ao último questionário feito pelo BC, em novembro do ano passado.

Enquanto isso, a inadimplência, que era citada por 67% dos bancos, caiu para 56% na mesma comparação.

"Temas que até 2015 e 2016 eram os principais citados, como recessão e inadimplência, perdem espaço para o cenário político e o risco fiscal", observou Paulo Souza, diretor de Fiscalização do BC.

A situação fiscal do país, apesar de se manter como um ponto importante, foi apresentada como um risco por 56% dos entrevistados, uma leve queda em relação aos 59% da última pesquisa.

O número foi divulgado na apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado a cada seis meses.

O BC começou a publicar os dados do questionário sobre risco da forma que é hoje em maio de 2017, portanto não é possível a comparação histórica.

No relatório, o BC informou que não há razões para preocupação com a robustez do sistema financeiro.

Em simulações de situações que poderiam afetar a estabilidade das instituições, a autoridade monetária chegou à conclusão de que os bancos têm condições de fazer frente, com folga, a eventuais choques no caso extremo de uma corrida bancária.

GRANDES EMPRESAS

O BC informou também que houve alta no percentual de "ativos problemáticos", ou seja, empréstimos com maior risco de inadimplência, das grandes empresas.

No relatório anterior, essa classificação atingia cerca de 6% das carteiras de crédito, percentual que subiu para 7,2% no fim de 2017.

No caso das pequenas e médias empresas, houve, porém, queda da participação das carteiras de maior risco no total.

"Um dos motivos para isso é que são grandes empréstimos, que foram reestruturados em alguns casos em situação de recuperação judicial. Essas operações, como são maiores, tendem a permanecer mais tempo na carteira dos bancos. É um movimento natural", disse o diretor do BC.

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