Brasil tem déficit primário de R$ 8,2 bilhões em maio

Empresas estatais tiveram salto positivo de R$ 688 milhões

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São Paulo | Reuters

O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de R$ 8,224 bilhões em maio, abaixo do esperado pelo mercado e ajudado pelo desempenho positivo dos estados, municípios e estatais, cenário que pode ser afetado à frente diante da atividade econômica mais fraca.

Em pesquisa da agência Reuters, a expectativa dos analistas consultados era de déficit primário de R$ 11,6 bilhões para maio.

O resultado do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência) ficou negativo em R$ 11,120 bilhões em maio, bem menor que o rombo de R$ 32,106 bilhões visto um ano antes, divulgou o BC nesta sexta-feira (29).

Já os governos regionais (estados e municípios) tiveram superávit primário de R$ 2,229 bilhões em maio, contra superávit de R$ 894 milhões um ano antes. As empresas estatais tiveram salto positivo de R$ 688 milhões em maio, contra dado positivo em R$ 475 milhões no mesmo mês do ano passado.

Em 12 meses, o déficit primário consolidado foi a R$ 95,885 bilhões, equivalente a 1,44 % do PIB (Produto Interno Bruto). Para 2018, a meta é de rombo de R$ 161,3 bilhões, que deverá marcar o quinto ano que o país não consegue economizar para pagar juros da dívida pública.

O governo vem reiterando a viabilidade da meta fiscal deste ano, mas a tarefa ficou mais difícil após a greve dos caminhoneiros em maio, que causou forte desabastecimento no país e afetou a atividade econômica. Além disso, o governo teve custo fiscal de mais de R$ 15 bilhões para arcar com o pleito da categoria e garantir preço menor do diesel.

Por isso, os economistas pioraram muito as expectativas para o déficit primário do governo central neste ano, segundo o relatório Prisma Fiscal divulgado pelo Ministério da Fazenda. Pela mediana, a projeção subiu a R$ 151,192 bilhões, contra R$ 138,543 bilhões anteriormente. Neste caso, a meta do ano é de R$ 159 bilhões.

Pesquisa Focus do BC, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a estimativa de expansão do PIB do país neste ano estava em torno de 1,5%, depois de ter chegado a 3 por cento alguns meses antes.

No mês passado, ainda segundo o BC, a dívida pública bruta ficou em 77% do PIB, ao passo que a dívida líquida atingiu 51,35% do PIB. Em pesquisa da Reuters, a expectativa de 76,3% e 51,4% do PIB, respectivamente.

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