Descrição de chapéu The New York Times

Parques da Disney vão ficar mais verdes

Companhia está a alguns meses de gerar energia solar renovável em quantidade suficiente para acionar dois parques

Nova York | The New York Times

Mesmo o visionário Walt Disney provavelmente não teria imaginado essa ideia.

A Walt Disney Co. está a apenas alguns meses de gerar energia solar renovável em quantidade suficiente para acionar dois dos quatro parques que opera no Walt Disney World Resort, no centro da Flórida.

Antes do final de 2018, a Disney colocará em operação uma grande central de energia solar com capacidade de 50 megawatts e mais de meio milhão de painéis solares, bem ao lado do Animal Kingdom, um dos parques da empresa. Um dos objetivos que motivam essa decisão é ajudar a Disney a realizar seu plano mais amplo para reduzir suas emissões mundiais líquidas de gases causadores do efeito estufa em 50% até 2020, ante o total de 2012.

Placas de energia solar no formato de rosto do Mickey
Placas de energia solar no formato de rosto do Mickey - NYT

"Em todas as nossas instalações ao redor do mundo, estamos investindo em mágica oculta para reduzir continuamente nosso impacto ambiental", disse Bob Chapek, presidente do conselho da Disney Parks, Experiences and Consumer Products.

As instalações de energia solar que a Disney inaugurará em breve, espalhadas por uma área de 108 hectares projetada para a geração de energia renovável, produzirão energia para abastecer 10 mil casas por ano, e reduzirão emissões de gases causadores do efeito estufa em mais de 57 mil toneladas anuais, de acordo com as estimativas da Disney. Isso é o equivalente anual de tirar 9,3 mil automóveis de circulação, segundo a companhia.

A energia não será direcionada aos parques temáticos da Disney, mas sim à rede local de energia. Mesmo assim, de olho em sua reputação mundial e também na preocupação cada vez maior dos consumidores com a sustentabilidade, a Disney está emergindo como força na energia renovável.

O avanço da Disney rumo à energia mais limpa surge em um momento em que a imagem de marca dos gigantes empresariais do planeta precisa ir bem além de, digamos, um passeio na Space Mountain –especialmente junto à geração milênio, altamente consumista mas interessada em ecologia. De fato, cerca de 79% dos consumidores dizem buscar produtos responsáveis em termos sociais ou ecológicos, de acordo com um estudo conduzido pela Coine Communications em 2017.

"Nossos hóspedes nos dizem que o meio ambiente é importante, e por isso ele importa muito para nós", disse Mark Penning, vice-presidente e animais, ciência e meio ambiente da Disney. Porque o assunto importa tanto para os hóspedes, importa igualmente para Bob Iger, o presidente-executivo da Disney, que afirmou repetidamente que deseja que sua companhia seja a empresa mais admirada do planeta, "não só por criar conteúdo espetacular mas por ser uma cidadã empresarial responsável de nosso planeta", disse o veterinário Penning.

Os esforços da Disney em energia solar e renovável não se limitam à Flórida. Em Tóquio, o show de luzes elétricas da Disneyland é alimentado por painéis solares instalados nos topos de oito edifícios, que geram mais de 600 quilowatts de energia. Na Europa, a Disneyland Paris usa energia geotérmica para acionar dois de seus parques temáticos e um hotel.

No Disney Resort de Xangai, uma central combinada de aquecimento e refrigeração reduz as emissões em 60% - em parte ao converter calor desperdiçado em energia. A Disney também está construindo três navios de cruzeiro que serão acionados por gás natural liquefeito, que não gera poluentes, quando começarem a navegar, em 2021, 2022 e 2023.

Mas a busca de soluções ecológicas nem sempre funcionou perfeitamente na Disney. Por exemplo, em 2015, quando a empresa tentou inicialmente converter sua frota de ônibus a uma propulsão "ecológica", os executivos imaginaram que a solução pudesse ser ônibus elétricos. Mas descobriram que os ônibus elétricos não reduziam tanto a emissão de carbono quanto o uso de combustível renovável feito de óleo de cozinha usado e resíduos de alimentos não consumíveis.

Embora alguns proponentes da energia renovável desejem ver a Disney fazendo mais para reduzir sua dependência quanto aos combustíveis fósseis, a liderança da companhia nessa área deve encorajar outras empresas. "O que a Disney está fazendo é parte importante da tendência que está mudando a rede elétrica dos Estados Unidos", disse Gregory Wetstone, presidente-executivo do Conselho Americano de Energia Renovável.

Apenas cinco anos atrás, poucas empresas produziam ativamente energia renovável para seu próprio uso, disse Wetstone. Mas hoje, ele diz, "as empresas mais sofisticadas estão aprendendo a tomar a iniciativa por sua conta, e a fazer". É claro que nada disso pode ser realizado sem a identificação de parceiros. As novas instalações da Disney no centro da Flórida, por exemplo, foram criadas em colaboração com o Reedy Creek Improvement District, uma organização de governo local, e a Origis Energy USA, que desenvolve painéis solares. Dirigentes da Disney se recusaram a discutir o aspecto financeiro de seus projetos de energia renovável.

Também no centro da Flórida - com a ajuda da Duke Energy -, a Disney abriu uma central de energia solar em 2016, famosa por ter o formato da cabeça do Mickey. A central capaz de gerar cinco megawatts, instalada em nove hectares de terras perto do Epcot Center, abriga 48 mil painéis solares. A Duke Energy vende a energia alternativa resultante - suficiente para abastecer mil casas - ao Reedy Creek Improvement District.

Em alguns casos, os visitantes dos parques Disney já podem ver a energia solar em funcionamento.
No Disneyland Resort, o parque original da empresa, há painéis solares no topo do Radiator Springs Racers, um brinquedo que é parte da Cars Land. O sistema –inaugurado em 2016– gera eletricidade para o Disney California Adventure Park. A central,com 3,6 mil metros quadrados, opera mais de 1,4 mil painéis solares de alta eficiência e gera energia suficiente para abastecer 100 casas em Anaheim por um ano.
Walt Disney teria sido capaz de imaginar toda essa energia renovável em seus parques, alguns anos atrás?
"Não estou certo de que ele sonharia algo assim", disse Penning. "Mas os sonhos dele resultaram no Epcot, que pretendia ser nosso primeiro desenvolvimento sustentável".

De fato, um estilo de vida sustentável se tornou parte da rotina diária de Penning. Ele abandonou o uso de plásticos descartáveis, e guia uma moto em lugar de um carro. "Exceto nos dias de temporal", ele disse.
Algumas das ações ambientais da Disney têm algo de conto de fadas. Um exemplo é o Castelo de Cinderela no Disney's Magic Kingdom, na Flórida. As 170 mil lâmpadas que o iluminavam foram substituídas por LEDs. Desde a mudança, a energia para acionar o grandioso espetáculo de luzes equivale à usada para acionar quatro cafeteiras.

Mesmo para a Disney, energia renovável requer mais do que pó de pirlimpimpim.
 
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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