Privatização da Sabesp vai encontrar resistência interna, diz Meirelles

Secretário de SP também defendeu a adoção imediata após aprovação da reforma da Previdência

São Paulo | Reuters

O governo paulista espera arrecadar, no mínimo, R$ 4 bilhões com a venda de ativos, concentrando os esforços na privatização da Sabesp, bem como em concessões de rodovias e presídios, disse nesta terça-feira (26) o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles.

"Temos um programa agressivo de desestatização que está começando agora a ser bem encaminhado", afirmou Meirelles durante evento organizado pelo BTG Pactual, em São Paulo.

Segundo ele, a privatização da Sabesp é um projeto desafiador para o governo estadual e deve encontrar "muita resistência interna" na própria companhia.

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Henrique Meirelles, secretario estadual da Fazenda de São Paulo - Greg Salibian/Folhapress

"Hoje a legislação dá vantagem competitiva à empresa de controle estatal quando vence o contrato com a prefeitura, o que inibe a privatização”, afirmou.

Na avaliação de Meirelles, as condições para privatização da Sabesp só devem melhorar após a aprovação da medida provisória do saneamento editada no final do governo de Michel Temer. “Se transformada em lei vai tirar essa vantagem competitiva”, disse.

Questionado sobre a agenda do novo ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem entre as prioridades a aprovação da reforma da previdência, Meirelles defendeu a adesão “automática e imediata” dos Estados à mudança no regime de aposentadorias, assim que aprovada.

Mais cedo no mesmo evento, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, defendeu foco da instituição em incentivos à infraestrutura, incluindo o setor de saneamento e a transformação em lei da medida provisória sobre o setor.

A medida provisória 868/18, publicada no final de dezembro, cria instrumentos que facilitam privatizações e amplia o papel da Agência Nacional de Águas (ANA) como órgão organizador dos investimentos no setor.

O texto também força empresas públicas a disputarem mercados com empresas privadas, que contam com recursos de grupos domésticos e internacionais.

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