Descrição de chapéu Folhainvest

BC do México testa sistema que transforma celular em maquininha

Objetivo é ampliar a aceitação de cartões para pagamento de compras

Alexa Salomão Tássia Kastner
Madri e São Paulo

Para ampliar o uso de cartões, o Banco Central do México testa um projeto-piloto que dispensa o uso das maquininhas para compras. O projeto foi anunciado em dezembro de 2018 e começou a ser testado em abril por sete das quase cem instituições financeiras do país.

A expectativa é que o sistema sirva para popularizar o uso de transações financeiras eletrônicas no país e promover a bancarização, explica Miguel Ángel Díaz Díaz, diretor de sistema de pagamento do Banco Central do México.

“Há 130 milhões de cartões de débito e 30 milhões de crédito, mas faltam receptores e a maioria dos mexicanos usa duas vezes por mês para sacar dinheiro e pagar tudo em dinheiro”, diz Díaz.

O projeto foi batizado de CoDi, porque utiliza como base a leitura de códigos QR ou a tecnologia de aproximação NFC.

O CoDi está conectado ao SPEI (Sistema de Pagamentos Eletrônicos Interbancários) do BC mexicano e permite transferências financeiras em tempo real.

“Existem quase 70 milhões de smartphones no México. A proposta é transformar celulares em maquininhas e darem uma opção a mais em relação ao uso do cartão”, afirma Díaz.

O uso do meio de meios de pagamentos é crescente nos últimos 12 anos no México, mas ganhou impulso recentemente. Teve crescimento médio de 12,6% ao ano de 2006 a 2018.

No entanto, a expansão se acelerou a partir de 2015, após a implantação do SPEI. De lá para cá, o crescimento médio anual é de 30%.O BC diz acreditar que o CoDi pode expandir ainda mais o segmento, porque uma das barreiras para o crescimento tem sido a falta física de maquininhas.

“Além de promover a bancarização, o sistema vai permitir que as empresas oferecerem uma série de serviços. Assim, os meios de pagamentos são alternativas para ampliar a concessão de crédito e inclusão financeira”, diz.

Além de excluir as maquininhas, o sistema também dispensa a atuação das bandeiras de cartão (como Visa e Mastercard). Na prática, o modelo de pagamentos por QRCode se assemelha ao pagamento instantâneo, que está em fase de desenvolvimento no Brasil sob supervisão do Banco Central.

Enquanto isso, algumas instituições financeiras tentam mudança semelhante com sistema próprio.

O Itaú anunciou o iti para testar pagamentos instantâneos. Além de uma conta de pagamento para pessoas, o iti será também uma forma de lojistas receberem por suas vendas, por meio da leitura de QRCodes.

Sem bandeira e maquininha, a taxa para o lojista deve ser de 1% do valor da operação.

O pagamento na conta do lojista será feito na hora. Vendas a débito feitas pelas maquininhas atualmente custam 1,99%, e o lojista espera dois dias para receber.

Outras instituições também testam soluções semelhantes, como o Agibank e o Banco Inter.

No Brasil, porém, o uso de cartões é mais disseminado. Segundo a Abecs (associação da indústria de cartões), 38,3% do consumo das famílias foi pago com cartões em 2018, percentual que o setor espera levar a 60% até 2022.

O parque de maquininhas do país soma mais de 9 milhões de equipamentos, com uma densidade de 44,6 mil aparelhos para cada 100 mil habitantes. É o segundo maior número de aparelhos por habitante, atrás de Singapura. A Abecs não detalha a distribuição por regiões do país.

Enquanto isso, a entidade desenvolve com seus associados um modelo para pagamentos instantâneos. Não há ainda previsão de lançamento e tampouco deve excluir elos da cadeia de cartões.

A repórter viajou a convite do Santander Brasil

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.