Bancos de desenvolvimento vão continuar a ser importantes, diz Joaquim Levy

Para ex-presidente do BNDES, as instituições democratizam o acesso ao crédito

Ana Luiza Albuquerque
Rio de Janeiro

O economista Joaquim Levy, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) defendeu nesta segunda-feira (15) a importância dos bancos de desenvolvimento e da democratização do acesso ao crédito.

"Os bancos de desenvolvimento vão continuar a ser importantes. Apesar de a gente estar em um mundo em que o capital é abundante, ele não chega sempre no lugar que deve chegar, exatamente pelas imperfeições de mercado", disse em evento sobre abertura econômica na FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro.

"Há a possibilidade de você democratizar mais o acesso ao crédito. Isso é muito importante", completou.
Há cerca de um mês, Levy pediu demissão da presidência do banco depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) declarou que o economista estava "com a cabeça a prêmio" e que estava "por aqui" com ele. 

Levy encontrava resistência por ter sido ministro da Fazenda no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Membros da área econômica do governo Bolsonaro também afirmaram à Folha que o economista tinha dificuldade de atender algumas das principais determinações relativas à administração do banco. 

 

A avaliação é de que o economista não teria dado andamento a uma revisão das grandes operações feitas pelo BNDES nos últimos anos, principalmente durante a gestão petista.

Nesta segunda (15), Levy também defendeu a importância do BNDES em viabilizar o acesso de bancos menores a recursos competitivos. 

"Através dos recursos do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], o BNDES é capaz de irrigar uma porção de bancos médios e pequenos que só podem emprestar em condições competitivas se têm acesso a recursos estáveis e relativamente baratos", disse. 
 

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