Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Em 200 dias de Bolsonaro, relembre frases sobre trabalho infantil, diesel e reforma

Afirmações do presidente sobre agenda econômica foram dadas em redes sociais, eventos e reuniões

Mariana Grazini
São Paulo

O governo de Jair Bolsonaro completou 200 dias nesta quinta-feira (18) e, em alusão à data, o presidente anunciou a liberação de até 35% do saldo das contas ativas do FGTS

Na agenda econômica do governo estão, recentemente, a aprovação da reforma da Previdência, a venda de empresas estatais, a elaboração de uma reforma tributária e a regulamentação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. 

Ao longo dos 200 dias de governo, Bolsonaro se pronunciou sobre temas ligados à economia do país em redes sociais, eventos e encontros internacionais. Pediu para que o presidente da Petrobras suspendesse uma proposta de reajuste ao preço do diesel em abril e disse que "não entendia de economia".

Em julho, defendeu o trabalho infantil em uma transmissão ao vivo em rede social. A afirmação fez com que a OAB, o Ministério Público do Trabalho e outras três associações assinassem, em conjunto, uma nota em alerta aos riscos do trabalho infantil. 

Veja dez pronunciamentos de assuntos econômicos feitos por Jair Bolsonaro que marcaram os 200 dias de governo. 

O presidente Jair Bolsonaro participa de solenidade alusiva aos 200 dias de governo, no Palácio do Planalto
O presidente Jair Bolsonaro participa de solenidade alusiva aos 200 dias de governo, no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

Previdência

A aprovação do texto da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados em primeiro turno foi marcada por crises entre governo e Legislativo —principalmente entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Enquanto o texto da reforma era analisado, a tramitação de propostas de combate ao crime provocou desentendimento entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e Maia em março. 

Maia chamou Moro de “funcionário do presidente”.

Em resposta, Bolsonaro afirmou que Maia foi “infeliz” ao fazer o comentário e disse: 

“Se eu ou o João Doria [governador de São Paulo] ficar irritado por causa disso...pelo amor de Deus...nós somos políticos e temos que ter couro duro para apanhar”. 

Reajuste do diesel

Em abril, Bolsonaro ligou para o presidente da Petrobras para que a proposta de reajuste de 5,7% sobre o preço do diesel fosse explicada e pediu a suspensão da decisão.

Ele disse não ser intervencionista nem querer “fazer as políticas que fizeram no passado”. E completou:

Não sou economista, já falei que não entendia de economia, quem entendia afundou o Brasil, tá certo?”

Reforma de japonês

Bolsonaro visitou o Nordeste como presidente da República pela primeira vez em abril. Durante a viagem, disse que o Brasil não precisaria mais de um ministro da Economia se a proposta do governo para a reforma da Previdência não fosse aprovada. 

“Se for uma reforma de japonês, ele [Guedes] vai embora. Lá [no Japão], tudo é miniatura (...) Se não tiver reforma, ele [Guedes] tem que ir para a praia. Vai fazer o que em Brasília?”

Veto

Bolsonaro mandou tirar do ar uma campanha publicitária do Banco do Brasil em abril. A propaganda era dirigida ao público jovem com atores que representavam a diversidade racial e sexual.

O presidente disse que não toleraria propaganda de estatais que não seguissem a sua linha ideológica. 

“A linha mudou. A massa quer o quê? Respeito à família. Ninguém quer perseguir minoria nenhuma, nós não queremos que o dinheiro público seja usado dessa maneira (...) Por exemplo, meus ministros. Eu tinha uma linha armamentista, eu não sou armamentista? Então, ministro meu é armamentista ou fica em silêncio. É a regra do jogo”, disse. 

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, acatou o pedido de Bolsonaro e demitiu o diretor do banco. Novaes retirou do ar a campanha. 

Apoio político

Jair Bolsonaro se reuniu com governadores e os presidentes da Câmara e do Senado em maio e pediu apoio para a aprovação da reforma da Previdência. 

No encontro, recebeu uma lista de demandas para ajudar as contas dos estados. Ele disse que o governo estava aberto ao diálogo com os políticos. 

“Temos que facilitar a vida de quem quer produzir e de quem tem coragem ainda de investir no Brasil, que é um esporte de altíssimo risco dada a situação em que nos encontramos”, afirmou Bolsonaro no café da manhã. 

Demissão BNDES

O economista Joaquim Levy pediu demissão da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em junho.

À época, Bolsonaro já havia ameaçado afastá-lo. O clima teria piorado, segundo o presidente, depois da intenção de Levy em nomear um executivo que trabalhou na gestão petista. 

“Eu já estou por aqui com o [Joaquim] Levy. Falei para ele demitir esse cara [Marcos Barbosa Pinto] na segunda-feira ou eu demito você, sem passar pelo Paulo Guedes”, afirmou ele. 

Cobrança de bagagens 

Após vetar a gratuidade das bagagens em voos domésticos em junho, Jair Bolsonaro afirmou que a decisão foi tomada porque empresas menores diziam que o benefício seria um empecilho para elas. 

Ao cobrar a taxa o objetivo, segundo o presidente, era aumentar a concorrência no setor aéreo. 

“Até 10 quilos está liberado. Como todo respeito, quem fizer uma viagem e quer levar mais de 10 quilos, se quer levar mais de 10 quilos, pague”, ressaltou Bolsonaro. 

Bijuterias no Japão

O presidente foi ao Japão em junho para o encontro do G20 (grupo que reúne os líderes das 19 maiores economias mais a União Europeia). A viagem, contudo, não interrompeu a transmissão semanal que faz em rede social. Em certo trecho, Bolsonaro quis atestar uma ideia que prega desde que era pré-candidato à Presidência, em 2017. Segundo ele, o Brasil deveria investir na exportação de nióbio. 

O presidente mostrou uma bijuteria do metal e comentou: 

“Tem várias cores. A vantagem em relação ao ouro são as cores e ninguém tem reação alérgica ao nióbio. Alguns têm ao ouro. Às vezes, a mãe bota o brinquinho na orelha da menina —menina, deixar bem claro— e tem reação, isso aqui de nióbio não tem” . 

Trabalho infantil

Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, em 4 de julho, o presidente defendeu o trabalho infantil usando como principal argumento sua experiência pessoal. 

“Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar, tá cheio de gente aí [que diz] ‘trabalho escravo não sei o quê, trabalho infantil’. Agora, quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada.” 

Em seguida, disse que não apresentaria projetos para descriminalizar o trabalho infantil, entendendo que seria “massacrado”.​

​Liberação de dinheiro

O governo anunciou regras dinheiro nas contas do FGTS (Fundo de Garantia de Serviço) em 17 de julho.

Em meio à definição de data sobre quando as regras para liberação do dinheiro aconteceria, Bolsonaro disse:

“Se deve ser anunciado hoje é porque não foi batido o martelo. Se for batido o martelo, faltam alguns ajustes. Não quero aqui antecipar a equipe econômica”. 

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