Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Países europeus divergem sobre acordo UE-Mercosul após incêndios na Amazônia

Na sexta (23), porta-voz alemão declarou que a suspensão do acordo não seria a resposta apropriada aos acontecimentos no Brasil

Biarritz (França) | Reuters e AFP

​O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o governo espanhol se somaram à chanceler alemã, Angela Merkel entre os líderes da União Europeia contrários ao uso do acordo comercial fechado com o Mercosul como instrumento de punição ao Brasil pelo controle frouxo das queimadas na Amazônia.

Neste sábado, Johnson fez críticas à ameaça de Emmanuel Macron de suspender o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Ao chegar a Biarritz, na França, que sedia a reunião do G7, o premiê falou sobre o assunto —um dia após o gabinete da chanceler alemã Angela Merkel fazer o mesmo em Berlim.

Recebido por Macron e a primeira-dama Brigitte em Biarritz, Boris Johnson fez críticas à ameaça de suspensão do acordo entre UE e Mercosul
Recebido por Macron e a primeira-dama Brigitte em Biarritz, Boris Johnson fez críticas à ameaça de suspensão do acordo entre UE e Mercosul - Francois Mori/Pool/AFP

"Existem pessoas que vão usar qualquer desculpa para interferir no comércio e frustrar acordos, e eu não quero ver isso", disse Johnson.

Ainda na sexta (23), um porta-voz de Merkel disse que a não conclusão do acordo com os países do Mercosul —Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai— "não era a resposta apropriada aos acontecimentos em curso no Brasil", e que a suspensão não ajudaria na mitigação do impacto dos incêndios.

A Espanha também seguiu Johnson e Merkel. "A Espanha não compartilha a postura de bloquear o acordo", indicou neste sábado a presidência do governo espanhol em uma declaração recebida pela AFP.

"Para a Espanha o objetivo de luta contra a mudança climática é um objetivo prioritário, mas consideramos que é justamente aplicando as cláusulas ambientais do Acordo que mais se pode avançar, e não propondo um bloqueio de sua ratificação que isole os países do Mercosul", disse o governo em sua mensagem.

Também neste sábado, o presidente do Conselho Europeu expressou grande preocupação com a escalada da crise ambiental brasileira, ainda que tenha reforçado o apoio ao acordo comercial firmado.

"É claro que apoiamos o acordo entre a UE e o Mercosul (...), mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro permite a destruição da Amazônia", disse Tusk ao chegar em Biarritz.

 

Firmado após 20 anos de negociações, o termo de cooperação comercial entre a UE e o Mercosul prevê eliminar, em 15 anos, mais de 90% das tarifas praticadas hoje nas transações de mercadorias entre os dois blocos.

Na sexta-feira, um dia após as primeiras manifestações de preocupação com os incêndios na Amazônia, o presidente francês, acusou o Brasil de ter mentido ao assumir compromissos em defesa do ambiente na cúpula do G20 (grupo das economias mais desenvolvidas), em junho, e que isso inviabiliza a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, concluído no mesmo mês.

Foi seguido então pelo governo da Irlanda, que também colocou o acordo em xeque, e da Finlândia, que propôs uma suspensão às importações de carne do Brasil.

Bolsonaro, por outro lado, recebeu apoio público do presidente americano, Donald Trump, que também participa do G7, com instrumentos de combate às chamas. 

O presidente brasileiro rebateu os ataques, mas decidiu reagir e tomar medidas de combate às chamas. Assinou na tarde de sexta-feira (23) um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que autoriza o emprego das Forças Armadas na Amazônia para combater as queimadas.

 
 
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