Taças rosadas agora são moda no happy hour brasileiro

Público já teve preconceito com a bebida e a taxava de subproduto

Marina Consiglio
São Paulo

Se antes o público brasileiro torcia o nariz para o vinho rosé, hoje já demonstra estar mais aberto para encher taças e adegas com a bebida de tom rosado.

O preconceito tem algumas raízes. Pela cor e frescor, muitos julgavam ser uma bebida doce e “ligada a um consumo feminino”, explicam as sommelières Cassia Campos e Daniela Bravin, do bar Sede 261, em São Paulo.

A fama de incompreendido se estende a outras frentes. 

Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola Salton, para pauta sobre vinho rosé
Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola que leva o nome de sua família, prevê ampliar a produção de vinho rosé - Ricardo D'Angelo/Divulgação

“Tinha gente que achava que o rosé era um subproduto, uma simples mistura de vinhos tinto e branco”, explica André Scartozzoni, diretor comercial da vinícola Guaspari, no interior de São Paulo. 

Não é verdade: ele é feito com uvas tintas, como pinot noir, syrah ou malbec. O que o diferencia de um tinto é seu processo de produção, no qual as cascas das frutas têm menos tempo de contato com o composto —por ter menos pigmentos, o resultado final ganha o tom mais clarinho.

Essas questões têm sido deixadas de lado e o consumo do rosé está em ascensão no país. 

No Brasil, os 50 mil hectolitros comercializados em 2017, porém, correspondiam a 0,25% da degustação global de rosé. Brice Eymard culpa as taxas de importação praticadas no país pela cifra tímida.

O recém-fechado acordo comercial entre União Europeia e Mercosul deve diminuir ou até derrubar essa barreira.

“Há também um aspecto cultural do consumo. O vinho ainda não está tão implantado no mercado brasileiro, e a descoberta do rosé normalmente se dá em um segundo momento, de maturidade da demanda”, afirma Eymard.

Segundo Luciano Kleiman, presidente da importadora Grand Cru, as importações cresceram 145% nos últimos quatro anos.

Houve ainda crescimento da demanda pelo vinho nacional. É o caso da vinícola Salton, de Bento Gonçalves (RS), que tinha apenas um espumante rosé no portfólio. 

“Esgotou em outubro”, conta Luciana Salton, diretora-executiva. “Com isso, aumentamos a produção desse tipo de bebida. No final de 2018, lançamos um rosé dentro de uma de nossas linhas. Foram 2.000 caixas, que também esgotaram. Agora, estamos produzindo mais dois rótulos”.

Leve, fresco —e fotogênico—, o rosé é chamado de “bebida de piscina” no universo do vinho, associado principalmente a momentos de descontração ou happy hour. Com isso, atrai cada vez mais jovens consumidores. “Ele é um caminho de entrada para o mundo do vinho. Certamente sem volta”, brinca Kleiman. “Acho que vai ser um sucesso nesse verão”.

Colaborou Lucas Neves
 

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