Com exterior positivo, dólar cai 1,8% e vai a R$ 4,10

Ibovespa sobe 1,5% e retoma os 100 mil pontos

Júlia Moura
São Paulo

O exterior positivo concedeu um alívio ao real, que se valorizou contra o dólar nesta quarta-feira (4). A cotação da moeda americana foi a R$ 4,10, menor valor desde 22 de agosto.

A queda percentual de 1,8% em relação à véspera é a maior desde 28 de março, quando o dólar depreciou 2,3% depois de uma alta de 3% no dia 27 do mesmo mês.

 O Ibovespa acompanhou e subiu 1,3% nesta quarta, recuperando os 100 mil pontos.

cédulas de dólar.
Dólar cai 1,8% e vai a R$ 4,10, menor patamar em duas semanas - Marcello Casal Jr./ABr

Nesta quarta, o governo de Hong Kong comunicou que vai retirar o projeto de lei de extradição de presos para serem julgados pelos tribunais controlados pelo Partido Comunista na China continental. A norma foi o grande motivo das manifestações da cidade nos últimos meses.

A Bolsa de Hong Kong subiu 3,9% e foi para o maior patamar em um mês. 

A notícia foi ainda mais positiva para investidores preocupados com a guerra comercial. O presidente americano Donald Trump havia declarado que a onda de protestos e pressão do governo de Hong Kong prejudicava um possível acordo comercial com a China.

Outro alívio veio do Reino Unido, com a derrota do primeiro-ministro Boris Johnson e proibição, pelo Parlamento britânico, de um brexit sem acordo.

O premiê prometia que a saída do Reino Unido da União Europeia iria acontecer na data marcada —31 de outubro de 2019. Mas, com a nova resolução, a saída agora pode ser adiada para 2020, aumentando a incerteza que assola o país

O risco-país britânico, medido pelo CDS (Credit Defaut Swap), espécie de seguro contra calote, de cinco anos, subiu 2,6% nesta sessão. A libra ganhou força nos últimos dias, com alta de 1% desde terça, e foi a US$ 1,22. A Bolsa de Londres subiu 0,6%.

Depois da derrota, Johnson pediu novas eleições gerais em 15 de outubro, mas foi novamente derrotado pelo Parlamento.

Na Itália, instalou-se um novo governo, uma coalizão entre o movimento antissistema 5 Estrelas e o Partido Democrático (PD), adversários de longa data, sob o comando de Giuseppe Conte, que voltou a ocupar o cargo de primeiro-ministro após sua renúncia, em meio da crise política que se instalou no país. 

O acordo simboliza a derrota de Matteo Salvini, líder da Liga, partido da direita nacionalista, apontado como o principal responsável a derrubada do governo.

A Bolsa italiana subiu 1,6% e foi ao maior patamar desde julho.

Além das resoluções, políticas, dados da economia chinesa melhoraram em agosto, o que deixa investidores menos pessimistas quanto a desaceleração da economia global.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da China aumentou para 52,1 pontos em agosto, o maior patamar em três meses. Em julho, o número foi de 51,6. 

Com as notícias positivas, Wall Street fechou no azul. Dow Jones subiu 0,9%, S&P 500, 1% e Nasdaq, 0,32%.

Com menor aversão ao risco, o dólar, porto seguro dos investidores, perdeu força internacional. O índice DXY que mede a valorização da moeda frente as principais divisas globais cedeu 0,55%.

A Bolsa brasileira acompanhou e, impulsionada pela aprovação do texto-base da proposta de reforma da Previdência na CCJ do Senado, subiu 1,52%, a 101.200 mil pontos. O giro financeiro foi de R$ 14,6 bilhões, levemente abaixo da média diária para o ano.​

A Bolsa argentina também subiu, com alta de 7% após o tombo de mais de 11% da véspera. Já o peso perdeu a valorização contra o dólar da véspera e a moeda americana voltou a 56 pesos por dólar, alta de 1,2%, mesmo patamar de segunda (2).

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