Descrição de chapéu Financial Times

Trabalhistas querem acabar com bônus dos executivos financeiros no Reino Unido

John McDonnell, secretário das finanças no governo paralelo trabalhista, promete acabar com a desigualdade "grotesca" e "ofensiva"

Jim Pickard
Londres | Financial Times

As companhias de serviços financeiros do Reino Unido enfrentarão severas restrições, e talvez uma proibição, na concessão de bonificações a seu pessoal, sob um futuro governo trabalhista, alertou o secretário das finanças no governo paralelo trabalhista.

John McDonnell disse ao Financial Times que estava advertindo a 'City' de Londres de que era hora de pôr fim voluntariamente às bonificações, ou enfrentar restrições draconianas.

"Se isso continuar e a City não aprender sua lição, tomaremos providências. Eu estou avisando desde já", disse McDonnell. "Se precisarmos agir, agiremos. As bonificações ofendem as pessoas".

O ministro do governo paralelo disse que uma de suas primeiras medidas ao assumir o posto seria explorar maneiras de reprimir os pagamentos extravagantes a executivos financeiros e outras pessoas do setor de serviços financeiros.

Ele disse que lançaria um processo de consultas para buscar opções que variariam de ampliar o poder dos acionistas a restringir o valor das bonificações.

"Isso se tornou parte da cultura da City, ao longo dos anos", disse McDonnell. "Tornou-se parte da cultura e é completamente separado, distinto e isolado do resto da economia do mundo real; por isso as pessoas se ofendem. É um reflexo de níveis grotescos de desigualdade, que as pessoas hoje consideram altamente ofensivos".

A Milha Quadrada, como o distrito financeiro de Londres também é conhecido, já enfrenta a perspectiva de maior intervenção de um governo trabalhista, o que incluiria um novo imposto de 4,7 bilhões de libras ao ano sobre transações financeiras.

McDonnell também está preparando planos para retirar os poderes de voto —em situações de tomada de controle acionário — de investidores que detenham ações em uma empresa há menos de dois anos, em uma tentativa de recompensar as decisões tomadas levando em conta o longo prazo.

Em 2017, o valor das bonificações pagas no Reino Unido chegou ao recorde de 46,4 bilhões de libras, 6,5% acima do ano anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. Isso é 11,3% mais que o valor das bonificações no ano financeiro encerrado em 2008, o pico da bolha do crédito.

Dados do serviço estatístico mostram que as bonificações respondem por quase um quarto da remuneração total no setor financeiro britânico.

Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista, disse em 2017 que seu partido seria uma "ameaça" aos executivos da City e seus salários exagerados.

"Enfermeiras, professores, comerciantes, operários, quase todo mundo vem encontrando dificuldades para sobreviver, enquanto o presidente-executivo do Morgan Stanley se concedeu pagamento de 21,5 milhões de libras no ano passado, e os bancos britânicos pagaram 15 bilhões de libras em bonificações", ele disse, depois que o banco alertou seus clientes sobre a potencial ameaça de um governo trabalhista.

"Quando eles dizem que somos ameaça, estão certos. Somos ameaça ao sistema destrutivo e fracassado que manipula a coisa em favor de alguns poucos", disse Corbyn.

Há 10 anos, McDonnell, então membro da base trabalhista no Parlamento, circulou uma petição entre seus colegas por um imposto extraordinário sobre as bonificações da City. Agora ele favorece restrições diretas aos pagamentos.

McDonnell também disse ao Financial Times que queria proibir todas as opções de ações, pagamentos extraordinários na contratação e pagamentos extraordinários nas rescisões de contratos.

Essas ideias foram propostas em um recente relatório independente produzido por Prem Sikka, professor de contabilidade na Universidade de Sheffield, a pedido de McDonnell. O ministro paralelo das finanças revelou que aceitaria todas as recomendações de Sikka sobre a remuneração de executivos.

As empresas também seriam forçadas pelo governo trabalhista a revelar as identidades de todas as pessoas que ganhassem mais de 150 mil libras anuais, e o imposto de renda pago por aqueles com renda superior a um milhão de libras anuais.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci
 

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