Apesar de vazamento, 2019 é ano excepcional para petróleo, diz chefe da Petrobras

Roberto Castello Branco citou recorde de produção e megaleilão como pontos importantes para o setor

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse nesta quarta (30) que, apesar do vazamento que atinge as praias do Nordeste, 2019 é um ano excepcional para a indústria brasileira do petróleo.

Ele argumentou que a Petrobras atingiu seu recorde de produção e, na semana que vem, o governo realiza o maior leilão de petróleo da história do país, o chamado leilão da cessão onerosa, com a oferta de quatro descobertas feitas pela estatal.

"Apesar do preço do petróleo relativamente baixo e do desastre ambiental provocado pelo vazamento de óleo venezuelano que danifica as belas praias do Nordeste, este é um grande ano para a indústria do petróleo no Brasil", disse, em discurso durante evento que reúne as empresas do setor no Rio.

Roberto Castello Branco, presidente-executivo da Petrobras
Roberto Castello Branco, presidente-executivo da Petrobras - Amanda Perobelli - 29.jan.2018/Reuters

As manchas de petróleo de origem desconhecida já atingiram um teço do litoral brasileiro e o governo ainda não consegue estimar o fim da emergência. A Petrobras vem apoiando o governo no processo de limpeza das praias.

Os recordes de produção mencionados por Castello Branco foram obtidos no terceiro trimestre, quando a empresa conseguiu, pela primeira vez, manter sua produção acima de 3 milhões de barris por dia, em média, durante um mês inteiro.

O desempenho é resultado da instalação de novas plataformas no campo de Lula, o maior produtor do país, e Búzios, o segundo maior, ambos na Bacia de Santos. Maior descoberta de petróleo do Brasil, este último é parte do leilão da cessão onerosa, que oferecerá ao mercado reservas excedentes aos cinco bilhões de barris que a Petrobras tem direito de explorar.

Em seu discurso, Castello Branco disse que a Petrobras certamente vai disputar as áreas de Búzios e Itapu e repetiu que a empresa entrará no leilão "para vencer". Mesmo se perder, porém, terá o direito de ficar no consórcio vencedor, já que manifestou ao governo interesse pelas duas áreas, conforme previsto na legislação.

Na terça, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Décio Oddone, afirmou que apenas o interesse da Petrobras já garante o sucesso do leilão, uma vez que a estatal pretende levar metade das áreas em oferta.

Se todas as áreas forem vendidas, o governo levantará R$ 106 bilhões. No dia seguinte ao megaleilão, a ANP promove outra licitação, dessa vez com cinco áreas exploratórias do pré-sal.

Castello Branco disse que não vê, para os próximos 20 anos, pico de demanda de petróleo, apesar do crescimento de fontes renováveis na matéria energética global. Ainda assim, afirmou que os tempos de petróleo a US$ 100 (cerca de R$ 400) por barril “pertencem à história”.

O presidente da Petrobras deixou o evento sem dar entrevistas, por uma área usada pela organização para servir o almoço em que a estatal foi homenageada pelo desenvolvimento tecnológico na área de Libra, também no pré-sal.

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