Com crise fiscal dos últimos anos, desigualdade no Rio dispara, diz IBGE

Como na média nacional, estado atingiu em 2018 o maior nível de diferença de renda do trabalho

Rio de Janeiro

A crise que levou o governo do Rio de Janeiro a decretar calamidade financeira em 2016 fez a desigualdade de renda disparar no estado, de acordo com dados divulgados nesta quarta (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 2018, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012, o indicador de desigualdade de renda no estado ficou próximo à média nacional, que é inflada pelo desempenho de estados mais desiguais nas regiões Norte e Nordeste.

Assim como na média nacional, o estado atingiu em 2018 o maior nível de desigualdade na renda do trabalho desde o início da série. Na avaliação de técnicos do IBGE, o resultado reflete o elevado desemprego e atrasos nos pagamentos de salários e aposentadorias durante a crise fiscal do estado.

De acordo com o instituto, o índice Gini de desigualdade de renda do trabalho no Rio chegou a 0,543 em 2018, contra 0,503 em 2015, quando atingiu o menor valor da série –quanto mais perto de 1, mais desigual é a distribuição de renda. 

 

A alta é maior do que a média nacional, que passou de 0,524 para 0,545 no mesmo período, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada nesta quarta pelo IBGE.

No Rio, o rendimento médio do 1% mais rico da população foi de R$ 31.428 em 2018, enquanto a média do 50% mais pobres foi de R$ 1.001. Desde 2012, o primeiro grupo teve alta de 22,4%, enquanto o segundo subiu apenas 5,6%. 

Na comparação com 2014, antes do início da crise, a diferença é maior: enquanto o 1% mais rico experimentou aumento de 22,7% na renda, os 50% mais pobres perderam 3%.

"O Rio teve uma crise bastante forte por conta de atrasos de pagamentos, redução de salários. O resultado está aí", disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

A crise fiscal do estado começou a dar sinais no fim de 2015, quando o governo anunciou os primeiros parcelamentos de salários dos servidores, sob a justificativa de que a queda do preço do petróleo derrubou as receitas do estado. 

Em 2016, às vésperas da Olimpíada, o então governador Luiz Fernando Pezão decretou estado de calamidade financeira, que lhe permitiu tomar dinheiro emprestado para terminar as obras do metrô e manter os salários das forças de segurança durante os Jogos.

Em 2017, o Rio aderiu ao regime de recuperação fiscal do governo federal, que suspendeu os pagamentos da dívida com a União e garantiu alívio no caixa para regularizar a folha de pagamento. 

Com o fim das grandes obras voltadas à Olimpíada e atrasos no pagamento de fornecedores, o desemprego no estado disparou. Desde o fim de 2016, a taxa de desemprego no estado é maior do que a média nacional. No segundo trimestre de 2019, foi de 15,1%, contra 12% do país.

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