Alberto Youssef cria robô de investimento em parceria com youtuber

Gator, Selvagem e Swing da Lotus têm acerto de 92% a 98%, diz operador

São Paulo

O doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato, tenta retomar a vida profissional operando no mercado financeiro. Com dificuldades de conseguir emprego em uma casa bancária —"ninguém me quer", afirmou, em entrevista à Folha—, hoje ele dá consultorias a quem opera no mercado.

Também criou, com a ajuda de um youtuber, três robôs para operarem no mercado. Youssef tem atuado no ramo de dólar futuro.

"Eu venho de uma época antiga, que era pregão e telefone. Fui estudar, ver as ferramentas que existiam para que eu pudesse fazer uma leitura mais afinada do mercado em si", disse o doleiro.

Os robôs foram desenvolvidos em parceria com o professor e operador Anderson Luis da Silva, dono do canal no Youtube Academia Lotus Macaco Trader. 

Eles contam que se conheceram antes da Lava Jato, quando Silva fez um trabalho de TI para uma das empresas de Youssef, mas se reencontraram no período em que o doleiro fez sua reciclagem sobre o mercado financeiro.
 

À Folha, Youssef afirmou que precisou voltar ao mercado financeiro porque precisa se sustentar. Após deixar a cadeia depois de cumprir três anos de prisão, hoje vive em um apartamento de 36 metros quadrados, em regime aberto diferenciado —e monitorado por uma tornozeleira eletrônica.

Em seu canal, com 29 mil inscritos, Silva dá aulas sobre o dólar futuro e foi lá que Youssef o reencontrou. 

“Sou fundador, professor, apresentador e operador. Em 2017, ele me procurou para que eu desse uma aula particular sobre o mercado. Fizemos a aula e eu falei que estava desenvolvendo robôs”, diz Silva. 

Segundo Silva, o doleiro sabe “tudo de tudo, política, contexto, macro, economia”. O professor do doleiro conta que fez mais de 1.000 robôs até chegar em três configurações. 

“Um chame-se Gator, tem 95% de acerto. É um robô com exposição de mercado de 1h20 apenas. Eu coloquei esse nome porque ele parece um crocodilo num lago, abre a boca para entrar na operação, opera, opera opera, quando a boca se fecha ele não opera mais”, conta Silva.

O outro foi batizado de Selvagem. “Humano nenhum faz o que ele faz. Opera o tempo todo. Enquanto eu faço uma operação, ele faz três. Ele tem uma taxa de 98% de acerto e opera das 9h30 ao meio dia”, diz o professor. 

O último recebeu o nome de Swing da Lotus e, segundo Silva, opera menos e tem uma taxa de acerto de 92%. 

A estratégia dos robôs, explica Silva, não são baseadas em contas matemáticas. “São baseadas na vida. É uma história. As estratégias não nasceram da noite para o dia.”

Ele afirma que o próximo passo é certificar os robôs para que possam ser comercializados. A expectativa do professor é que isso aconteça depois do Carnaval de 2020. 

Segundo Silva, o custo será de R$ 250 mil para pessoas físicas até R$ 1 milhão para empresas. Também haverá a possibilidade de alugar os robôs, ao custo de 25% dos ganhos.

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