Brasil negocia criação de área de livre-comércio com a China, diz Guedes

Ministro defende integração com país asiático mesmo que Brasil perca posição comercial superavitária

Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (13), que o governo negocia a criação de uma área de livre-comércio entre Brasil e China.

Guedes defendeu que a integração entre os dois países seja feita mesmo que o Brasil perca a atual posição superavitária no saldo comercial com os chineses.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento diálogos com o TCU - Visões sobre o Brasil e a Administração Pública - Credito José Cruz - 7.nov.19/Agência Brasil

“Estamos conversando com a China sobre a possibilidade de criarmos o free trade area também com a China, ao mesmo tempo que falamos em entrar na OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade que reúne países que atuam com economia de mercado]”, disse o ministro em seminário do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Guedes afirmou ter ouvido do governo chinês que não haveria problema se o Brasil vendesse ainda mais para o país asiático. O ministro ressaltou que eventual movimento contrário, em que os brasileiros reduzissem o saldo comercial, também seria positivo para o Brasil.

“Eu não me incomodo se, em uma situação de superávit [do Brasil hoje] com a China, nós nos equilibrarmos ali à frente, aumentando as exportações em 50% e as importações dobrando ou mesmo triplicando. O que nós queremos é mais integração ainda”, afirmou.

O movimento de aproximação é mais um passo do governo para reverter a imagem que o presidente Jair Bolsonaro construiu da China na campanha eleitoral do ano passado. Em uma das ocasiões em que criticou o país asiático, o então candidato disse que a "China não está comprando no Brasil, está comprando o Brasil".

Ainda em janeiro deste ano, uma viagem de parlamentares do PSL à China gerou uma rápida crise no partido e críticas do guru Olavo de Carvalho. O escritor chamou de idiota uma comitiva que foi ao país asiático conhecer o sistema de câmeras de reconhecimento facial do país.

"Vocês são idiotas, meu Deus do céu? Vocês têm ideia da extensão da tecnologia chinesa de controle comportamental? Vocês não estudaram nada disso e nem querem estudar. Estão achando lindo que foram convidados para ir para a China. É um bando de caipiras", afirmou Carvalho na época

Após assumir a Presidência, Bolsonaro passou a dizer que o comércio entre Brasil e China poderia ser ampliado. No mês passado, ele esteve em Pequim durante viagem oficial.

​Hoje, a China é o país que mais importa do Brasil, considerando o valor dos produtos, segundo dados do Ministério da Economia. No ano passado, o saldo comercial entre os dois países ficou positivo para o Brasil em US$ 29 bilhões.

Em 2018, mais de um quarto da exportação brasileira foi direcionada para os chineses. Quase 90% do total é de produtos básicos, enquanto os semimanufaturados respondem por 8% e os manufaturados, 2%.

As vendas de soja, petróleo e minério de ferro respondem por 79% do total exportado pelos brasileiros aos chineses.

No sentido oposto, 98% dos produtos que o Brasil compra da China são manufaturados. Outros 2% são de produtos básicos.

No seminário, Guedes afirmou que o Brasil ficou isolado por 40 anos e que o país ainda tem uma das economias mais fechadas do mundo. Segundo ele, o governo tenta reverter esse cenário.

“Queremos nos integrar, perdemos tempo demais, temos pressa. Nós vamos fazer 40 anos em 4”, disse.

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