Itaú dobra reservas para cobrir calotes e lucro tem tombo de 43,1%

Decisão de aumentar provisões vem para tentar amenizar os possíveis impactos da crise econômica do coronavírus

São Paulo

O Itaú Unibanco dobrou as reservas para cobrir eventuais calotes no primeiro trimestre deste ano contra igual período de 2019, para R$ 10,4 bilhões.

Essa alta – que chegou a 147,2% na comparação anual – também foi responsável por pressionar o lucro do banco, que caiu 43,1% no período, para R$ 3,9 bilhões.

O banco elevou as provisões para amenizar os possíveis impactos da crise econômica do coronavírus. Os grandes bancos, que acabaram adotando parte das linhas emergenciais divulgadas pelo governo pata injetar dinheiro na economia, já haviam afirmado a expectativa de aumento na inadimplência.

O Itaú Unibanco foi o terceiro grande banco a divulgar seus resultados. O primeiro foi o Santander, que registrou um aumento de 10,5% no lucro do primeiro trimestre (para R$ 3,9 bilhões). O segundo foi o Bradesco, que também aumentou as reservas para calotes e teve perda de 40% no lucro do período, para R$ 3,8 bilhões.

Mulher passa na frente de uma agência do Itaú
O custo do crédito do Itaú também apresentou o dobro do tamanho no primeiro trimestre, para R$ 10,1 bilhões - Sergio Moraes/Reuters

A inadimplência do Itaú Unibanco em operações de crédito no Brasil teve um leve recuo no primeiro trimestre, de 3,7% para 3,5%. A inadimplência só aumentou nas operações para pessoas físicas, de 4,4% para 5,1%. Segundo o banco afirmou em relatório divulgado nesta segunda-feira, isso ocorreu devido ao aumento das carteiras de maior risco no mix de produtos oferecidos.

A carteira de crédito total do Itaú para o Brasil ficou em R$ 573,7 bilhões no período, um avanço de 19,4% em relação a iguais três meses de 2019. O destaque ficou com as micro, pequenas e médias empresas, cujos empréstimos subiram 31,9%, para R$ 104,5 bilhões.

Parte desse avanço é resultado do pacote de medidas para injetar liquidez (oferta de dinheiro) no sistema financeiro, proposto pelo Banco Central, como a possibilidade de empréstimos garantidos por letras financeiras às instituições financeiras e a redução dos compulsórios (parcela do dinheiro dos clientes que os bancos deixam retida no BC).

Além disso, os bancos também são responsáveis por 15% do total de recursos – os outros 85% serão financiados pelo governo – a serem emprestados pela linha de crédito emergencial voltada para financiar a folha de pagamento de pequenas e médias empresas (com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milhões). O crédito total a ser liberado é de R$ 40 bilhões.

A carteira de pessoas físicas do Itaú Unibanco cresceu 10,4%, para R$ 238,1 bilhões. A das grandes empresas subiu 24,5%, para R$ 231,1 bilhões.

Crédito para as maiores

No início da pandemia, as companhias de grande porte foram as primeiras a demandar recursos, em uma tentativa de conseguir ter caixa suficiente para ultrapassarem a pandemia sem grandes percalços. A busca por recursos foi intensificada também por um mercado de capitais mais restrito e volátil ante o coronavírus.

No Brasil, o volume de crédito renegociado do banco teve alta de 13,8%, para R$ 25,4 bilhões. “O aumento da carteira de crédito renegociado ocorreu principalmente devido à carência oferecida em alguns produtos para auxiliar os clientes a enfrentarem os efeitos da pandemia da Covid-19. A maior parte deste aumento foi em carteiras que estavam em dia no momento da renegociação tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas”, disse o banco em relatório.

O custo do crédito do Itaú também subiu no primeiro trimestre, registrando uma alta de 165,2%, para R$ 10,1 bilhões. Os bancos já haviam comentado que o ambiente de maior risco e a tendência de maior inadimplência também podem tornar o crédito mais restrito e os juros, mais altos.

Segundo o Itaú, essa mudança no custo de crédito se deu pela mudança nas perspectivas financeiras das pessoas e das empresas a partir da segunda quinzena de março.

“O crescimento do custo de crédito se deu por essa alteração, que capturada pelo nosso modelo de provisionamento por perda esperada, gerou maiores despesas de provisão no banco de varejo e no banco de atacado no Brasil, tanto na comparação trimestral quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior”, afirmou o banco.

As receitas com tarifas e prestação de serviços do Itaú subiram 10,4%, para R$ 9,5 bilhões. A margem financeira gerencial total ficou em R$ 17,8 bilhões, aumento de 0,8%.

Segundo o Itaú, dada a baixa visibilidade sobre a extensão e profundidade dos efeitos da crise atual trazida pela pandemia do coronavírus, as projeções divulgadas ao mercado (guidance) para 2020 foram suspensas.

“A Administração entende ser prudente não divulgar novas projeções neste momento, até ser possível ter uma maior precisão sobre os impactos e extensão da situação atual em nossas operações”, disse o banco em relatório.​

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