Economia vive dança das cadeiras após duas baixas

Caio Megale oficializa saída quando Guedes ainda está buscando novo presidente para BB

Brasília e São Paulo

Em apenas três dias, veio a público que o ministro Paulo Guedes (Economia) sofreu duas baixas na equipe, o que vai propiciar uma nova dança das cadeiras nessa área do governo.

Na sexta-feira (24), o BB (Banco do Brasil) comunicou oficialmente a saída do presidente Rubem Novaes. Neste domingo (26), soube-se que também deixará o ministério da Economia o diretor de programas, Caio Megale. A informação foi antecipada pela coluna Painel.

A principal missão de Guedes é definir o substituto de Novaes na presidência do BB.

Fontes ligadas ao Ministério contam que Guedes avalia o que chama de solução externa e pode surgir uma indicação de um nome do mercado.

Porém, interlocutores, tanto da pasta quanto do banco, contam que existem boas opções no próprio BB. Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, vice-presidente de Gestão Financeira e Relação com Investidores, por exemplo, é uma indicação acalentada pelo próprio Novaes. Walter Malieni Junior, vice-presidente de Negócios de Atacado, é um nome que tem apoio de boa parte da alta cúpula do BB.

Caio Megale, durante entrevista à Folha, em São Paulo (SP)
Diretor de programas do ministério da Economia, Caio Megale também deixará governo - Danilo Verpa - 22.jan.2018/Folhapress

Outra opção é Helio Magalhães, presidente do conselho de administração do banco, um executivo próximo ao secretário de desestatização Salim Mattar. Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente Corporativo, também está na lista.

A indicação caseira –escolha de um nome da instituição– atenderia algumas correntes internas que tinham certo descontentamento com a gestão de Novaes por ele não ser funcionário de carreira.

Aos amigos, Novaes repetiu no final de semana a justificativa oficial para sua saída. Disse ser melhor “passar o bastão a alguém mais jovem neste mundo de tantas inovações”. No entanto, também deixou claro que não havia se adaptado ao que chamou de “ambiente poluído de Brasília”.

Em mensagem, disse que estava se livrando da “cultura planaltina”, de uma “política apodrecida”, movida a “compadrios, privilégios, interesses escusos”, onde muitos “criam dificuldades para vender facilidades”.

Segundo Novaes afirmou à Folha, ele continuará contribuindo com o governo “junto ao ministro e amigo”. “Temos os mesmos ideais”, disse.

Embora tenha avisado sua intenção de deixar o cargo há um mês ao ministro, o anúncio de renúncia pegou o restante da equipe econômica e funcionários do banco de surpresa. Guedes havia comentado recentemente que Novaes, que tem 74 anos, estava “cansado”, mas assessores não esperavam que o pedido de demissão se concretizasse tão rápido.

A saída de Caio Megale, por sua vez, pode acabar abrindo uma nova porta para Noves.

Guedes, contam fontes, quer escalar Novaes como assessor especial em atribuições que já foram de Megale, como acompanhar as reuniões com empresários no Rio e São Paulo. Essa alternativa deixaria Novaes perto do governo, mas longe de Brasília.

À Folha, Caio Megale disse que a decisão de deixar o governo já vinha sendo amadurecida há algum tempo, mesmo antes da saída do ex-secretário do Tesouro.

Lembrou que antes de ir para o governo federal foi secretário municipal da Fazenda de João Doria, em São Paulo, e que completou um ciclo no poder público. Entende que há necessidade de renovação no ministério para o pós-pandemia, quando a pressão para aumento de gastos públicos será intensa.

Megale chegou a ser cotado para substituir Mansueto Almeida como titular do Tesouro Nacional. Mansueto deixou o cargo em 15 de julho. No entanto, Bruno Funchal ficou com a vaga. Segundo fontes próximas ao ministério, a opção por outro nome para o Tesouro teria propiciado a saída de Megale.

“São quase quatro anos no setor público, entendo que é hora de voltar para casa, retomar minha carreira no setor privado. Minha família, que está em São Paulo, vinha pedindo também. A escolha do [atual secretário do Tesouro Nacional Bruno] Funchal foi excelente, ele vinha sendo preparado para isso faz tempo”, afirma Megale.

Segundo Megale, foi “uma decisão difícil” sair do ministério. “Gosto do ministério e admiro a liderança do ministro Paulo Guedes. Mas, do ponto de vista pessoal, era a decisão a ser tomada.”

O ano tem sido de mudanças na equipe da Economia. Em abril, Marcos Troyo foi escalado para assumir a presidência do banco dos Brics (sigla que reúne os principais países emergentes, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No seu lugar na Secretaria Especial de Comércio Exterior entrou Roberto Fendt, um legítimo Chicago boy, nas palavras do ministro.

No final do ano, a equipe também tinha incorporado, como assessores especiais de Guedes, Vanessa Canado, especialista em tributação, para assumir o projeto de reforma tributária do governo, e Aloísio Araújo , que também acompanha reformas e outros projetos do governo.

Enquanto avalia substitutos, Guedes atua também para viabilizar a primeira etapa da reforma tributária, entregue ao Congresso na última terça-feira-feira (21). Segundo a deputada federal Carla Zambelli (PSL) as saídas não foram surpresa para o governo. “Não são necessariamente baixas. Qualquer mudança que vier na economia está sendo feita pelo presidente com o aval do Paulo Guedes."

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