Descrição de chapéu Caixa Econômica Federal

Baixa do mercado leva Caixa Seguridade a suspender IPO pela 2ª vez

BR Partners também desistiu de oferta inicial de ações pela mesma razão

São Paulo | Reuters

A Caixa Econômica Federal suspendeu a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da sua unidade Caixa Seguridade, de acordo com fato relevante divulgado pela empresa nesta quinta-feira (24).

A Caixa pretendia levantar mais de R$ 10 bilhões na oferta secudária —quando o dinheiro arrecadado vai para o acionista vendedor—, vendendo parte de sua participação, no que, segundo expectatvas do mercado, seria o maior IPO do ano.

Agência da Caixa Econômica Federal na região metropolitana de São Paulo - Aloisio Mauricio - 9.abr.2020/Fotoarena/Agência O Globo

Até o momento, a maior oferta de 2020 é da Hidrovias do Brasil, que estreia na Bolsa nesta sexta (25), com R$ 3,4 bilhões.

A Caixa cita a "atual conjuntura do mercado" como motivo para o adiamento da abertura de capital. Em agosto, o Ibovespa, maior índice acionário do país, interrompeu sua trajetória de recuperação e, nesta semana, opera no mesmo patamar de junho, ao redor dos 96 mil pontos.

Na quarta (23), o banco de investimento BR Partners cancelou seu IPO citando a instabilidade do mercado, que poderia o impedir a precificação de suas ações no valor inicialmente esperado.

Segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, a alta nos juros futuros afeta as projeções do mercado para o fluxo de caixa das companhias, interferindo na avaliação de quanto a empresa vale —uma das formas de clacular o valor de uma empresa é projetar o fluxo de caxa futuro e trazê-lo a valor presente com uma taxa de desconto, que combina juros e risco, entre outros.

Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos com base na evolução dos indicadores econômicos atuais. Eles são a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro.

Com a recente alta nos juros futuros com a expectativa de que a Selic suba nos próximos anos, o valor atual da empresa cai.

Nas últimas semanas, três subsidiárias da Cyrela, Lavvi, Plano & Plano e Cury, estrearam na Bolsa com um valor abaixo do projetado.

"Tem muito IPO feito e por fazer. Não sei se há tanta demanda. Dinheiro virar ação não é fácil, o medo de errar é crescente", diz Gonçalves.

O pedido para realização do IPO (oferta pública inicial de ações) do braço de seguros e previdência do banco estatal foi protocolado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 21 de fevereiro deste ano. Em 11 março, com a forte queda das Bolsas globais em decorrência da pandemia de Covid-19, a oferta foi suspensa.

O mercado também espera IPOs de Caixa Cartões, Lotéricas e Caixa Asset Management (braço de gestão de recursos do banco).

Em maio, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, já havia afirmado que apesar de a abertura de capital de suas companhias ser uma prioridade, os IPOs não seriam feitos a qualquer preço.

“Tudo é uma questão do impacto econômico e social da pandemia, e existe zero chance de abrirmos capital para vender a qualquer preço. Só faremos o IPO quando o mercado precificar o que achamos que vale”, disse Guimarães na época.

Essa não foi a primeira vez que o banco encontrou empecilhos para abrir o capital da Caixa Seguridade. Há cerca de três anos, a instituição desistiu também de um IPO, alegando na época condições adversas de mercado.

O IPO da Caixa Segurdade é coordenado por um grupo de bancos, que inclui, além da própria Caixa, os americanos o Morgan Stanley e Bank of America, o suíço Credit Suisse, bem como Itaú BBA e Banco do Brasil.​

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