Descrição de chapéu open banking

Open banking possibilita simplificação dos serviços

Compra e registro de um automóvel poderão ser simultâneos com o compartilhamento de dados específicos, por exemplo

São Paulo

O compartilhamento de dados oferecido pelo open banking vai beneficiar não apenas instituições financeiras, mas um grande conjunto de empresas, dos mais diversos setores, que tiverem acesso às informações financeiras —e souberem como trabalhar com elas.

“O open banking viabiliza a criação, ao longo do tempo, de novos produtos e serviços que hoje não existem”, avalia Leandro Vilain, diretor executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Luciano Sobral, diretor executivo da Capco, consultoria de negócios e TI com foco no setor financeiro e que participou do processo de open banking no Reino Unido, comenta que, por lá, o compartilhamento de dados garantiu a integração de produtos financeiros com outras cadeias produtivas.

Ao comprar um automóvel, por exemplo, o revendedor poderá disponibilizar para o Detran, de forma automática, todas as informações, e a transferência do veículo ocorrerá de maneira simultânea com a chegada do open banking, afirmam especialistas
Ao comprar um automóvel, por exemplo, o revendedor poderá disponibilizar para o Detran, de forma automática, todas as informações, e a transferência do veículo ocorrerá de maneira simultânea com a chegada do open banking, afirmam especialistas - Letícia Moreira - 9.mai.2014/Folhapress

“O varejo tende a ser o mais beneficiado, mas, no futuro, os mais diferentes setores, como o imobiliário e até automotivo, podem ser beneficiados”, diz o executivo.

Sobral dá um exemplo. Ao comprar um automóvel, por exemplo, o revendedor poderá disponibilizar para o Detran, de forma automática, todas as informações, e a transferência do veículo ocorrerá de maneira simultânea.

No que se refere ao setor imobiliário, ele estima que, num futuro próximo, nem será necessário ir até o cartório para efetivar a compra da casa própria.

Com todas as informações do comprador e vendedor disponíveis, o próprio intermediário da venda poderá fazer a transferência sem a necessidade de que as partes tenham que ir até um cartório para efetiva o negócio”, diz Sobral.

O incorporador Guilherme Carlini, presidente do Grupo Lar, considera que a entrada em vigor do open banking no Brasil vai repercutir nos preços e dará mais agilidade ao fechamento de negócios, assim como ocorreu na Europa, onde a empresa tem atuação.

“A análise de crédito no setor imobiliário ainda é arcaica e envolve cópias impressas ou scaneadas de documentos. Com o open banking, ao entrar no estande de vendas já é possível fazer uma análise do perfil financeiro do cliente, se ele tem condições de comprar aquele imóvel, e isso torna todo o processo mais eficiente”, diz Carlini.

Além disso, o executivo afirma que, com o open banking será possível oferecer taxas diferenciadas com base no histórico de cada indivíduo e não padronizar os juros, normalmente puxando as taxas para cima.

“Estamos avaliando o que tem mais efeito para o consumidor, mas temos a certeza de que o sistema vai repercutir no preço dos imóveis”, diz o presidente do Grupo Lar.

Fábio Ieger, fundador da Certur, fintech que utiliza dados do seu software de gestão para conceder empréstimo e capital de giro, defende que o compartilhamento de dados vai contribuir para que os consumidores tenham tarifas mais baixas em diversas modalidades de crédito.

Ele cita como exemplo o financiamento imobiliário ou para aquisição de carro, além das opções oferecidas no comércio varejista —que poderá dar aos clientes que concordarem com o compartilhamento algumas vantagens financeiras, como descontos.

“Esse não é um sistema criado especificamente para o varejo, mas com certeza vai facilitar as negociações porque traz mais transparência e segurança para as transações”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

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