Descrição de chapéu Caixin

Índices que cotam preço do carvão são suspensos na China e mercado teme intervenção do governo

Produto é essencial para aquecimento doméstico e registra pico de preço com a chegada do inverno

Bai Yujie Lu Yutong
Pequim | Caixin

Duas entidades que monitoram transações com carvão e divulgam índices de preços do produto na China deixaram de publicar dados diários, gerando especulações no mercado local sobre uma intervenção governamental nas cotações.

A Fenwei Digital Information Technology anunciou quinta-feira (3) que suspenderia as atualizações de três importantes índices no setor. Eles servem de parâmetro para transações à vista no varejo de carvão térmico nos portos de Bohai Rim, que tem um dos mais importantes índices para o preço do carvão no país.

Usina a carvão perto de Datong, na província de Shanxi, no norte da China - Greg Baker - 19.nov.2015/AFP

Por esse indicador, o valor médio do carvão térmico nas transações chegou, na quarta-feira (2), a 639 yuans (US$ 97,50, ou R$ 504,81) por tonelada, valor mais alto neste ano.

Também na quinta-feira, a Yimei Net, outro provedor de índice de carvão, associado ao Alibaba Group, parou de atualizar seu índice que acompanha preços diários e semanais do carvão nos portos ao longo do rio Yangtze.

O aumento nos preços do carvão térmico joga para uma "zona vermelha" o planejamento econômico estatal da China. Para o governo, o ideal é que os preços flutuem entre 500 yuans (R$ 395) e 570 yuans (R$ 450) por tonelada.

A Fenwei Digital citou flutuações de preços incomuns e negociações à vista fracas para justificar a interrupção dos informes e avisou que retomará o serviço "assim que as negociações no mercado voltarem ao normal".

Não é a primeira que os fornecedores de índices de carvão paralisam as cotações quando os preços se tornam voláteis. Em abril, em meio ao surto de Covid-19, os preços chegaram a 495 yuans por tonelada, e a Associação de Transporte e Distribuição de Carvão da China parou de atualizar um importante índice do setor.

O mercado considera tais suspensões um sinal de controle governamental. "Os reguladores estão intervindo", disse à agência Caixin um comerciante de carvão da região autônoma da Mongólia Interior.

Trabalhadores separam carvão em uma correia transportadora, perto de uma mina de carvão em Datong, na província de Shanxi, no norte da China - Greg Baker - 20.nov.2015/AFP

A aparente intervenção, no entanto, não teve o efeito desejado. Os contratos futuros de carvão na Bolsa de Mercadorias de Zhengzhou subiram ainda mais com a notícia da suspensão dos índices. Contratos de carvão para janeiro chegaram a 688 yuans por tonelada em média na sexta-feira (4). ​

O preço do carvão reflete o desequilíbrio entre oferta e demanda. O aquecimento doméstico depende de carvão na China. A chegada do inverno provoca um aumento da procura pelo mineral, enquanto a produção doméstica e as importações estrangeiras caíram.

De um lado, inspeções de segurança mais rígidas paralisaram as minas de carvão chinesas, de outro, a oferta internacional sofre retração. Dados alfandegários mostram que, em outubro, as importações de carvão totalizaram 13,7 milhões de toneladas, uma queda de 46,6% em relação ao ano anterior e de 26,5% sobre o mês anterior.

Isso fez com que os estoques de combustível fóssil diminuíssem. Na quinta, os estoques em quatro grandes portos de Bohai Rim caíram para 14,17 milhões de toneladas, 26% a menos que no mesmo período do ano anterior.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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