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Presidente do JPMorgan diz que gastos do governo dos EUA podem gerar 'momento Cachinhos Dourados'

Jamie Dimon, financista mais importante de Wall Street, prevê boom pós-pandemia na economia dos EUA

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Imani Moise
Nova York | Financial Times

Um grande aumento nos gastos do governo dos Estados Unidos estimulará a maior economia do planeta pelo menos nos dois próximos anos, disse o presidente-executivo do banco JPMorgan Chase.

Jamie Dimon ofereceu essa perspectiva otimista em sua carta anual aos acionistas do banco, na qual afirmou que o alto índice de poupança, os programas de estímulo, o potencial pacote de infraestrutura e a “euforia quanto ao fim da pandemia” provavelmente fariam com que a economia americana pegasse no tranco.

“É possível que tenhamos um momento Cachinhos Dourados —crescimento rápido, inflação que sobe gentilmente (mas não demais) e taxas de juros que sobem (mas não muito)”, disse o financista mais importante de Wall Street, acrescentando que os gastos sustentados podem alimentar um período de expansão que se estenderia por anos.

Jamie Dimon, presidente da JPMorgan, em uma conferência em Washington - Jeenah Moon - 9.abr.2019/Reuters/Fila Photo

Tanto os consumidores quanto as empresas parecem estar em ótima saúde financeira, no momento em que o país começa a emergir da crise de saúde, disse Dimon, que comanda o maior banco americano pelo critério de ativos.

Mesmo antes da aprovação do pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão do presidente Joe Biden, no mês passado, o JPMorgan estimava que seus clientes pessoa física tivessem um excedente de poupança da ordem de US$ 2 trilhões. As grandes companhias, enquanto isso, ostentam confortáveis reservas de caixa de US$ 3 trilhões, em seus balanços.

Além disso, as ações expansivas das autoridades monetárias de todo o mundo devem “ter um efeito mundial cumulativo”, disse Dimon.

Se um boom como o que ele descreve surgir, as avaliações generosas das ações nos mercados de capitais estariam justificadas, ainda que o excesso de oferta de títulos de dívida do governo americano possa tornar difícil sustentar o preço dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ele acrescentou.

Dimon defendeu repetidamente, em sua mensagem de 34 mil palavras, gastos mais altos do governo para resolver algumas das questões mais graves do país, como a infraestrutura envelhecida, os serviços de saúde de custo inacessível e a desigualdade econômica cada vez maior.

“Se o dinheiro for gasto com sabedoria, criará mais oportunidades econômicas para todos”, ele declarou, reconhecendo que às vezes dinheiro demais ficava preso em programas burocráticos e ineficientes.

Os comentários dele surgiram no momento em que o governo Biden voltou sua atenção à aprovação de um plano de infraestrutura de US$ 2 trilhões, além dos cerca de US$ 5,8 trilhões em medidas de estímulo adotadas nos Estados Unidos durante a pandemia.

Os defensores da proposta de infraestrutura dizem que ela representa um investimento postergado por tempo demais, e seus críticos afirmam que os gastos adicionais, somados aos dispendiosos pacotes de estímulo, criavam um risco de superaquecer a economia e lançar os Estados Unidos a uma recessão.

Ainda que o cenário de conto de fadas fosse provável, Dimon assegurou os investidores de que o JPMorgan também estava preparado para a possibilidade de uma inflação descontrolada ou de uma nova onda de lockdowns.

“E, evidentemente, sendo quem somos, embora nossa esperança seja a de que o cenário Cachinhos Dourados se confirme —e acreditamos que haja possibilidade de que isso aconteça—, anteciparemos e estaremos preparados para dois outros cenários negativos”, ele afirmou.

Ainda que Dimon não tenha mencionado diretamente o aspecto mais controverso do plano de infraestrutura do presidente dos Estados Unidos —um aumento na alíquota de imposto paga pelas empresas de 21% para 28%, a fim de bancar o custo das medidas—, ele sustentou que o país precisa de uma estrutura tributária competitiva em termos internacionais.

“Mesmo que o capital seja distribuído em dividendos ou recompra de ações, estará simplesmente sendo destinado a um uso melhor e mais alto —trata-se de uma realocação de capital completamente normal”, ele disse.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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