Descrição de chapéu pets

Produtos e serviços para animais vão de cerveja a escola construtivista

Mesmo em condições econômicas difíceis, tutores gastam com pets como se eles fossem filhos

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Iara Biderman
São Paulo

Um dos principais fatores que têm impulsionado o mercado pet nos últimos anos é a tendência de humanizar os bichos de estimação.

Mesmo em condições econômicas mais desfavoráveis, os tutores são capazes de sacrificar o orçamento para dar algo ao animal, segundo a consultoria Beta Research and Consulting, que realizou pesquisas sobre o setor em 2020.

“Foi marcante ver como as pessoas percebem a inteligência dos animais, sua nobreza moral e a capacidade de expressarem vontades próprias”, diz Maria Rita Barbi, diretora-executiva consultoria.
A Zampe, grife de roupas para pets, cresceu 80% nos últimos dois anos. Fundada em 2017 pela estilista Carol Vassilak, 37, que antes criava moda para humanos, a marca veste a bicharada conforme o repertório fashion de seus tutores.

Cachorros vestem roupas da estilista Carol Vassilak, da grife Zampe
Cachorros vestem roupas da estilista Carol Vassilak, da grife Zampe - Keiny Andrade/Folhapress

O maior sucesso da loja, a capa de chuva, custa R$ 279,90. Outros best-sellers são blusa de tricô (R$ 189,90), camisa de botão (R$ 169,90) e a bandana (R$ 55,90).

“Minhas roupas são atemporais, adaptadas ao clima brasileiro e ao conforto dos animais. A maior parte das peças é feita com tecidos naturais”, conta a estilista, que também diz não fazer distinção de gênero.

Quando lançou a grife, com um investimento inicial de R$ 40 mil, ela atendia os clientes pessoalmente. Com a pandemia, as vendas migraram para o online. De olho em um mercado promissor, Carol investiu mais R$ 40 mil na empresa em 2020 e fechou o faturamento do ano em R$ 100 mil.

A ex-bancária Beatriz Moura, 28, também viu uma oportunidade no desejo dos tutores de transformar os pets em filhos. Em outubro de 2019, ela abriu em parceria com a mãe, Cristina, a Escola do Latir, creche canina, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

As duas investiram R$ 250 mil na compra e adaptação do imóvel para receber os alunos —em média, são 30 por dia. A mensalidade varia de R$ 270 (uma vez por semana) a R$ 882 (segunda a sexta).

A nutricionista Juliana Calia, 46, visitou quatro creches antes de escolher a escola para Joca, seu border collie. “Precisava de um lugar que oferecesse atividades mentais para ele, que é muito inteligente.”

Os alunos são estimulados se apropriar dos aprendizados e desenvolver habilidades sociais e afetivas: quase uma escola construtivista. “Mais ou menos isso”, diz Beatriz.

Num dia típico, Joca socializa com os colegas enquanto desenvolve a inteligência canina em jogos como cabo de guerra. No almoço, é incentivado a farejar, para estimular ainda as habilidades cognitivas. A alimentação é à base de frutas e legumes frescos.

A tarde é reservada ao relaxamento, com musicoterapia e aromaterapia. No fim do dia, Joca volta para casa com um boletim no qual é registrado como se ele comportou —se ficou feliz, se machucou ou não, como comeu etc.

A escola, que começou com duas funcionárias, hoje tem nove. O faturamento mensal está na faixa dos R$ 50 mil.

A Padaria Pet apostou no conceito da humanização em 2011, quando ele ainda era incipiente no país. O primeiro produto da marca foi uma cerveja canina, feita à base de água, malte e carne (sem álcool).
“A startup começou com a cara, a coragem e R$ 50 mil de cada um dos três sócios”, diz um deles, Arquelau So, 44, também diretor de expansão. Em 2015, a Padaria Pet recebeu um aporte de cerca de R$ 500 mil de um investidor-anjo.

Hoje, a empresa oferece mais de 50 itens de fabricação própria, como pipoca, biscoitos funcionais e gelatina para gatos. Além da cerveja da marca, a companhia fabrica uma linha para a Colorado, a Cãolorado —em lata, custa entre R$ 9,40 e R$ 13,40.

O faturamento anual está na ordem dos R$ 2 milhões, segundo Arquelau.

Além dos franqueados (que passaram de 6 no começo de 2020 para 15 no fim do ano), a empresa mantém uma loja própria, na região dos Jardins, em São Paulo. No local, os pets se divertem na piscina de bolinha ou relaxam na banheira de ofurô. “Pet não é mais tratado como filho. Virou neto, que a gente trata melhor e mima mais”, diz.

O empresário Lucas Marques, 40, diretor-executivo da Ipet, lançou sua cerveja canina, a Dog Beer, em 2016. No início, ele atuava como distribuidor desse tipo de produto e, em 2019, comprou a fábrica própria. A Ipet, diz Lucas, cresceu 300% em 2020, em relação ao ano anterior.

Espaguete Ipet Foods
Espaguete Ipet Foods - Divulgação

A empresa também vende para distribuidoras e pet shops molhos para ração, sorvete para cães e gatos e macarrão para harmonizar com o vinho da marca. Os produtos têm visual de comida humana, mas são processados com ingredientes recomendados aos bichos. O macarrão, por exemplo, leva farinha de trigo, extrato de carne e um probiótico.

“O brasileiro tem essa capacidade de amor, mas também existe a preocupação, principalmente entre veterinários, de que o excesso de humanização cause um grau de sofrimento para os animais”, diz Maria Rita Barbi, da Beta.

É um dos questionamentos do veterinário Dalton Ishikawa, 47, fundador da Pet Games, de jogos cognitivos. “O conceito é enriquecer o ambiente de cativeiro com brincadeiras instintivas. Amamos nossos pets como humaninhos, mas não adaptamos o espaço para melhorar seu bem-estar conforme as necessidades que fazem sentido do ponto de vista da espécie.”

Em 2011, com um investimento de R$ 100 mil, montou sua fábrica. Em cinco anos, a produção triplicou.
A humanização questionada não deixa de ser um atrativo para os clientes, que encontram na Pet Games jogos com nomes similares aos de humanos, como xadrez ou damas. “Claro, isso tem um apelo. Mas são brinquedos-comedores, que estimulam o animal a resolver desafios para encontrar o alimento.”

O que oferecem empresas ao redor do mundo

Teste de DNA
Para eliminar dúvidas sobre quem é o pai do filhote, empresas americanas oferecem testes de DNA para cães. Há testes que prometem identificar a linhagem de praticamente todas as raças (incluindo vira-latas) com 99% de acerto. Também detectam doenças genéticas em pets

Roupa antiestresse
A jaqueta promete acalmar os amigos de quatro patas aplicando uma pressão suave e constante no dorso do cão ou do gato (se ele topar se vesti-la). As roupas calmantes da marca Thunder Shirt têm sete opções de tamanho e, segundo o fabricante, são capazes de diminuir os hormônios do estresse e a frequência cardíaca dos animais

Tabletes mastigáveis com canabis da marca Only Natural Pet
Tabletes mastigáveis com cannabis da marca Only Natural Pet - Divulgação

Cannabis medicinal
A marca americana Only Natural Pet tem uma linha completa de produtos terapêuticos, de óleos de massagem a suplementos mastigáveis para proteger ossos e articulações da nação de quatro patas

Hotel boutique
Situado em Las Vegas, um hotel seis estrelas oferece restaurante gourmet, spa, academia de ginástica e uma “villa” exclusiva para gatos, além de camas king size com lençol de cetim

Happy hour
Depois de um dia de cão, os pets londrinos podem relaxar no Smith & Whistle. O bar, no bairro Mayfair, tem um cardápio completo de coquetéis para cachorro, os dogtails, servidos o ano todo. Cães são bem-vindos no balcão e nas mesas internas e externas do bar

Cat lounge café
O lugar para levar a gata ou gato quando estiver em Taiwan. No Co Caine Cat Lounge, os felinos se esparramam por almofadões, colunas e prateleiras projetadas especialmente para os hábitos desses animais. Tem até home-theater para o pet não perder os últimos lançamentos do cinema

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