Entenda em dez perguntas a polêmica sobre a embaixada dos EUA em Jerusalém

Local foi inaugurado sob protestos nesta segunda-feira (14)

São Paulo

​A abertura da embaixada americana em Jerusalém pelo governo de Donald Trump reverte quase sete décadas de política externa americana.

Ivanka Trump discursa durante cerimônia de inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém
Ivanka Trump discursa durante cerimônia de inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém - Sebastian Scheiner/Associated Press

Aliados e rivais dos Estados Unidos criticaram a decisão —a maioria dos países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv e entende que Jerusalém não deve ser reconhecida como capital até que o status final da cidade seja decidido em acordo de paz entre israelenses e palestinos. Apenas a Guatemala e o Paraguai seguiram os EUA e anunciaram que também vão mudar suas embaixadas para Jerusalém.

 

Em dez perguntas, entenda por que a mudança da embaixada dos EUA é polêmica.

1) De quem é Jerusalém?
A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos (a Autoridade Nacional Palestina está em Ramallah, Cisjordânia).

2) O que se reivindica?
Israel afirma que Jerusalém é sua capital única e indivisível, recorrendo a episódios históricos; os palestinos pleiteiam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, também alegando razões históricas.

3) O que diz o mundo?
A ONU determinou, em 1947, que Jerusalém fosse uma cidade com regime internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos. A maioria dos países hoje apoia a solução de dois Estados, determinada por negociações de paz entre israelenses e palestinos (congeladas desde 2014).

4) O que diz a lei americana?
O Congresso dos EUA aprovou uma lei em 1995 que previa o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada, com prazo final em maio de 1999; no entanto, o texto permitia o adiamento da transferência por seis meses, e todos os presidentes desde então vinham adiando a mudança a cada meio ano. Em dezembro do ano passado, porém, Trump reconheceu a cidade como capital de Israel.

5) O que os EUA fizeram?
O país reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e mudou a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, inaugurada nesta segunda (14).

6) Então o que muda?
Na prática, nada. Trump ressalta que a definição das fronteiras sob soberania israelense deve ser objeto das negociações de paz israelo-palestinas e pede que a cidade fique aberta para "todas as fés"; segundo o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, o status dos locais sagrados será mantido.

7) Quem tem embaixada em Jerusalém?
Guatemala e Paraguai anunciaram que seguirão os EUA e também mudarão suas embaixadas. Israel é reconhecido pela imensa maioria dos países, e apenas nações muçulmanas do Oriente Médio negam sua legitimidade (as exceções são o Egito e a Jordânia). Por causa da indefinição do status da cidade, porém, quase todos mantêm suas representações em Tel Aviv.

8) E o processo de paz?
Washington passa a ser visto como ator parcial, favorável aos israelenses, o que dificulta que os palestinos aceitem sua mediação. O alerta foi feito não só por países críticos aos EUA, mas também por governos europeus, a UE e a ONU.

9) Qual o papel dos EUA na negociação?
Os EUA foram o principal mediador do processo de paz desde 1967 —incluindo os acordos de Oslo (1993) e Camp David (2000), o Mapa do Caminho proposto com Rússia, UE e ONU (2003) e as negociações em Annapolis (2007) e Washington (2010).

10) E o pleito palestino?
A reivindicação sobre Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino pode ser mantida, mas há risco de a decisão dos EUA inflamar os muçulmanos na região e provocar nova onda de violência.

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