Descrição de chapéu Venezuela

Chefe da OEA compara crise na Venezuela a genocídio em Ruanda e pede ação

No sábado (15), Almagro havia cogitado intervenção militar para derrubar Maduro

Patrícia Campos Mello
São Paulo

Invocando a responsabilidade de proteger, princípio diplomático que legitima intervenções em países onde o governo comete crimes contra a humanidade, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, voltou a cogitar ação militar na Venezuela em vídeo em uma rede social neste domingo (16). 

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, visita a cidade de Cúcuta, na fronteira entre Colômbia e Venezuela, no dia 14 de setembro de 2018.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, visita a cidade de Cúcuta, na fronteira entre Colômbia e Venezuela, no dia 14 de setembro de 2018. - Carlos Eduardo Ramirez/REUTERS

No sábado (15), Almagro havia afirmado que não deveria ser descartada uma “intervenção militar” na Venezuela para “derrubar” o governo de Nicolas Maduro. Ele esteve na Colômbia em missão, por três dias, para avaliar a situação dos refugiados venezuelanos.

No vídeo, Almagro começou afirmando que não defendia a violência e que havia sido mal interpretado.

“Algumas interpretações maniqueístas buscaram mudar o eixo da discussão, e disseram que éramos favoráveis a agressão armada; não é verdade”, disse. “Nossa mensagem não é de violência, é de impedir a violência, sempre dentro do marco do sistema interamericano de proteção à democracia”.

No entanto, Almagro prossegue comparando a “omissão” frente ao regime venezuelano à inação da comunidade internacional diante do genocídio em Ruanda (1994) e do massacre da população do Camboja por Pol Pot, nos anos 70.

“Permitir o genocídio em Ruanda, para cumprir o princípio de não intervenção, foi dentro da lei? Não, não e não”, disse. “A responsabilidade de proteger é uma opção que deve permanecer aberta, ela é a última esperança das vítimas e é imoral negar esse direito ao povo venezuelano.”

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