Coreia do Norte diz que, com sanções, não haverá desarmamento nuclear

Chanceler Ri Yong-ho falou à Assembleia Geral da ONU que não há confiança nos EUA

Nova York | Reuters

O chanceler norte-coreano, Ri Yong-ho, afirmou em discurso na Assembleia Geral da ONU que a continuidade das sanções contra Pyongyang fazem aumentar a desconfiança em relação aos EUA.

"Sem nenhuma confiança nos EUA, não haverá confiança em nossa segurança nacional e sob essas circunstâncias não há como nos desarmarmos unilateralmente primeiro", afirmou Ri. 

O chanceler norte-coreano, Ri Yong-ho, faz discurso na ONU, em Nova York - Mary Altaffer/Associated Press

A China e a Rússia defenderam que o Conselho de Segurança deve recompensar Pyongyang pelos passos já dados depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, se encontraram e prometeram trabalhar em conjunto em prol da desnuclearização da Península Coreana.

"A percepção de que sanções podem nos colocar de joelhos é um sonho de pessoas que são ignorantes sobre nós. Mas o problema é que a continuidade das sanções estão aumentando nossa desconfiança", disse Ri.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse na quinta: "A aplicação das sanções do Conselho de Segurança devem continuar com vigor e sem falhar até que realizemos a total, final e verificada desnuclearização". 

Ri afirmou que a Coreia do Norte tomou "medidas significativas e de boa-fé, como interromper testes nucleares e de mísseis balísticos, desmantelar a instalação de testes nucleares de maneira transparente e se comprometer a não transferir armas nucleares e tecnologia nuclear sob quaisquer circunstâncias".

"No entanto, não vimos nenhuma medida correspondente por parte dos EUA." 

O Conselho de Segurança tem imposto sanções contra o regime norte-coreano desde 2006 como modo de impedir o financiamento dos programas de mísseis balísticos e nucleares do país. 

Ri fez referência a um comunicado conjunto emitido por Trump e Kim após a cúpula de Singapura, em junho, quando o norte-coreano prometeu trabalhar pela "desnuclearização da Península Coreana", enquanto o americano prometeu garantias da segurança norte-coreana. 

A Coreia do Norte busca o fim formal para a Guerra da Coreia (1950-53), mas Washington quer primeiro o fim de seu programa nuclear e tem resistido a pedidos de relaxamento das sanções.

"Os EUA insistem em 'desnuclearização primeiro' e aumentou o nível das pressões para alcançar seu objetivo de maneira coercitiva e até faz objeções a uma 'declaração do fim da guerra'", disse Ri.

Ri não fez nenhuma menção a uma possível segunda cúpula entre os dois líderes, que Trump mencionou nesta semana. 

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