Conservadores lançam suspeitas sobre pacotes enviados a democratas

Há 12 dias da eleição legislativa, figuras ligadas aos republicanos chamam o caso de fake news

Danielle Brant
Nova York

Se os democratas se apressaram em associar um discurso político ao envio de pacotes suspeitos a personalidades do partido, como o ex-presidente Barack Obama e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, alguns conservadores também tentam construir sua narrativa —no caso, levantando dúvidas sobre o episódio.

Teorias da conspiração, como qualificadas pela emissora CNN —ela própria alvo de um dos pacotes, endereçado ao ex-diretor da CIA John Brennan—, começam a surgir no espectro conservador da política americana.

Até agora, pelo menos dez pacotes suspeitos endereçados a políticos democratas ou figuras identificadas com o partido, como o doador e bilionário George Soros e o ator Robert De Niro, foram interceptados pelos agentes de segurança e estão sendo investigados pelo FBI (polícia federal americana).

Os envios ocorrem a 12 dias da data marcada para as eleições legislativas nos Estados Unidos, nas quais os democratas esperam retomar o controle da Câmara dos Deputados e do Senado, hoje nas mãos dos republicanos.

Os ataques, em alguns casos, vêm da própria imprensa. Nesta quinta, Lou Dobbs, apresentador da Fox Business Network e conhecido apoiador do presidente Donald Trump, escreveu “Notícias falsas —bombas falsas. Quem possivelmente poderia se beneficiar de tamanha falsidade?”.

Em seguida, colocou hashtags usadas pelo presidente Trump, como #MAGA (sigla para torne a América grande de novo) e #AmericaFirst (América primeiro). Após sofrer críticas, Dobbs apagou a mensagem.

Não foi a única voz a jogar dúvidas sobre o episódio. John Cardillo, personalidade da mídia associada à direita, também levantou suas suspeitas em uma rede social.

“Os investigadores precisam dar uma olhada séria em grupos de extrema esquerda como #Antifa ao investigar as bombas enviadas a Soros, Obama e aos Clintons”, escreveu, antes de deletar a mensagem. “Parece como as táticas de ‘bandeiras falsas’ de esquerdistas desequilibrados que sabem que estão perdendo.”

Outro defensor de Trump, o apresentador de rádio Bill Mitchell também expressou convicção de que o verdadeiro alvo dos artefatos explosivos enviados a figuras democratas é o poder político dos republicanos.

“Esses ‘pacotes explosivos’ sendo enviados à #Mídia e a democratas de alto nível tem toda escrita de astroturfing [forma de mascarar as fontes originais de uma mensagem] de Soros, então a mídia pode pintar o #GOP [Partido Republicano] como uma `turba perigosa`. Pura besteira”, escreveu.

A teoria de bandeiras falsas também foi adotada por Rush Limbaugh, que sugeriu que os envios teriam mais cara de uma “operação democrata” do que republicana.

“Os republicanos simplesmente não fazem esse tipo de coisa”, disse Limbaugh. “Você tem pessoas tentando machucar a CNN, Obama e Hillary e Bill Clinton e Debbie ‘Tagarela’ Schultz e, você sabe, isso pode servir a um propósito aqui.”

Para a ativista conservadora Candace Owens, há “0% de chance de que esses ‘pacotes suspeitos’ foram enviados por conservadores”. Segundo ela, a única coisa suspeita na história toda é o “timing”, em referência à proximidade das eleições de meio mandato presidencial.

O autor e diretor Dinesh D’Souza, perdoado por Trump pelo delito de realizar contribuições eleitorais ilegais, levou as teorias a outro patamar. Ele escreveu: “Eu ouvi que o FBI espremeu suco de limão em um pacote suspeito e uma letra muito fraca revelou uma única palavra: DEMOCRATAS.”

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