Descrição de chapéu Governo Trump

Embaixadora dos EUA na ONU anuncia renúncia

Nikki Haley ficará no cargo até o fim do ano mas não explicou saída

O presidente Donald Trump se encontra com a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, na Casa Branca - Jonathan Ernst/Reuters
 
Júlia Zaremba Danielle Brant
Washington e Nova York

A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, anunciou nesta terça-feira (9) que irá renunciar ao posto.

O presidente Donald Trump afirmou que ​Haley ficará no cargo até o fim do ano. Ambos se encontraram no Salão Oval para anunciar a decisão. 

Trump disse que Haley, 46, é uma pessoa "muito especial", fez um "trabalho fantástico" e que havia lhe informado há seis meses sobre o desejo de "tirar um tempo". Os motivos para a renúncia não foram explicados.

Segundo ele, "muitas pessoas" estão interessadas em sucedê-la e que o nome do próximo embaixador deve ser anunciado em duas ou três semanas.

Trump afirmou que, juntos, eles "resolveram muitos problemas". 

Haley afirmou que "foi uma honra" ser embaixadora na ONU e que "é preciso ser altruísta o suficiente para saber quando você tem que sair e deixar outra pessoa fazer o trabalho."

​Ela exaltou a política externa dos EUA nos últimos dois anos. "Os países podem não gostar do que fazemos, mas respeitam o que fazemos", disse, acrescentando que tornaram a ONU mais forte e eficiente.

Também disse que ainda não tem planos para o curto prazo e negou que vá concorrer à Presidência dos EUA em 2020.

A ex-governadora da Carolina do Sul foi escolhida como embaixadora na ONU após a vitória do republicano nas eleições presidenciais de 2016. A nomeação ocorreu apesar de ela ter apoiado Marco Rubio, rival de Trump, nas primárias do partido no estado. Depois, Haley respaldou o senador pelo Texas Ted Cruz.

Haley tem sido uma das mais ferrenhas defensoras de Trump. o início do ano, ela anunciou a saída dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU, acusando o órgão de ser “hipócrita” e ter um “viés anti-Israel”. 

Ela se tornou a mais nova integrante do governo Trump a abandonar o cargo. Haley se junta a nomes como Rex Tillerson, que deixou o posto de secretário de Estado, John McEntee, assessor pessoal, Gary Cohn, assessor econômico, e Steve Bannon, estrategista-chefe.

Em 25 de setembro, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump condicionou o apoio financeiro dos EUA a quem “respeita” e é “amigo” do país.  O republicano rejeitou “a governança global, o controle e a dominação” e defendeu o direito ao isolacionismo, afirmando preferir o patriotismo ao globalismo.

Haley escreveu um texto no The Washington Post no início de setembro criticando o artigo de opinião publicado no The New York Times no qual um alto funcionário do governo Trump afirmava haveruma "resistência silenciosa" dentro da Casa Branca. Ela estava na lista de suspeitos de terem escrito o texto.

"O autor pode pensar que ele ou ela está prestando um serviço para o país. Eu discordo totalmente", escreveu. "Eu sirvo com orgulho a essa administração, e apoio entusiasticamente a maioria das suas decisões e a direção para a qual está levando o país. Mas eu não concordo com o presidente em tudo."

O secretário de Estado, Mike Pompeo, agradeceu a Haley por eu trabalho e disse que foi uma "grande parceira" durante os meses em que trabalharam juntos.

​O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou "profunda apreciação pelo apoio e pela cooperação excelentes" com a embaixadora. 

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, agradeceu a Haley por lutar contra a "hiprocrisia da ONU". 

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