Crescimento do número de emigrantes de América Latina e Caribe desacelera, diz pesquisa

Pew Research Center mostra que queda se dá devido a menor fluxo de pessoas deixando o México

Danielle Brant
Nova York

O crescimento do número de emigrantes da América Latina e do Caribe desacelerou dramaticamente nos últimos anos, boa parte devido a uma desaceleração do fluxo de pessoas deixando o México, de acordo com análise do centro de estudos Pew Research Center.

Os dados foram obtidos da ONU e do Censo americano. O resultado mostra que a população global de emigrantes da região cresceu 7% de 2010 a 2017. É um percentual inferior à média mundial no mesmo período, de 17%. Como comparação, o Oriente Médio e Norte da África viram uma expansão de 38%, e a África subsaariana, de 32%.

A desaceleração contrasta com décadas passadas, quando a região registrava o crescimento mais acelerado de emigrantes do mundo. De 1990 a 2000, a expansão foi de 58%. Na década seguinte, de 44%.

No caso de brasileiros, o movimento foi idêntico. De 1990 a 2000, o Brasil era o quinto país com maior número de emigrantes na América Latina e Caribe: o total chegou a 960 mil, crescimento de 460% no período.

Na década seguinte, já houve uma desaceleração: a expansão de emigrantes brasileiros foi de 60%, para 1,53 milhão. E, de 2010 a 2017, o crescimento foi de 8,7%, para 1,67 milhão. 

No passado, boa parte do crescimento de emigrantes da América Latina e Caribe foi impulsionado pelo México. De 1990 a 2000, o número de mexicanos morando fora de seu país de origem cresceu 114% ou —5 milhões. Nos anos 2000, a expansão desacelerou para 34%.

Já de 2010 a 2017, a população de emigrantes do México estagnou. Em 2017, segundo o Pew, eram 12,3 milhões de mexicanos morando fora do país, ante 12,5 milhões em 2010.

A fatia do México entre todos os emigrantes da América Latina e do Caribe caiu de 36% em 2010 para 33% em 2017. O país, contudo, ainda detém o título de maior população de emigrantes da região.

Ainda que o percentual de pessoas que deixam seu país de origem tenha desacelerado, a região da América Latina e Caribe ainda é uma grande fonte de emigrantes. Segundo o estudo, cerca de 37 milhões de pessoas da região viviam fora do país de nascimento em 2017 –eram 35 milhões em 2010.

O Equador registrou uma das maiores quedas regionais, com um recuo de 6% desde 2010. É uma grande reversão, segundo o Pew, em relação ao período de 2000 a 2010, quando a população emigrante do país cresceu em 174%, a maior expansão local.

Honduras (29%), Venezuela (28%), República Dominicana (21%), Guatemala (19%) e Costa Rica (17%) registraram o maior crescimento de emigrantes na América Latina e Caribe desde 2010.

O centro de estudos lembra que o aumento foi provocado, entre outros problemas, por instabilidade econômica e política nesses países, conflitos e violência e eventos relacionados ao clima.

Na Venezuela, lembra o Pew, a hiperinflação tornou certos produtos e serviços básicos inacessíveis, o que contribuiu para a grande crise migratória iniciada em 2015 e que afetou países da região, entre eles o Brasil.

Muitos desses fatores acima também contribuíram para o crescente número de migrantes da região que buscam asilo, a maioria nos EUA e na Europa. Cerca de 350 mil pedidos de asilo no mundo foram feitos por pessoas da América Latina e do Caribe em 2017 –em 2010, eram aproximadamente 70 mil.

Em 2017, os emigrantes latino-americanos e caribenhos correspondiam a 15% dos mais de 250 milhões de migrantes internacionais. A maior fonte mundial é a Ásia-Pacífico, com 85 milhões e 33% da fatia global.

Os EUA continuam sendo o principal destino de migrantes latino-americanos, recebendo 67% dos emigrantes da região em 2017, percentual praticamente estável em relação aos 62% de 1990.

Há ainda emigrantes que escolhem países dentro da própria América Latina e Caribe para morar, embora o percentual tenha recuado de 26% em 1990 a 16% em 2017.

A Argentina foi a principal escolha, com 1,8 milhão de pessoas de outros países latino-americanos morando no país em 2017, um aumento em relação às 830 mil de 1990.

Na Europa, onde o percentual de emigrantes latino-americanos e caribenhos cresceu de 7% em 1990 a 12% em 2017, a Espanha foi o principal destino, abrigando 2,2 milhões de pessoas nascidas na região da América Latina e Caribe nesse ano.

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