Descrição de chapéu Venezuela

Governo Trump eleva pressão sobre Maduro ao bloquear receita do petróleo

Sanções afetam a estatal PDVSA, principal fonte de renda do regime, e subsidiária nos EUA

Danielle Brant
Nova York

​Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (28) o bloqueio de US$ 7 bilhões (R$ 26,3 bilhões) em ativos da petrolífera venezuelana estatal PDVSA, em mais uma tentativa de aumentar a pressão sobre o regime do ditador Nicolás Maduro.

As sanções foram anunciadas pelo secretário de Tesouro, Steven Mnuchin, e pelo conselheiro de segurança nacional, John Bolton. A intenção é ajudar o adversário de Maduro, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e auto declarado presidente do país.

Homem de terno segura caderno com mapa-múndi ao fundo
Ao anunciar sanções contra a Venezuela, o conselheiro de segurança dos EUA, John Bolton, segura caderno em que se lê ‘5.000 troops to Colombia’ - Jim Young/Reuters

A decisão, porém, pode ter como efeito colateral um aumento do preço do petróleo, o que afetaria as refinarias americanas.

Nesta segunda, Mnuchin determinou que as pessoas que operam no setor de petróleo da Venezuela estão sujeitas às sanções americanas.

“O caminho para aliviar sanções para a PDVSA é pela rápida transferência de controle ao presidente interino ou um subsequente governo democraticamente eleito que está comprometido a tomar ações concretas e significativas para combater a corrupção”, afirmou o secretário do Tesouro em declaração na Casa Branca.

Bolton estimou que as sanções vão custar US$ 11 bilhões (R$ 41,3 bi) em perdas com exportações à Venezuela no próximo ano, enquanto Mnuchin ressaltou que o impacto para as refinarias americanas que têm negócios na área será “mínimo”.

Para ambos, o regime de Maduro é responsável pela crise no país. “Os Estados Unidos estão responsabilizando os que são responsáveis pelo trágico declínio da Venezuela”, afirmou Mnuchin a repórteres.

Conforme as sanções, as companhias americanas poderão continuar a comprar petróleo da Venezuela, mas os pagamentos deverão ser colocados em uma conta que não possa ser acessada pelo regime de Maduro.

“Se as pessoas na Venezuela quiserem continuar a nos vender petróleo, contanto que o dinheiro vá para contas bloqueadas, nós vamos continuar a receber”, afirmou Mnuchin. “Caso contrário, não vamos comprar.”

Refinaria de petróleo com placa da Citgo
Refinaria da Citgo, subsidiária da estatal venezuelana PDVSA, no estado americano do Texas - Erwin Seba/Reuters

As refinarias da Citgo, subsidiária da PDVSA nos EUA, poderão continuar a operar, mas as receitas deverão ser depositadas em uma conta nos EUA. A Citgo opera três refinarias americanas com uma capacidade combinada de processamento de 750 mil barris de petróleo por dia.

Maduro reagiu e afirmou que “os Estados Unidos tentam roubar da Venezuela a Citgo” e disse que a PDVSA tomará as medidas cabíveis.

Caracas continua sendo um grande fornecedor de petróleo às refinarias dos EUA, embarcando uma média de 580 mil barris por dia de petróleo e derivados ao país, no acumulado do ano até outubro.

O conselheiro de segurança nacional voltou a dizer que o governo não descarta nenhuma alternativa para resolver a crise na Venezuela.

“Bem, o presidente [Donald Trump] deixou bem claro isso, nesse assunto todas as opções estão sobre a mesa”, complementou Bolton.

Em comunicado divulgado, o secretário do Tesouro afirmou que a medida adotada pelos EUA buscava impedir o desvio de ativos venezuelanos por Maduro e manter esses recursos para a população do país.

É o mesmo discurso de Guaidó. Nesta segunda, o opositor comunicou que assumiu o controle dos ativos da Venezuela no exterior para evitar que Maduro “acabe com todos os recursos” caso eventualmente decida deixar o poder.

“A partir deste momento, começamos a tomada progressiva e ordenada do controle dos ativos de nossa república no exterior, para impedir que em sua etapa de saída (...) o usurpador e seu grupo busquem ‘raspar o tacho’”, disse em comunicado divulgado nas redes sociais.

Guaidó afirmou ainda que começará a nomear os diretores da PDVSA e do Citgo, para iniciar a recuperação “de nossa indústria que hoje passa por um momento sombrio.”

 

Ele disse ainda que vai pedir ao Congresso que tome as medidas “necessárias para garantir a maior transparência e controle” do uso dos recursos.

O governo britânico disse ter recebido um pedido do opositor para que o Banco da Inglaterra não devolva a Maduro o ouro e bens que a Venezuela tem depositado na instituição. O secretário de Estado britânico, Alan Duncan, confirmou no Parlamento o pedido de Guaidó e também a existência dos ativos venezuelanos no Banco da Inglaterra.

A tensão política na Venezuela aumentou no início do ano, quando Maduro assumiu seu novo mandato como presidente. A eleição do ditador não foi reconhecida pela Assembleia Nacional, de maioria opositora, que o classificou como usurpador —EUA, União Europeia e Brasil também não reconhecem Maduro como presidente do país.

Os protestos contra o ditador começaram na segunda passada (21), no mesmo dia em que um grupo de 27 militares se rebelarem contra o regime e acabarem sendo detidos. As maiores manifestações, porém, ocorreram na quarta (23), quando Guaidó se auto declarou presidente interino

Guaidó prometeu anistia para os militares que ajudarem a derrubar Maduro, mas, até o momento, a cúpula das Forças Armadas se mantém leal ao ditador.

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